O Mirassol encerrou a Série C de 2022 com a conquista de seu primeiro título na terceira divisão do futebol brasileiro, coroando uma campanha consistente ao longo de toda a competição. A edição reuniu 20 clubes em uma fase única de grupos seguida de mata-mata, e distribuiu quatro vagas para a Série B — além de rebaixar quatro equipes para a Série D. O torneio foi marcado pelo equilíbrio da tabela na fase classificatória, pela exuberância ofensiva de alguns dos principais candidatos ao acesso e pela campanha individual do artilheiro Alex Henrique, do Aparecidense.
O Campeão e a Final
O Mirassol sagrou-se campeão da Série C de 2022 de forma invicta na final, diante do ABC. Na partida de ida, disputada fora de casa, as equipes empataram sem gols, mantendo tudo em aberto para o segundo confronto (Wikipédia). No jogo de volta, realizado no Estádio Maião, o time paulista não deixou dúvidas e venceu por 2 a 0, garantindo o título inédito diante de sua torcida (Wikipédia).
A conquista foi histórica para o clube do interior paulista, que levantou o troféu da terceira divisão pela primeira vez em sua história (Wikipédia). Ao longo da fase de grupos, o Mirassol terminou com 33 pontos em 19 jogos — dez vitórias, três empates e seis derrotas —, com 32 gols marcados e 20 sofridos, o melhor saldo de gols entre os quatro primeiros colocados, com +12. O ataque mirassolense foi o mais produtivo da fase classificatória, o que credenciou a equipe como um dos favoritos naturais ao título.
O vice-campeão ABC chegou à final após uma fase de grupos sólida, terminando em sexto lugar com 31 pontos, campanha de oito vitórias, sete empates e quatro derrotas. A defesa do clube potiguar foi uma das mais consistentes do torneio, cedendo apenas 16 gols em 19 partidas. O clube de Natal foi, aliás, o primeiro a confirmar matematicamente o acesso à Série B, ao vencer o Paysandu por 1 a 0 em Natal (Wikipédia).
Os Promovidos à Série B
Além de Mirassol e ABC, completaram o grupo dos promovidos Botafogo-SP e Vitória. Os dois clubes garantiram o acesso na última rodada da segunda fase com vitórias por 2 a 1 (Wikipédia), em uma rodada decisiva que definiu de vez o quarteto que subiria à Série B de 2023.
O Vitória, que encerrou a fase de grupos na sétima colocação com 29 pontos, teve na segunda fase o seu melhor futebol e assegurou o retorno à divisão de prata após empate por 1 a 1 com o Paysandu, em Belém (Wikipédia). Já o Botafogo-SP terminou a fase única em quinto lugar com 32 pontos — a mesma pontuação do quarto colocado Volta Redonda —, com dez vitórias e saldo de gols de +4, e converteu a regularidade classificatória em acesso efetivo.
A Fase de Grupos: Equilíbrio no Topo e Tensão na Parte Inferior
A fase classificatória da Série C de 2022 foi notável pelo aglomerado de equipes em pontuação semelhante. Os três primeiros colocados — Mirassol, Paysandu e Figueirense — terminaram empatados com 33 pontos cada, separados por critérios de desempate. O quarto e o quinto colocados, Volta Redonda e Botafogo-SP, chegaram à fase seguinte com 32 pontos. A diferença entre o primeiro e o décimo colocado foi de apenas cinco pontos, o que ilustra o alto nível de competitividade da etapa inicial.
- Mirassol (1º, 33 pts): Melhor ataque da fase, com 32 gols marcados e saldo de +12. Dez vitórias, três empates e seis derrotas.
- Paysandu (2º, 33 pts): Melhor defesa entre os três primeiros, com apenas 17 gols sofridos e saldo de +14 — o maior da tabela. Nove vitórias, seis empates e quatro derrotas.
- Figueirense (3º, 33 pts): A equipe mais difícil de ser batida na fase de grupos: apenas duas derrotas em 19 jogos, com nove empates, o que conferiu solidez defensiva mas certo conservadorismo ofensivo — 27 gols marcados.
- Volta Redonda (4º, 32 pts): Dez vitórias, mas sete derrotas revelaram uma equipe de resultados alternados, com saldo de +7.
- Botafogo-SP (5º, 32 pts): Perfil parecido com o Volta Redonda, dez vitórias e sete derrotas, com saldo de +4.
Na parte intermediária, Vitória (7º, 29 pts), Aparecidense (8º, 29 pts), Botafogo-PB (9º, 29 pts) e Ypiranga-RS (10º, 28 pts) formaram um bloco disputando as últimas vagas das segunda fase. O São José se destacou negativamente como o time com mais gols sofridos entre os classificados, cedendo 27 em 19 partidas, embora também tenha sido o time com mais gols marcados na parte de baixo da tabela — 33 no total, o maior volume ofensivo absoluto de toda a competição na fase de grupos.
No lado do rebaixamento, a zona de descenso foi definida de forma gradual. O Campinense foi o primeiro clube a confirmar matematicamente o acesso à Série D, após empate por 1 a 1 contra o Floresta, em Fortaleza (Wikipédia). O Ferroviário selou o rebaixamento após derrota por 2 a 1 diante do Volta Redonda (Wikipédia). Brasil de Pelotas e Atlético Cearense desceram na última rodada da primeira fase (Wikipédia). Os quatro rebaixados foram, portanto: Campinense, Ferroviário, Brasil de Pelotas e Atlético Cearense.
Artilharia e Destaques Individuais
O título de artilheiro da Série C de 2022 ficou com Alex Henrique, do Aparecidense, que balançou as redes 12 vezes em 25 partidas disputadas — média superior a um gol a cada dois jogos. O centroavante recebeu apenas um cartão amarelo ao longo de toda a campanha, o que reforça um perfil mais técnico do que combativo. Sua produtividade foi especialmente relevante considerando que o Aparecidense não avançou entre os quatro primeiros da fase de grupos.
Na segunda colocação da artilharia, Marlon, do Paysandu, anotou dez gols em 23 partidas, contribuindo diretamente para o segundo melhor ataque entre os classificados. O meia-atacante Camilo, do Mirassol, com nove gols em 24 jogos, foi peça fundamental no principal ataque da fase de grupos. A atuação de Camilo é ainda mais expressiva por ter sido exercida em um sistema coletivo que privilegiou a distribuição de responsabilidades ofensivas — fator que pode explicar o êxito do time na reta final do torneio.
Rafinha, do Vitória, com oito gols em apenas 18 partidas, apresentou a melhor média entre os cinco principais artilheiros: 0,44 gols por jogo. Lelê, do Volta Redonda, completou o grupo dos cinco mais eficientes com sete tentos em 20 jogos.
Números e Curiosidades
Um dos episódios mais expressivos da temporada foi a goleada do Mirassol sobre o Atlético Cearense por 6 a 0, aplicada no Estádio Maião em 3 de julho (Wikipédia). O resultado evidenciou a superioridade técnica do time paulista sobre o adversário, que viria a ser rebaixado ao final da primeira fase, e ajudou a consolidar o Mirassol como o ataque mais eficiente da competição naquele estágio.
- Três times terminaram a fase de grupos com 33 pontos: Mirassol, Paysandu e Figueirense.
- O Paysandu teve o melhor saldo de gols de toda a fase única: +14.
- O Figueirense foi o time com menor número de derrotas na fase de grupos: apenas duas em 19 jogos.
- O São José marcou 33 gols na fase de grupos — mais do que qualquer outro clube —, mas também sofreu 27, evidenciando um perfil ofensivo mas vulnerável defensivamente.
- O Ferroviário terminou com apenas uma vitória a mais do que derrotas (cinco vitórias e 13 derrotas), o pior saldo de vitórias da competição.
- Rodriguinho (Aparecidense), Genílson (Paysandu) e Wellington Reis (ABC) lideraram o ranking de cartões amarelos com dez cada, em campanhas de 22 jogos.
- Vinicius Moura, do São José, e Vitão, do Ferroviário, foram os únicos jogadores a acumular dois cartões vermelhos na temporada, ambos em 16 partidas disputadas.
- A diferença entre o primeiro e o 12º colocado da fase única foi de apenas sete pontos (de 33 a 26), o que demonstra o nível de equilíbrio da terceira divisão nacional em 2022.
A Série C de 2022 encerrou-se com um campeão inédito, quatro clubes promovidos à Série B e o retorno do futebol de Natal, da capital do Espírito Santo e do interior paulista ao cenário da segunda divisão nacional. Mirassol, ABC, Vitória e Botafogo-SP seguiram em frente; Campinense, Ferroviário, Brasil de Pelotas e Atlético Cearense ficaram para trás. A edição ficou marcada pelo equilíbrio raro da tabela, pelo domínio individual de Alex Henrique na artilharia e pelo título histórico do clube de Mirassol, que se consolidou como uma das forças emergentes do futebol brasileiro.






































































