A Eurocopa 2020 — disputada em 2021 em razão da pandemia de COVID-19 — entrou para a história como a edição mais espalhada geograficamente do torneio, realizada em 11 cidades de 11 países diferentes, e encerrou um jejum de 53 anos para a Itália, que levantou seu segundo troféu continental ao superar a Inglaterra em Wembley. Com 142 gols em 51 partidas (Wikipédia), a competição ofereceu produção ofensiva consistente e momentos de alta intensidade do mata-mata até a decisão por pênaltis na noite londrina.
Visão Geral
Adiado por um ano inteiro, o torneio que deveria ter ocorrido no verão europeu de 2020 foi realizado entre 11 de junho e 11 de julho de 2021 (Wikipédia). A decisão de manter o nome "Euro 2020" foi uma opção comercial e de marca. O formato seguiu o modelo de 24 seleções divididas em seis grupos, com os dois melhores de cada chave e os quatro melhores terceiros colocados avançando às oitavas de final. Uma das adaptações diretas à pandemia foi a ampliação dos elencos de 23 para 26 atletas por delegação (Wikipédia), medida que garantiu maior flexibilidade às comissões técnicas diante de eventuais contágios ou lesões.
A descentralização geográfica deu à edição um caráter único: ao contrário de torneios sediados em um ou dois países, as partidas foram distribuídas por estádios de Roma, Munique, Budapeste, Baku, São Petersburgo, Amsterdã, Bucareste, Glasgow, Sevilha, Copenhague e Londres. A final, por tradição e simbolismo, foi disputada no lendário Estádio de Wembley (Wikipédia).
O Campeão e a Final
A Itália chegou à final como a seleção mais dominante da fase de grupos, tendo vencido todos os três jogos do Grupo A sem sofrer um único gol — aproveitamento perfeito de 100%, com saldo de gols de +7. A consistência defensiva mantida ao longo de toda a competição, aliada à qualidade técnica coletiva, credenciou a Azzurra como a candidata mais sólida ao título (Wikipédia).
A Inglaterra, por sua vez, terminou o Grupo D na liderança com sete pontos, também sem sofrer gols na fase inicial, e protagonizou uma campanha de mata-mata que a levou até a decisão — a primeira final de Eurocopa da história inglesa. A partida final, realizada em 11 de julho no Estádio de Wembley, terminou com a conquista italiana, que levantou o segundo troféu europeu de sua história (Wikipédia). O triunfo consolidou a Itália como campeã e deixou a Inglaterra como vice, encerrando um torneio que, desde a fase de grupos, apontava para um confronto entre as duas defesas mais sólidas da competição.
O prêmio de melhor jogador do torneio foi entregue a Gianluigi Donnarumma, goleiro da Itália, que também levou o troféu de melhor guarda-redes (Wikipédia). A dupla conquista individual reflete a centralidade da defesa no projeto italiano: Donnarumma foi peça decisiva tanto na fase de grupos quanto nas disputas de pênaltis do mata-mata.
Destaques e Seleções de Maior Campanha
Além de Itália e Inglaterra, outras seleções deixaram marca na competição:
- Bélgica: Dominou o Grupo B com nove pontos, saldo de +6 e apenas um gol sofrido. E. Hazard foi o líder em assistências entre todos os jogadores com apenas quatro partidas disputadas — oito passes para gol em quatro jogos representam uma eficiência de criação raramente vista em torneios de seleções.
- Países Baixos: Melhor ataque da fase de grupos com oito gols em três jogos e saldo de +6, terminando o Grupo C com aproveitamento perfeito de 100%.
- França: Liderou o Grupo F com cinco pontos apesar de apenas uma vitória em três jogos, aproveitando o regulamento do torneio com dois empates e a qualidade de elenco para seguir adiante. A. Griezmann terminou como segundo maior garçom do torneio, com sete assistências em dez jogos.
- Espanha: Encerrou a fase de grupos em segundo lugar no Grupo E, mas com o melhor saldo ofensivo entre as não-líderes: seis gols marcados e apenas um sofrido. A goleada sobre a Eslováquia por 5 a 0 em 23 de junho de 2021 foi o maior placar da competição (Wikipédia).
- Dinamarca: Avançou do Grupo B mesmo com duas derrotas iniciais, demonstrando resiliência e capacidade de reação — um dos momentos mais comentados do torneio segundo os registros históricos.
A revelação do torneio foi o espanhol Pedri (Wikipédia), que mesmo muito jovem demonstrou qualidade técnica e inteligência de jogo fora do comum para uma competição de alto nível.
A Fase de Grupos
Os seis grupos apresentaram dinâmicas bastante distintas. O Grupo A e o Grupo C foram os mais desequilibrados, com líderes — Itália e Países Baixos, respectivamente — que venceram todas as três partidas com folga. Já o Grupo F foi o mais disputado e imprevisível: France (5 pts), Germany (4 pts) e Portugal (4 pts) terminaram separados por apenas um ponto, com os três times com saldo positivo ou nulo. Qualquer resultado diferente nos jogos decisivos teria mudado completamente o quadro de classificados.
Um resumo por grupo:
- Grupo A: Itália (9 pts, 7 GPs, 0 GCs), Gales (4 pts), Suíça (4 pts), Turquia (0 pts). A Turquia terminou sem pontuar, sofrendo oito gols em três partidas — pior campanha da fase inicial.
- Grupo B: Bélgica (9 pts), Dinamarca (3 pts), Finlândia (3 pts) e Rússia (3 pts) ficaram separados por saldo e aproveitamento — os três times restantes empataram em pontos, evidenciando o equilíbrio após a liderança belga.
- Grupo C: Países Baixos (9 pts, 8 GPs), Áustria (6 pts), Ucrânia (3 pts), Macedônia do Norte (0 pts). O grupo teve desempenho elétrico: 18 gols marcados no total em nove jogos.
- Grupo D: Inglaterra (7 pts, sem gols sofridos), Croácia (4 pts), República Tcheca (4 pts), Escócia (1 pt). O time inglês foi o mais sólido defensivamente da chave.
- Grupo E: Suécia (7 pts) surpreendeu e ficou à frente da Espanha (5 pts). Eslováquia (3 pts) e Polônia (1 pt) completaram o grupo, com a Eslováquia sofrendo sete gols no total.
- Grupo F: O grupo da "morte" com France (5 pts), Germany (4 pts) e Portugal (4 pts) na zona de classificação, e Hungria (2 pts) ficando de fora apesar de dois empates — incluindo um resultado que sustentou sua campanha até a última rodada.
Artilharia e Destaques Individuais
Os dados de artilharia registrados na competição incluem as qualificatórias e a fase final. Nesse contexto ampliado, H. Kane, da Inglaterra, foi o jogador com mais gols registrados no ciclo, com 12 tentos em oito jogos e ainda cinco assistências — números que o colocam como o atleta mais produtivo da seleção inglesa no período. E. Zahavi, de Israel, marcou 11 gols em 11 jogos com uma assistência, enquanto A. Mitrović, da Sérvia, anotou dez vezes em dez partidas. A. Dzyuba, da Rússia, foi o mais participativo em volume total: dez gols e seis assistências em 13 jogos. T. Pukki, da Finlândia, fechou o top-5 com dez gols em dez partidas — contribuição decisiva para que a Finlândia chegasse à fase final pela primeira vez na história.
No torneio propriamente dito (fase final), o artilheiro foi compartilhado entre Cristiano Ronaldo, de Portugal, e Patrik Schick, da República Tcheca, com cinco gols cada (Wikipédia). O número reflete uma distribuição ofensiva mais equilibrada entre os participantes da fase final, sem um centroavante isolado dominando as estatísticas.
No ranking de assistências do ciclo, destaca-se E. Hazard, da Bélgica, como o líder absoluto: oito passes para gol em apenas quatro partidas. A. Griezmann, da França, foi o segundo com sete assistências em dez jogos, combinadas com três gols — números que o colocam como o jogador mais influente do combinado francês no período. R. Sterling, da Inglaterra, registrou oito gols e seis assistências em sete jogos — performance que sustentou o avanço inglês até a final.
Números e Curiosidades
- A edição de 2020 foi a primeira da história da Eurocopa realizada fora da data original, adiada em um ano inteiro em razão da pandemia de COVID-19 (Wikipédia).
- Foi também a primeira edição disputada em 11 países simultaneamente, rompendo com o modelo tradicional de sede única ou dupla (Wikipédia).
- A competição produziu 142 gols em 51 jogos, média de aproximadamente 2,78 por partida — índice elevado para um torneio de seleções em alto nível (Wikipédia).
- Itália e Inglaterra terminaram a fase de grupos sem sofrer qualquer gol — ambas com defesas invioladas nas primeiras três rodadas (Wikipédia).
- Os Países Baixos foram o melhor ataque da fase de grupos, com oito gols marcados em três partidas (Wikipédia).
- A Espanha aplicou a maior goleada do torneio ao bater a Eslováquia por 5 a 0 em 23 de junho de 2021 (Wikipédia).
- Os elencos foram ampliados de 23 para 26 jogadores, medida adotada em caráter excepcional devido ao contexto sanitário (Wikipédia).
- Chus Rubio, de Andorra, liderou o ranking de cartões amarelos no ciclo classificatório com seis advertências em sete jogos — dado que ilustra a intensidade defensiva das seleções menores nas eliminatórias.
- A Turquia terminou o Grupo A com zero pontos e saldo de -7, a pior campanha de qualquer seleção na fase de grupos da edição.
- A Macedônia do Norte encerrou o Grupo C também com zero pontos, sofrendo oito gols em três jogos — mesmo volume negativo da Turquia.
A Eurocopa 2020 ficará na memória como uma edição marcada pela adversidade histórica do contexto sanitário, pela ousadia logística de espalhar o torneio por todo o continente e, esportivamente, pela supremacia defensiva e coletiva da Itália, que reencontrou o caminho para o topo do futebol europeu 53 anos depois de seu primeiro título continental.
















































































































