Em sua quinta edição como país-sede (Wikipédia), o Brasil encerrou a Copa América 2019 da melhor maneira possível: levantando o troféu diante de sua própria torcida. Realizado entre 14 de junho e 7 de julho de 2019 (Wikipédia), o torneio reuniu doze seleções divididas em três grupos, com a participação inédita de Japão e Qatar como convidados — a primeira edição desde 1995 sem o México (Wikipédia). Ao longo de 26 partidas e 60 gols marcados (Wikipédia), a competição entregou domínio técnico do anfitrião, a ascensão surpreendente do Peru e episódios que transcenderam o campo.
O Campeão e a Final
O Brasil conquistou seu nono título na história da Copa América (Wikipédia), coroando uma campanha praticamente impecável ao longo do torneio. A decisão foi disputada no Estádio do Maracanã, palco escolhido para a final contra o Peru (Wikipédia) — adversário que voltou a uma decisão pela primeira vez desde 1975, em seu melhor desempenho em décadas (Wikipédia). Os dados da fase de grupos já sinalizavam o desequilíbrio entre os dois finalistas: o Brasil foi a única equipe a encerrar a fase inicial sem sofrer um único gol, acumulando 8 tentos marcados em três partidas. O Peru, por sua vez, avançou como terceiro colocado do Grupo A com quatro pontos, superando o critério de melhor terceiro.
A campanha da seleção brasileira foi marcada pela consistência defensiva e pelo poder ofensivo coletivo. Um dos marcos mais expressivos da edição foi a goleada por 5 a 0 sobre o Peru, em 22 de junho (Wikipédia) — a maior de toda a competição —, resultado que acabou ganhando contornos simbólicos quando as mesmas equipes se reencontraram na final. O título foi celebrado com intensidade por uma nação que aguardava pelo troféu desde 2007.
A Fase de Grupos
A primeira fase revelou grupos com dinâmicas bastante distintas. O Grupo A foi o mais desequilibrado, com o Brasil dominando de ponta a ponta:
- Brasil: 7 pontos, 2 vitórias, 1 empate, 8 gols pró, 0 sofridos (saldo +8)
- Venezuela: 5 pontos, 1 vitória, 2 empates, 3 gols pró, 1 sofrido (saldo +2)
- Peru: 4 pontos, 1 vitória, 1 empate, 1 derrota, 3 gols pró, 6 sofridos (saldo -3)
- Bolívia: 0 pontos, 3 derrotas, 2 gols pró, 9 sofridos (saldo -7)
A Venezuela surpreendeu ao terminar invicta e garantir a segunda vaga com solidez defensiva — apenas 1 gol sofrido. A Bolívia encerrou a fase de grupos sem pontuar e com o pior saldo de toda a competição.
O Grupo B foi palco de um dos desempenhos individuais mais destacados entre as seleções: a Colômbia venceu todas as três partidas, somou 9 pontos e não sofreu gols, apresentando o melhor aproveitamento da fase inicial. A Argentina, por sua vez, oscilou — uma vitória, um empate e uma derrota — e avançou em segundo lugar com 4 pontos.
- Colômbia: 9 pontos, 3 vitórias, 4 gols pró, 0 sofridos (saldo +4)
- Argentina: 4 pontos, 1 vitória, 1 empate, 1 derrota, 3 gols pró, 3 sofridos (saldo 0)
- Paraguai: 2 pontos, 2 empates, 1 derrota, 3 gols pró, 4 sofridos (saldo -1)
- Qatar: 1 ponto, 1 empate, 2 derrotas, 2 gols pró, 5 sofridos (saldo -3)
O Grupo C reservou a mais acirrada disputa pelas primeiras posições, com Uruguai e Chile separados por apenas um ponto:
- Uruguai: 7 pontos, 2 vitórias, 1 empate, 7 gols pró, 2 sofridos (saldo +5)
- Chile: 6 pontos, 2 vitórias, 1 derrota, 6 gols pró, 2 sofridos (saldo +4)
- Japão: 2 pontos, 2 empates, 1 derrota, 3 gols pró, 7 sofridos (saldo -4)
- Equador: 1 ponto, 1 empate, 2 derrotas, 2 gols pró, 7 sofridos (saldo -5)
Japão e Qatar, as seleções convidadas, encerraram suas campanhas sem vencer, mas cumpriram papel relevante ao ampliar a diversidade geográfica do torneio — o Japão ainda somou dois empates, superando o Qatar em pontuação.
Destaques e Seleções de Maior Campanha
O Brasil foi, sem dúvida, a seleção de maior destaque em toda a competição. Além do título, a equipe comandada pelo técnico Tite apresentou o melhor ataque e a melhor defesa da fase de grupos: 8 gols marcados e nenhum sofrido nos três jogos iniciais. Ao longo de seis partidas disputadas por seus jogadores mais participativos, a seleção canarinho acumulou protagonismo tanto nos gols quanto nas assistências.
O Peru foi a grande revelação do torneio no mata-mata. Depois de avançar como um dos melhores terceiros colocados, a equipe encadeou resultados expressivos até chegar à final — o melhor desempenho peruano em quase meio século (Wikipédia). A trajetória peruana foi marcada pela liderança de Paolo Guerrero e pela solidariedade coletiva, o que torna ainda mais contrastante o desfecho diante do Brasil no Maracanã.
A Colômbia foi a seleção mais regular na fase de grupos, com campanha de 100% de aproveitamento e defesa intransponível. Já a Argentina e o Chile, tradicionais protagonistas do torneio, avançaram ao mata-mata, mas não chegaram ao pódio.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia da Copa América 2019 terminou empatada: Everton, do Brasil, e Paolo Guerrero, do Peru, dividiram o posto de maiores goleadores com 3 gols cada (Wikipédia). A semelhança entre os dois termina nos números — Everton encerrou o torneio sem nenhum cartão amarelo em seis partidas, enquanto Guerrero recebeu um amarelo ao longo da campanha.
Roberto Firmino, também do Brasil, foi o jogador mais participativo do torneio em termos combinados: 2 gols e 3 assistências em 6 jogos, liderando sozinho o ranking de passes para gol. Seu papel como articulador do ataque brasileiro ficou evidenciado pelos números — nenhum outro jogador com maior participação em gols chegou perto de sua produção assistida.
Outros destaques entre os artilheiros:
- Roberto Firmino (Brasil): 2 gols, 3 assistências, 6 jogos
- S. Agüero (Argentina): 2 gols, 1 assistência, 6 jogos
- É. Flores (Peru): 2 gols, 6 jogos
No ranking de assistências, C. Aránguiz, do Chile, igualou Firmino com 3 passes para gol em 6 jogos, mas sem balançar as redes. Gabriel Jesus (Brasil), J. Rodríguez (Colômbia) e M. Almirón (Paraguai) completaram o grupo dos mais participativos na criação.
No campo individual, os prêmios oficiais coroaram a hegemonia brasileira: Daniel Alves foi eleito o melhor jogador do torneio, e Alisson levou o prêmio de melhor goleiro (Wikipédia) — reconhecimento justo para a defesa que não foi vazada em toda a fase de grupos.
Números, Disciplina e Curiosidades
A Copa América 2019 registrou 60 gols em 26 partidas (Wikipédia), uma média de aproximadamente 2,3 gols por jogo — índice que reflete um torneio com boa produção ofensiva, puxada especialmente pelo Brasil (8 gols na fase de grupos) e pelo Uruguai (7 gols).
No campo disciplinar, o torneio produziu momentos marcantes. Lionel Messi recebeu cartão vermelho ao longo da competição — um dado que se somou a um torneio frustrante para a Argentina, que não passou das semifinais. G. Medel, do Chile, também foi expulso. Entre os mais advertidos, N. Tagliafico (Argentina), A. Vidal (Chile) e C. Zambrano (Peru) lideraram o ranking de cartões amarelos com três cada.
F. Balbuena, do Paraguai, foi expulso em apenas dois jogos disputados — o maior índice de indisciplina proporcional do torneio. O Equador teve dois jogadores expulsos ao longo da competição.
Fora de campo, a edição 2019 foi marcada por situações que extrapolaram o esportivo. Críticas às condições dos gramados foram registradas por nomes como Messi, Tabárez, Suárez e o próprio técnico Tite (Wikipédia). Problemas de segurança em Salvador, com relatos de assaltos a turistas, geraram atenção negativa (Wikipédia). E uma cena inusitada marcou a final no Maracanã: um invasor fantasiado de galo entrou no gramado durante a partida (Wikipédia).
A participação de Japão e Qatar como seleções convidadas trouxe uma dimensão global incomum ao torneio sul-americano — e sinalizou uma Copa América cada vez mais aberta a intercâmbios com outras confederações. Apesar dos resultados modestos das equipes convidadas, sua presença enriqueceu o calendário e a experiência competitiva para ambas as federações.
No balanço final, a Copa América 2019 foi uma edição que reafirmou o domínio brasileiro em casa, revelou o Peru como força do continente, e deixou a Argentina e o Chile abaixo das expectativas. O nono título do Brasil (Wikipédia) chegou com solidez defensiva, criatividade ofensiva e o talento coletivo de uma seleção que, durante um mês de julho, fez o Maracanã vibrar novamente com um troféu continental.




























































