A Ligue 1 2017-18 foi marcada pela hegemonia absoluta do Paris Saint-Germain, que encerrou a temporada com 93 pontos e conquistou o sétimo título da história do clube (Wikipédia), devolvendo ao futebol francês a sensação de um campeonato resolvido com ampla margem. Com 108 gols marcados e apenas 29 sofridos — simultaneamente o melhor ataque e a melhor defesa da competição —, o PSG não apenas liderou a tabela como estabeleceu padrões raramente vistos em ligas de alto nível. Ao longo de 38 rodadas disputadas por 20 equipes, o campeonato produziu 1.033 gols em 380 partidas, resultando em uma média de 2,72 gols por jogo e entregando ao público uma edição tecnicamente rica e individualmente exuberante.
Visão Geral da Temporada
A temporada se iniciou em 4 de agosto de 2017 (Wikipédia) com o Monaco como detentor do título da edição anterior, pressionado a defender a coroa diante de um PSG que havia se reforçado consideravelmente. O campeonato revelou logo de início uma divisão clara entre o bloco de elite — composto por PSG, Monaco, Lyon e Marseille — e o restante da tabela. A partir do quinto colocado, o Rennes com 58 pontos, o abismo em relação ao G4 se tornava evidente: 19 pontos separavam o quinto do quarto colocado, ilustrando a concentração de poder no topo da Ligue 1. No extremo oposto, a luta contra o rebaixamento foi marcada por angústia e uma perigosa proximidade de pontuações entre as equipes da parte inferior da tabela.
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Paris Saint-Germain cumpriu a temporada de forma dominante, registrando 29 vitórias, 6 empates e apenas 3 derrotas em 38 jogos disputados. Seu aproveitamento de 81,6% é um dos mais elevados já registrados na Ligue 1. A diferença de saldo de gols — surpreendentes +79 — resume visualmente a superioridade do clube parisiense sobre os adversários. A combinação entre melhor ataque (108 gols, média de 2,84 por partida) e melhor defesa (29 gols sofridos, menos de um por jogo) não deixou margem para qualquer questionamento sobre a justiça do resultado final.
A goleada por 8 a 0 sobre o Dijon, aplicada em 17 de janeiro de 2018 no Parc des Princes (Wikipédia), tornou-se o símbolo do poderio ofensivo do time naquela temporada. Com 13 pontos de vantagem sobre o vice-campeão Monaco ao final da competição, o PSG foi campeão com folga e coroou sua hegemonia com os prêmios individuais mais importantes: Neymar eleito melhor jogador da liga e Unai Emery premiado como melhor técnico da temporada (Wikipédia).
A Briga pelo G4 e a Classificação Continental
Atrás do campeão, três equipes travaram uma batalha competitiva por posicionamento. O Monaco terminou na segunda colocação com 80 pontos, 24 vitórias e saldo de gols de +40 — números que, em qualquer outro contexto, poderiam indicar um candidato sólido ao título. O Lyon ficou em terceiro com 78 pontos, apenas dois atrás do Monaco, com saldo positivo de +44 e 87 gols marcados, o segundo melhor ataque da competição. O Marseille fechou o G4 com 77 pontos, sendo a equipe com mais empates entre as quatro primeiras (11), o que em parte explica o ponto a menos em relação ao Lyon apesar de ter sofrido apenas 5 derrotas — a menor marca entre os quatro primeiros.
A diferença de apenas 3 pontos entre o segundo e o quarto colocados evidenciou que, para além do PSG, o restante do grupo de elite disputou um campeonato paralelo extremamente equilibrado. Monaco, Lyon e Marseille terminaram separados por uma margem mínima, tornando as últimas rodadas decisivas para a definição das vagas em competições europeias.
- 1º - Paris Saint-Germain: 93 pts | 29V 6E 3D | GP 108 | GC 29 | SG +79
- 2º - Monaco: 80 pts | 24V 8E 6D | GP 85 | GC 45 | SG +40
- 3º - Lyon: 78 pts | 23V 9E 6D | GP 87 | GC 43 | SG +44
- 4º - Marseille: 77 pts | 22V 11E 5D | GP 80 | GC 47 | SG +33
- 5º - Rennes: 58 pts | 16V 10E 12D | GP 50 | GC 44 | SG +6
A Zona de Rebaixamento
No extremo inferior da tabela, a temporada expôs as limitações de quatro equipes que não conseguiram acumular pontuação suficiente para permanecer na elite. Metz e Estac Troyes foram confirmados no rebaixamento à Ligue 2 (Wikipédia), enquanto Toulouse e Lille viveram momentos de tensão até o fim da competição.
O Metz foi o time com a pior campanha da edição: apenas 26 pontos, 6 vitórias, 8 empates e 24 derrotas, com saldo de gols de -42 — o pior da competição. O Estac Troyes terminou em 19º com 33 pontos, 9 vitórias e 23 derrotas. O Toulouse escapou do rebaixamento direto com 37 pontos, numa margem de apenas 1 ponto sobre o Estac Troyes. O Lille, que somou 38 pontos — os mesmos do Caen e do Strasbourg — sobreviveu pelo saldo de gols, encerrando com -26 e ocupando exatamente a 17ª posição, o limite da permanência.
- 17º - Lille: 38 pts | 10V 8E 20D | GP 41 | GC 67 | SG -26 (permaneceu)
- 18º - Toulouse: 37 pts | 9V 10E 19D | GP 38 | GC 54 | SG -16 (rebaixado)
- 19º - Estac Troyes: 33 pts | 9V 6E 23D | GP 32 | GC 59 | SG -27 (rebaixado)
- 20º - Metz: 26 pts | 6V 8E 24D | GP 34 | GC 76 | SG -42 (rebaixado)
Vale notar que Strasbourg e Amiens, dois dos três clubes promovidos da Ligue 2 para disputar esta edição (Wikipédia), conseguiram se manter na primeira divisão ao final da temporada, terminando na 15ª e 13ª posição, respectivamente — desempenho digno para equipes recém-chegadas à elite.
Artilharia e Destaques Individuais — Gols
A artilharia da temporada ficou com Edinson Cavani (Wikipédia), que marcou 28 gols em 32 partidas pelo Paris Saint-Germain, adicionando ainda 6 assistências. Sua média de quase um gol por jogo disputado o coloca em posição de destaque absoluto. O uruguaio terminou 6 gols à frente do segundo colocado, Florian Thauvin, do Marseille, que foi um dos jogadores mais completos da competição ao combinar 22 gols e 11 assistências em 35 jogos — números que o colocam simultaneamente entre os cinco melhores artilheiros e entre os cinco melhores garçons da temporada.
Em terceiro lugar no ranking de artilheiros, Memphis Depay, do Lyon, anotou 19 gols e 13 assistências em 36 partidas — a maior quantidade de jogos entre os cinco primeiros da lista. Neymar, também com 19 gols e 13 assistências, realizou essa produção em apenas 20 partidas, a menor marca entre os cinco listados, o que representa um rendimento notavelmente elevado por jogo disputado. Fechando o top 5 de artilheiros, M. Díaz, também do Lyon, contribuiu com 18 gols em 34 jogos, ajudando a explicar o potencial ofensivo do clube que terminou em terceiro lugar.
- 1º E. Cavani (PSG): 28 gols | 6 assistências | 32 jogos
- 2º F. Thauvin (Marseille): 22 gols | 11 assistências | 35 jogos
- 3º M. Depay (Lyon): 19 gols | 13 assistências | 36 jogos
- 4º Neymar (PSG): 19 gols | 13 assistências | 20 jogos
- 5º M. Díaz (Lyon): 18 gols | 4 assistências | 34 jogos
Destaques Individuais — Assistências
O ranking de assistências da temporada foi liderado por três jogadores empatados com 13 passes para gol: Memphis Depay (Lyon), Neymar (PSG) e Dimitri Payet (Marseille). Depay e Neymar já aparecem entre os artilheiros, tornando-se os jogadores mais completos ofensivamente da edição. Payet, com 6 gols e 13 assistências em 31 jogos pelo Marseille, desempenhou papel central na criação de jogo do clube marselhês. Thauvin completou o top 4 com 11 assistências, e M. Dossevi, do Metz, encerrou o ranking dos cinco melhores garçons com 11 assistências — notável contribuição individual em uma equipe que, coletivamente, terminou na lanterna.
Destaques Individuais — Cartões
No campo disciplinar, F. Guilbert, do Caen, liderou o ranking de cartões amarelos com 12 advertências em 36 jogos, seguido por B. André, do Rennes, com 11 amarelos em 34 partidas. Mario Balotelli, do Nice, teve a temporada mais turbulenta entre os destaques dessa lista: 11 cartões amarelos e 1 vermelho em 28 jogos, combinados com 18 gols marcados — tornando-o simultaneamente um dos artilheiros não listados no top 5 e um dos jogadores mais advertidos da competição. Pedro Mendes, do Montpellier, e Dante, do Nice, completaram o top 5 em amarelos, com 11 e 10 cartões, respectivamente.
Nos cartões vermelhos, F. Diagne, do Metz, e C. Yamberé, do Dijon, lideraram com 2 expulsões cada ao longo da temporada, sendo que Diagne acumulou ainda 8 amarelos em 29 jogos.
Os Números e Curiosidades da Temporada
A Ligue 1 2017-18 encerrou com 1.033 gols em 380 partidas, média de 2,72 por jogo — indicador de uma temporada ofensivamente produtiva. O PSG respondeu por 108 desses gols, o que representa cerca de 10,5% de toda a produção ofensiva do campeonato concentrada em apenas uma das 20 equipes. A defesa parisiense, com somente 29 gols sofridos, foi igualmente dominante: para efeito de comparação, o segundo time com melhor defesa, o Lyon, sofreu 43 gols — 14 a mais.
O Montpellier se destacou como o time com mais empates da competição: 18 ao longo da temporada, terminando em 10º lugar com 51 pontos e saldo positivo de +3, fruto de um futebol consistente, mas pouco decisivo. O Dijon, por sua vez, apresentou um dos paradoxos mais curiosos da tabela: 55 gols marcados — o quinto melhor ataque —, mas 73 sofridos, resultando em um saldo de -18 e posição de 11º lugar com 48 pontos.
A edição também premiou Kylian Mbappé como revelação da temporada (Wikipédia), reconhecimento que antecipava o impacto que o jovem jogador exerceria nos anos seguintes no futebol europeu. O prêmio de melhor técnico foi para Unai Emery (Wikipédia), comandante do PSG campeão, enquanto Neymar, mesmo com apenas 20 partidas disputadas, foi eleito o melhor jogador da competição (Wikipédia) — reflexo da produção de 19 gols e 13 assistências concentradas em pouco mais da metade do calendário.
Em síntese, a Ligue 1 2017-18 foi uma temporada de dupla narrativa: a dominância absoluta do PSG no topo e a disputa acirrada entre Monaco, Lyon e Marseille pelo restante das vagas europeias, enquanto a parte de baixo da tabela revelou equipes que, por deficiências defensivas ou incapacidade de conversão ofensiva, não sustentaram o nível mínimo exigido pela primeira divisão do futebol francês.
































































