A Ligue 1 de 2022 encerrou uma era antes de inaugurar outra: em sua última edição disputada com 20 clubes, o Paris Saint-Germain sagrou-se campeão pela décima primeira vez na história, quebrando o próprio recorde de títulos no campeonato francês (Wikipédia). A temporada foi marcada por uma disputa de pontos incomumente acirrada no topo, quatro rebaixamentos em vez dos habituais três e uma pausa forçada pela Copa do Mundo FIFA, que interrompeu a liga entre 13 de novembro e 27 de dezembro (Wikipédia). Ao longo de 380 partidas, foram contabilizados 1.067 gols, a uma média de 2,81 por jogo — números que revelam um campeonato de alto volume ofensivo e que, da liderança ao último colocado, raramente deixou espaço para o tédio.
Visão geral da temporada
Com 20 equipes participantes, a edição apresentou formato convencional de pontos corridos, sem play-offs de final de temporada (Wikipédia). A interrupção para o Mundial do Catar, de quase seis semanas, conferiu à competição uma dinâmica atípica: clubes que chegaram à pausa em má fase tiveram tempo para reorganização, enquanto outros viram o ritmo ser quebrado em momentos de crescimento. No plano coletivo, o campeonato produziu um bloco superior muito bem definido — os quatro primeiros somaram entre 68 e 85 pontos — e uma zona inferior extremamente vulnerável, com o último colocado encerrando a temporada com apenas 18 pontos.
A goleada de 7 a 0 aplicada pelo Montpellier sobre o Brest em 28 de agosto de 2022 foi o resultado mais expressivo registrado nos fatos da temporada (Wikipédia), sinalizando desde cedo que a liga abrigava tanto candidatos ao título quanto equipes com fragilidades estruturais severas.
O campeão e como conquistou o título
O Paris Saint-Germain encerrou a temporada na liderança com 85 pontos, fruto de 27 vitórias, 4 empates e 7 derrotas em 38 rodadas. O aproveitamento de 74,6% consolidou o clube parisiense como o mais consistente da divisão, ainda que a diferença para o vice-campeão Lens tenha sido de apenas um ponto — margem que torna o título mais dramático do que os números absolutos sugerem à primeira vista.
No setor ofensivo, o PSG foi disparado o mais produtivo: 89 gols marcados, melhor ataque da competição, com saldo de gols de +49. Em defesa, sofreu 40 tentos — número idêntico ao do Marseille, terceiro colocado, o que revela que o título parisiense foi construído sobretudo na eficiência criativa, não necessariamente na solidez defensiva. O clube foi também palco de três dos jogadores mais influentes da temporada: Kylian Mbappé, Lionel Messi e Neymar operaram simultaneamente na mesma frente de ataque, contribuindo de formas distintas para a conquista do décimo primeiro troféu nacional (Wikipédia).
A briga pelo G4 e a classificação continental
A disputa pelos quatro primeiros lugares, com acesso direto ou por via de playoff à Europa, foi uma das mais equilibradas da história recente do campeonato. O Lens terminou vice-campeão com 84 pontos — apenas um a menos que o PSG —, aproveitamento de 73,7%, com apenas 4 derrotas em 38 jogos e a melhor defesa de toda a Ligue 1: somente 29 gols sofridos. O clube do norte da França construiu seu desempenho sobre uma base defensiva sólida e consistência ao longo do calendário.
O Marseille ocupou o terceiro posto com 73 pontos (22 vitórias, 7 empates e 9 derrotas), enquanto o Rennes ficou na quarta colocação com 68 pontos. A diferença de 5 pontos entre o terceiro e o quarto colocados, e de 11 pontos entre o quarto e o quinto (Lille, com 67), evidencia uma divisão clara entre os classificados para a Europa e o restante do pelotão.
- 1º Paris Saint-Germain — 85 pts | 27V 4E 7D | 89 GP / 40 GC | SG +49
- 2º Lens — 84 pts | 25V 9E 4D | 68 GP / 29 GC | SG +39
- 3º Marseille — 73 pts | 22V 7E 9D | 67 GP / 40 GC | SG +27
- 4º Rennes — 68 pts | 21V 5E 12D | 69 GP / 39 GC | SG +30
Lille (5º, 67 pts) e Monaco (6º, 65 pts) ficaram a poucos pontos do G4, enquanto Lyon (7º, 62 pts) encerrou a temporada em posição intermediária. A compressão entre o 2º e o 7º colocado — apenas 22 pontos separando Lens de Lyon — ilustra o equilíbrio do bloco superior, desconsiderado o próprio PSG.
A zona de rebaixamento
A edição de 2022 foi a última com 20 times e também a que relegou quatro clubes à Ligue 2, em preparação para o novo formato com 18 equipes (Wikipédia). Isso ampliou a zona de perigo e tornou a segunda metade da tabela particularmente tensa.
O Angers foi o grande naufrágio da temporada: apenas 18 pontos em 38 rodadas, com 4 vitórias, 6 empates e 28 derrotas, e saldo de gols de -48. Os 81 gols sofridos — empatados com o Troyes como o pior número da competição — revelam uma campanha sem qualquer fundamento defensivo. O Estac Troyes acumulou igualmente 81 gols sofridos, somou 24 pontos e teve apenas 4 vitórias. O Ajaccio, com 26 pontos, sofreu 74 gols e marcou apenas 23, o pior ataque da divisão, registrando saldo de -51, o mais negativo de toda a tabela.
O Auxerre, quarto rebaixado com 35 pontos, teve destino diferente dos três acima: terminou a apenas um ponto do Nantes (16º, 36 pts), o que indica que a queda do clube borgonhês foi definida por margem mínima — uma vitória a mais ao longo da temporada poderia ter alterado o desfecho.
- 17º Auxerre — 35 pts | 8V 11E 19D | SG -28 (rebaixado)
- 18º Ajaccio — 26 pts | 7V 5E 26D | SG -51 (rebaixado)
- 19º Estac Troyes — 24 pts | 4V 12E 22D | SG -36 (rebaixado)
- 20º Angers — 18 pts | 4V 6E 28D | SG -48 (rebaixado)
Artilharia e destaques individuais — Gols
Kylian Mbappé conquistou o título de artilheiro da Ligue 1 2022 com 29 gols em 34 partidas, média de 0,85 gol por jogo, acrescentando ainda 5 assistências ao seu desempenho. O atacante do PSG terminou dois gols à frente do segundo colocado, Alexandre Lacazette, do Lyon, que somou 27 gols e 5 assistências em 35 jogos. A disputa entre os dois foi a mais relevante da temporada no quesito artilharia.
Jonathan David (Lille) completou o pódio com 24 gols e 4 assistências em 37 partidas. Loïs Openda (Lens) e Folarin Balogun (Monaco) empataram na quarta posição, cada um com 21 gols — Openda em 38 jogos e Balogun em 37. A presença de cinco jogadores acima de 21 gols na mesma temporada reforça o caráter ofensivo da edição.
- 1º Kylian Mbappé (PSG) — 29 gols | 5 assist. | 34 jogos
- 2º A. Lacazette (Lyon) — 27 gols | 5 assist. | 35 jogos
- 3º J. David (Lille) — 24 gols | 4 assist. | 37 jogos
- 4º L. Openda (Lens) — 21 gols | 4 assist. | 38 jogos
- 4º F. Balogun (Monaco) — 21 gols | 2 assist. | 37 jogos
Destaques individuais — Assistências
Lionel Messi liderou o ranking de assistências da temporada com 16 passes para gol em 32 partidas pelo PSG — número ao qual se somaram ainda 16 gols marcados, totalizando uma participação direta em 32 tentos. O argentino foi o jogador com maior volume combinado de gols e assistências entre os listados nos dados da competição.
Neymar apareceu na segunda posição com 11 assistências e 13 gols em apenas 20 jogos disputados — projeção expressiva considerando o número reduzido de partidas. Rémi Cabella (Lille) e Benjamin Bourigeaud (Rennes) empataram na terceira colocação com 10 assistências cada, enquanto Florian Sotoca (Lens) completou o top 5 com 9 passes decisivos em 38 jogos — o jogador com mais partidas disputadas entre os cinco primeiros do ranking.
Destaques individuais — Disciplina
No campo disciplinar, Benjamin André, do Lille, foi o jogador mais advertido da temporada: 12 cartões amarelos em 34 partidas, sem nenhuma expulsão direta. Pierre Lees-Melou (Brest), Marco Verratti (PSG) e Abdu Seidu (Rennes) acumularam 10 amarelos cada, com um vermelho acompanhando a contagem dos três últimos.
Entre as expulsões, E. Agbadou (Reims) e T. Savanier (Montpellier) foram os jogadores com mais cartões vermelhos na temporada: três cada. Savanier, no entanto, marcou 12 gols e distribuiu 4 assistências antes de ser expulso por três vezes — perfil de jogador de alto impacto e temperamento instável. Achraf Hakimi (PSG) e Mama Baldé (Troyes) somaram dois vermelhos cada, em campanhas individuais igualmente produtivas no aspecto ofensivo.
Números e curiosidades da temporada
A Ligue 1 2022 encerrou com 1.067 gols em 380 jogos, média de 2,81 tentos por partida — indicador de uma liga que privilegiou o ataque em detrimento do equilíbrio defensivo. O PSG teve o melhor ataque (89 gols) e o Lens a melhor defesa (apenas 29 gols sofridos), combinação que explica por que o título foi decidido por apenas um ponto: enquanto o PSG dominava ofensivamente, o Lens era cirurgicamente sólido atrás.
A edição foi também a última com 20 participantes: a partir da temporada seguinte, a Ligue 1 adotou formato com 18 clubes, o que explica o rebaixamento de quatro equipes simultaneamente (Wikipédia). Esse fato conferiu caráter histórico à temporada, que funcionou como capítulo de encerramento de um formato vigente por décadas no futebol francês. O PSG, ao vencer seu 11º título, passou a ostentar o recorde absoluto de conquistas na competição (Wikipédia) — marco que eleva ainda mais o significado da temporada dentro da história do clube parisiense.
























































