O AC Milan encerrou um jejum de 11 anos e reconquistou o título da Serie A italiana na temporada 2021/22, superando a Inter de Milão por apenas dois pontos em uma disputa que se estendeu até a última rodada. Com 86 pontos somados em 38 rodadas, os rossoneri fizeram a alegria de sua torcida ao levantar o 19º scudetto da história do clube (Wikipédia), consolidando uma campanha sólida, marcada pela melhor defesa do campeonato e por uma consistência notável ao longo das 38 rodadas. A competição, realizada entre 21 de agosto de 2021 e 22 de maio de 2022, reuniu 20 clubes, produziu 1.089 gols em 380 jogos — média de 2,87 tentos por partida — e teve Ciro Immobile como artilheiro com 27 gols (Wikipédia).
O campeão e como conquistou o título
A campanha do AC Milan foi construída sobre alicerces defensivos e uma regularidade ofensiva que poucas equipes conseguiram sustentar durante toda a temporada. Com 26 vitórias, 8 empates e apenas 4 derrotas, os milaneses obtiveram aproveitamento de 75,4% — o melhor entre todos os 20 participantes. A defesa foi o principal trunfo: apenas 31 gols sofridos em 38 partidas, marca que o clube dividiu com o Napoli e que representou o melhor desempenho defensivo da liga (Wikipédia). Ofensivamente, o time balançou as redes 69 vezes, resultando em saldo de gols de +38.
A margem sobre o vice-campeão foi mínima: apenas dois pontos separaram Milan (86) e Inter (84). As duas equipes até compartilharam o mesmo número de derrotas ao longo da temporada — quatro cada —, mas os rossoneri acumularam uma vitória a mais e, sobretudo, souberam administrar melhor os empates para transformar pontos em título. No confronto entre os números, a Inter foi o time mais prolífico da liga, com 84 gols marcados (melhor ataque), mas o Milan foi mais econômico na defesa, fator decisivo para a diferença de dois pontos no encerramento.
A briga pelo G4 e a classificação continental
Atrás do duelo entre as equipes de Milão, o Napoli terminou na terceira posição com 79 pontos — sete a menos que o campeão, mas sete a mais que a Juventus, que fechou o G4 com 70. A equipe napolitana apresentou campanha equilibrada: 24 vitórias, 7 empates e 7 derrotas, com ataque de 74 gols e defesa de 31 — mesma marca do campeão, o que confirma o nível de compactação das três melhores defesas do torneio. A Juventus, por sua vez, teve desempenho mais irregular: 20 vitórias, 10 empates e 8 derrotas, com o quarto menor ataque do grupo superior (57 gols) e saldo de apenas +20.
A disputa pelas vagas continentais além do G4 foi acirrada. Lazio (5º, 64 pontos) e AS Roma (6º, 63 pontos) ficaram próximas, separadas por apenas um ponto. A Fiorentina (7º, 62 pontos) completou um bloco de três equipes em apenas dois pontos, entre 62 e 64 — retrato do nível de equilíbrio na segunda metade da tabela. A Atalanta, tradicional protagonista nas temporadas anteriores, ficou em 8º com 59 pontos, resultado de 16 vitórias, 11 empates e 11 derrotas.
Entre os destaques individuais desta zona intermediária, Domenico Berardi, do Sassuolo (11º, 50 pontos), foi o líder de assistências da competição com 14 passes para gol em 33 partidas, além de ter contribuído com 15 gols — desempenho que o colocou como um dos mais completos da liga nesta função criativa. O Sassuolo, apesar do talento individual de Berardi, encerrou o torneio com saldo negativo de gols (-2), demonstrando fragilidade defensiva que limitou sua ascensão na tabela.
A zona de rebaixamento
Quatro clubes desceram à Serie B ao término da temporada: Salernitana (17º), Cagliari (18º), Genoa (19º) e Venezia (20º). Os dados revelam o tamanho das dificuldades enfrentadas por cada um deles ao longo das 38 rodadas.
- Salernitana (17º, 31 pontos): Pior saldo de gols entre todos os rebaixados — e da liga inteira —, com -45 (33 marcados e 78 sofridos). As 78 bolas nas próprias redes representaram a maior porosidade defensiva de todo o campeonato, resultado de 21 derrotas em 38 partidas.
- Cagliari (18º, 30 pontos): Seis vitórias, 12 empates e 20 derrotas. Com 34 gols marcados e 68 sofridos, o clube sardo registrou saldo de -34 e não conseguiu reunir pontuação suficiente para escapar do descenso por apenas um ponto em relação ao Genoa.
- Genoa (19º, 28 pontos): Apenas quatro vitórias em 38 jogos — o menor número entre todos os times da liga. Com 16 empates, o clube genovês acumulou muitos pontos perdidos em situações que deveriam render mais. Saldo de -33 (27 gols marcados, 60 sofridos).
- Venezia (20º, 27 pontos): Lanterna da competição, com 23 derrotas — mais que qualquer outro time — e apenas 6 vitórias. Os 34 gols marcados são idênticos ao Cagliari, mas o saldo de -35 reflete a vulnerabilidade defensiva (69 gols sofridos). E. Ampadu, meio-campista da equipe, acumulou 12 cartões amarelos e 1 vermelho em 29 partidas, simbolizando a combatividade de uma equipe que não encontrou meios técnicos para se manter na elite.
A diferença entre o 17º colocado (Salernitana, 31 pontos) e o 16º (Spezia, 36 pontos) foi de cinco pontos — margem confortável para quem escapou, mas suficientemente estreita para evidenciar que a zona de rebaixamento permaneceu em disputa por grande parte da temporada.
Artilharia e destaques individuais
Ciro Immobile foi o nome dominante na artilharia. O centroavante da Lazio converteu 27 gols em 31 partidas — aproveitamento de 0,87 gol por jogo —, uma eficiência notável que distanciou o atacante dos perseguidores na tabela de artilheiros. Lautaro Martínez, da Inter, foi o segundo colocado com 21 gols em 35 jogos, seguido por um grupo que chegou a 17 tentos: Giovanni Simeone (Hellas Verona, 35 partidas), Tammy Abraham (AS Roma, 37 partidas) e Dušan Vlahović (Fiorentina).
O caso de Vlahović merece atenção especial pelos números: 17 gols em apenas 21 jogos disputados, média superior a 0,80 gol por partida. Esse rendimento se destaca ainda mais quando comparado ao de Abraham, que precisou de 37 aparições para atingir o mesmo total de gols. A diferença de 16 partidas para o mesmo número de tentos aponta para a densidade da participação do sérvio, que se firmou como um dos atacantes mais produtivos da liga nesta temporada.
Na tabela de assistências, Berardi liderou com 14 passes para gol, seguido de perto por Hakan Çalhanoğlu (Inter, 12 assistências em 34 jogos) e Nicolò Barella (Inter, 12 assistências em 36 jogos). A dupla da Inter, com 24 assistências combinadas, ajuda a explicar por que o clube registrou o maior número de gols da competição — 84 no total. Sergej Milinković-Savić (Lazio) completou o top 4 com 11 assistências e 11 gols em 37 partidas, um dos perfis mais completos da competição. Antonio Candreva, da Sampdoria, fechou o grupo dos cinco maiores garçons com 10 assistências em 36 jogos, números expressivos para um time que terminou em 15º lugar com 36 pontos.
Disciplina: cartões e advertências
No campo disciplinar, Gianluca Mancini, zagueiro da AS Roma, foi o jogador mais advertido da temporada: 15 cartões amarelos em 33 partidas, sem nenhum vermelho. O resultado é uma média elevadíssima de quase um cartão a cada duas partidas e meia. M. Lopez, do Sassuolo, acumulou 14 amarelos em 35 jogos, enquanto Ethan Ampadu (Venezia), Nicolò Zaniolo (AS Roma) e F. Ceccherini (Hellas Verona) chegaram a 12 cada.
Nos cartões vermelhos, Zaniolo liderou com duas expulsões em 28 partidas — o mesmo número registrado por A. Soumaoro, do Bologna, em igual quantidade de jogos. Theo Hernández, lateral do AC Milan, foi o único representante do campeão nesta lista, com 1 vermelho e 6 amarelos em 32 partidas, além de contribuir com 5 gols e 6 assistências — desempenho ofensivo de destaque para um jogador de sua posição.
Números e curiosidades da temporada
- A Serie A 2021/22 produziu 1.089 gols em 380 partidas, com média de 2,87 tentos por jogo — indicativo de um campeonato ofensivo.
- AC Milan e Napoli compartilharam a melhor defesa com apenas 31 gols sofridos cada (Wikipédia). No entanto, o Milan levou o título, e o Napoli fechou em terceiro — sinal de que a eficiência defensiva foi determinante em diferentes partes da tabela.
- A Inter foi o time mais goleador com 84 tentos, mas terminou com o vice-campeonato, dois pontos atrás do Milan. Seu saldo de gols de +52 foi o maior da liga, contra +38 do campeão.
- A Fiorentina venceu o Genoa por 6 a 0 no Estádio Artemio Franchi em 17 de janeiro de 2022 (Wikipédia), partida que se configurou como uma das goleadas mais expressivas do torneio.
- O Genoa registrou apenas quatro vitórias em 38 jogos — o menor número de triunfos entre todos os participantes —, enquanto o Venezia somou o maior número de derrotas: 23 em 38 rodadas.
- A diferença entre o campeão (86 pontos) e o 4º colocado (Juventus, 70 pontos) foi de 16 pontos, sugerindo que o G4 teve duas competições distintas: uma travada entre Milan e Inter na parte superior, e outra, mais confortável, de Napoli e Juventus para garantir as posições seguintes.
- Torino e Sassuolo empataram em pontos na 10ª e 11ª posição, ambos com 50 pontos e 13 vitórias — exemplo do equilíbrio que marcou a zona intermediária da tabela.
A temporada 2021/22 da Serie A ficará marcada, sobretudo, pelo retorno do AC Milan ao topo do futebol italiano após mais de uma década de espera (Wikipédia). Um título de dois pontos, construído sobre uma defesa eficiente e uma campanha consistente ao longo dos 38 jogos, encerra um ciclo e reposiciona o clube milanês entre os protagonistas do calcio nacional.

































































