O Napoli escreveu na temporada 2022–23 da Serie A italiana uma das páginas mais expressivas do futebol europeu recente. Com 90 pontos somados em 38 rodadas, o clube napolitano não apenas conquistou seu terceiro título nacional na história — após os dois da era Diego Maradona, em 1986–87 e 1989–90 —, como impôs uma margem de 16 pontos sobre o vice-líder Lazio antes mesmo das cinco rodadas finais, tornando o scudetto uma questão de tempo e de matemática (Wikipédia). Os números falam por si: melhor ataque, melhor defesa, maior aproveitamento. Uma hegemonia que atravessou a tabela de ponta a ponta.
Visão geral da temporada
Os 20 clubes da Serie A disputaram 380 partidas ao longo da temporada, produzindo 974 gols no total — uma média de 2,56 por jogo, indicador de um campeonato com bom nível de produção ofensiva. A competição foi marcada por ampla distância entre o campeão e o restante do pelotão: enquanto o Napoli acumulava vitórias e construía sua hegemonia, a luta pelo G4 e a batalha contra o rebaixamento mantiveram o interesse nas demais posições. Entre os recordes coletivos da temporada, a goleada de 8 a 2 aplicada pela Atalanta sobre a Salernitana na 18.ª rodada e o triunfo da Inter por 6 a 0 sobre o Hellas Verona na 33.ª rodada figuram como resultados de maior amplitude (Wikipédia).
O campeão e como conquistou o título
Os números do Napoli são impressionantes em qualquer régua de análise. Foram 28 vitórias, 6 empates e apenas 4 derrotas em 38 jogos — um aproveitamento de 78,9%, superior em mais de 10 pontos percentuais ao de qualquer outro clube entre os quatro primeiros. O time marcou 77 gols (melhor ataque) e sofreu somente 28 (melhor defesa), construindo um saldo positivo de 49 — 19 gols a mais do que o segundo melhor saldo da competição, registrado pela Lazio, com +30.
O título foi selado em 4 de maio de 2023, com um empate de 1 a 1 diante do Udinese, fora de casa (Wikipédia). A confirmação matemática não fez mais do que oficializar o que os números já anunciavam desde muito antes: o Napoli havia chegado aos 80 pontos com cinco rodadas ainda por disputar, ostentando uma vantagem de 16 pontos sobre a Lazio (Wikipédia). Para encontrar precedente histórico, é preciso voltar à Nápoles dos anos de Maradona — os outros dois títulos do clube datam de 1986–87 e 1989–90 (Wikipédia). A temporada 2022–23 encerrou uma espera de mais de três décadas.
A briga pelo G4 e as vagas continentais
Com o Napoli consolidado no topo, a disputa pelas demais vagas de acesso às competições europeias animou o restante da temporada. O G4 ficou assim constituído ao final das 38 rodadas:
- Napoli (1.º): 90 pontos | 28V–6E–4D | GP 77 | GC 28 | SG +49
- Lazio (2.º): 74 pontos | 22V–8E–8D | GP 60 | GC 30 | SG +30
- Inter (3.º): 72 pontos | 23V–3E–12D | GP 71 | GC 42 | SG +29
- AC Milan (4.º): 70 pontos | 20V–10E–8D | GP 64 | GC 43 | SG +21
A Lazio terminou como vice-campeã com 74 pontos, aproveitamento de 65,1%. O clube romano apresentou equilíbrio entre vitórias e derrotas (22 e 8, respectivamente), com a melhor defesa entre os quatro primeiros depois do Napoli — apenas 30 gols sofridos. A Inter, terceira colocada com 72 pontos, foi o time mais irregular do quarteto: 23 vitórias, mas também 12 derrotas, o maior número entre o G4. Mesmo assim, o saldo de 71 gols marcados colocou a equipe como segundo melhor ataque da competição. O AC Milan fechou o quarteto com 70 pontos, a apenas dois da Inter, em uma disputa resolvida nos detalhes finais.
Logo abaixo do G4, Atalanta (64 pontos, 5.º), AS Roma (63, 6.º) e Juventus (62, 7.º) ficaram relativamente próximos, mas sem alcançar as posições de Champions League. A Atalanta, com 66 gols marcados, foi o terceiro melhor ataque da temporada. A Juventus, por sua vez, registrou 22 vitórias — o mesmo número da Lazio —, mas acumulou mais derrotas (10) e encerrou a campanha na sétima posição.
A zona de rebaixamento
Três clubes foram rebaixados à Serie B ao término da temporada. Os dados indicam situações bastante distintas dentro do trio, embora todos tenham compartilhado a incapacidade de se sustentar na elite:
- Sampdoria (20.º): 19 pontos | 3V–10E–25D | GP 24 | GC 71 | SG –47
- Cremonese (19.º): 27 pontos | 5V–12E–21D | GP 36 | GC 69 | SG –33
- Verona (18.º): 31 pontos | 7V–10E–21D | GP 31 | GC 59 | SG –28
A Sampdoria teve a pior campanha da temporada, com apenas 3 vitórias e um saldo de gols catastrófico de –47. O clube sofreu 71 gols ao longo de 38 rodadas — exatamente o mesmo número de tentos sofridos que a Cremonese, que também desceu à segunda divisão. A diferença entre os rebaixados e o primeiro time fora da zona foi considerável: o Spezia, que terminou na 17.ª posição com 31 pontos e saldo de –31, esteve em território de rebaixamento por boa parte da temporada. O Verona igualou o Spezia em pontuação (31), mas o saldo de gols determinava a separação entre os dois naquele momento. Conforme os dados de rebaixamento fornecidos, Spezia, Cremonese e Sampdoria são os clubes que deixaram a primeira divisão (Wikipédia), indicando que Verona, apesar dos 31 pontos e das 21 derrotas, conseguiu se manter.
A margem entre a zona de rebaixamento confirmada (Cremonese, 27 pontos) e a primeira equipe em segurança foi pequena, evidenciando o quanto a parte de baixo da tabela permaneceu tensionada ao longo de boa parte do calendário.
Artilharia e destaques individuais — gols
Victor Osimhen foi o artilheiro da Serie A com 26 gols em 32 partidas — uma média de 0,81 gol por jogo. O atacante nigeriano do Napoli também contribuiu com 4 assistências, recebeu 4 cartões amarelos e não foi expulso em nenhuma oportunidade. Sua produção foi determinante para que o Napoli construísse o melhor ataque da temporada.
O segundo artilheiro foi Lautaro Martínez, da Inter, com 21 gols em 38 jogos, além de 6 assistências — o argentino disputou todas as rodadas e foi o atleta mais participativo entre os cinco primeiros na artilharia. Na terceira posição, B. Dia, da Salernitana, com 16 gols e 6 assistências em 34 jogos, foi o grande destaque individual de um clube que lutou contra o rebaixamento e terminou na 15.ª colocação com 42 pontos. Rafael Leão, do AC Milan, apareceu na quarta posição com 15 gols e 8 assistências em 35 partidas — números que fazem dele o jogador com maior participação direta em gols entre os cinco primeiros artilheiros, somando 23 contribuições. A. Lookman, da Atalanta, fechou o quinteto com 13 gols e 6 assistências em 32 partidas.
Assistências e criatividade
K. Kvaratskhelia, do Napoli, liderou o ranking de assistências com 10 passes para gol em 34 partidas. O georgiano também marcou 12 gols, totalizando 22 participações diretas em tentos — números que evidenciam sua importância no esquema ofensivo do campeão. Recebeu apenas 1 cartão amarelo e não foi expulso em nenhum momento.
Rafael Leão apareceu em segundo lugar com 8 assistências, compartilhando a posição com S. Milinković-Savić (Lazio), P. Zieliński (Inter) e F. Kostić (Juventus). Milinković-Savić também marcou 9 gols em 37 jogos, combinando produtividade com presença regular — embora tenha acumulado 10 cartões amarelos, o maior número entre os líderes de assistências. Zieliński somou 3 gols e 8 assistências disputando todas as 38 rodadas pela Inter. Kostić, da Juventus, igualou esses números: 3 gols, 8 assistências e 37 jogos disputados.
Disciplina — cartões amarelos e vermelhos
M. Léris, da Sampdoria, foi o jogador com mais cartões amarelos na temporada: 13 advertências em 32 partidas, uma média de um amarelo a cada 2,5 jogos. O segundo mais advertido foi L. Coulibaly, da Salernitana, com 12 amarelos em 35 partidas. Na sequência, três jogadores empataram com 11 cartões amarelos: Ruan Tressoldi (Sassuolo, em apenas 23 jogos), Rodrigo Becão (Udinese, em 28 jogos) e L. Sernicola (Cremonese, em 32 jogos). O brasileiro Ruan Tressoldi e o também brasileiro Rodrigo Becão foram os únicos dos três a acumular ainda um cartão vermelho cada.
Entre as expulsões, J. Akpa Akpro (Lazio) e L. Muriel (Atalanta) lideraram com 2 cartões vermelhos cada. Akpa Akpro somou ainda 9 amarelos em 24 partidas — combinação que o torna o jogador individualmente mais penalizado da temporada. Muriel, por sua vez, recebeu apenas 2 amarelos além de suas 2 expulsões, em 31 jogos.
Números e curiosidades da temporada
A temporada 2022–23 da Serie A produziu algumas marcas que merecem registro:
- O Napoli foi simultaneamente o melhor ataque (77 gols marcados) e a melhor defesa (28 gols sofridos) da competição — feito que sublinha a consistência do título (Wikipédia).
- A maior goleada da temporada foi Atalanta 8–2 sobre a Salernitana, na 18.ª rodada (Wikipédia).
- A Inter aplicou 6–0 sobre o Hellas Verona na 33.ª rodada, em outra das maiores vitórias do campeonato (Wikipédia).
- O Napoli terminou com saldo de gols de +49, quase 20 a mais do que o segundo melhor saldo da competição (Lazio, +30).
- A Inter foi o time com mais vitórias do G4 depois do Napoli (23), mas também o que mais perdeu entre os quatro primeiros (12 derrotas).
- Com apenas 3 derrotas em 32 jogos, Osimhen encerrou a temporada com média de gols superior a 0,8 por partida — dominância estatística clara sobre os demais atacantes.
- A diferença de 16 pontos que o Napoli abriu sobre a Lazio antes das cinco rodadas finais evidencia que o título não foi decidido nos últimos jogos, mas construído ao longo de toda a campanha (Wikipédia).
- A Sampdoria, rebaixada com apenas 19 pontos, sofreu 71 gols — o pior saldo defensivo do campeonato, empatado em número absoluto com a Cremonese.
- A média de 2,56 gols por jogo ao longo de 380 partidas resultou em 974 tentos na temporada, reforçando o caráter ofensivo da elite italiana no período.
A Serie A 2022–23 ficará registrada, sobretudo, como a temporada do retorno de Nápoles ao topo do futebol italiano após mais de três décadas de espera. Os números do Napoli não deixam margem para questionamentos: foram o melhor time em quase todas as métricas relevantes, e o título chegou com a antecedência e a autoridade que a campanha construída ao longo de 38 rodadas exigia.


















































