O Brasileirão Série A de 2013 ficará registrado como uma das edições mais desequilibradas da era dos pontos corridos: um campeão que dominou a competição de ponta a ponta, uma zona de rebaixamento marcada por polêmicas judiciais e pelo drama da última rodada, e números que revelam um torneio de contrastes profundos entre a elite e a lanterna da tabela. Ao longo de 380 partidas, 936 gols foram marcados — média de 2,46 por jogo —, compondo um retrato fiel de uma temporada intensa e, em muitos aspectos, histórica.
Visão geral da temporada
Vinte clubes disputaram a edição 2013 do Campeonato Brasileiro, cada um cumprindo as 38 rodadas do formato de pontos corridos. A competição foi impactada pela Copa das Confederações, realizada no Brasil em junho daquele ano, o que provocou uma pausa no calendário após as cinco primeiras rodadas (Wikipédia). O torneio retomou o ritmo e se encaminhou para um desfecho de pouca suspense no topo, ao contrário do que aconteceu nas posições mais dramáticas da tabela, onde a crise se instalou até os minutos finais.
No agregado estatístico, a temporada produziu um total de 936 gols em 380 partidas, com média de 2,46 gols por jogo — número expressivo, sustentado sobretudo pelo ataque avassalador do campeão e pelas defesas porosas das equipes do Z-4. O melhor ataque pertenceu ao Cruzeiro, com 77 tentos marcados, enquanto a melhor defesa foi a do Corinthians, que sofreu apenas 22 gols em 38 rodadas — a menor marca do campeonato.
O campeão e como conquistou o título
O Cruzeiro foi o grande protagonista do Brasileirão 2013. Com 76 pontos conquistados em 38 jogos — 23 vitórias, 7 empates e apenas 8 derrotas —, o clube mineiro terminou a competição com folga de 11 pontos sobre o vice-campeão Grêmio, uma margem que traduz com precisão a superioridade celeste ao longo de toda a temporada.
O saldo de gols do Cruzeiro foi outro dado revelador: +40, fruto de 77 gols marcados e apenas 37 sofridos. Nenhum outro clube chegou perto desse desempenho ofensivo. O aproveitamento de pontos alcançou 66,7%, o mais alto do campeonato. O título foi conquistado na 34ª rodada, com vitória por 3 a 1 sobre o Vitória, em Salvador, combinada à derrota do Atlético Paranaense para o Criciúma por 2 a 1 (Wikipédia). A taça foi o terceiro título brasileiro da história do clube (Wikipédia).
Na premiação individual, o Cruzeiro levou os principais troféus: Éverton Ribeiro foi eleito o melhor jogador da competição, e Marcelo Oliveira recebeu o prêmio de melhor técnico (Wikipédia).
A briga pelo G4 e as classificações
Atrás do Cruzeiro, a disputa pelas demais vagas à Copa Libertadores da América foi acirrada, com diferenças mínimas separando vários clubes ao longo do segundo turno.
- Grêmio (2º, 65 pontos): Vice-campeão com 18 vitórias, 11 empates e 9 derrotas. O time gaúcho construiu uma campanha sólida, mas seu ataque — 42 gols marcados — foi discreto para uma equipe que terminou tão à frente na tabela. A defesa, porém, foi a segunda mais econômica do torneio, com apenas 35 gols sofridos, sinal de organização tática consistente.
- Atlético Paranaense (3º, 64 pontos): O Furacão terminou com apenas um ponto a menos que o Grêmio, com o mesmo número de vitórias (18), mas com um ataque muito mais produtivo: 65 gols marcados, segundo maior do campeonato. A diferença entre segundo e terceiro lugar foi de apenas 1 ponto, evidenciando como a vaga foi disputada até o fim.
- Botafogo (4º, 61 pontos): O clube carioca fechou o G4 com 17 vitórias, 10 empates e 11 derrotas, e saldo de +14. A equipe foi consistente, sem o brilho ofensivo do Furacão, mas suficientemente eficiente para garantir a vaga continental.
Fora do G4, Vitória e Goiás empataram em pontos (59 cada), ocupando respectivamente a 5ª e a 6ª posição. Santos e Atlético-MG também chegaram empatados (57 pontos cada) no 7º e 8º lugares. O meio da tabela foi bastante comprimido: da 5ª à 13ª posição, havia apenas 11 pontos separando os times, o que ilustra o equilíbrio nessa faixa do torneio.
O Corinthians, campeão mundial em 2012, terminou em 10º lugar com 50 pontos — mesma pontuação do São Paulo (9º) —, mas com a defesa menos vazada do campeonato: apenas 22 gols sofridos em 38 rodadas. Apesar disso, o baixo rendimento ofensivo (apenas 27 gols marcados, o menor entre todos os 20 clubes) limitou as aspirações alvinegras. O time empatou 17 de suas 38 partidas, número que expressa uma tendência à contenção que custou pontos valiosos.
A zona de rebaixamento
O Z-4 de 2013 foi palco de uma das histórias mais dramáticas e polêmicas do futebol brasileiro recente. Quatro clubes desceram à Série B, mas o desfecho envolveu decisões dentro e fora de campo.
- Náutico (20º, 20 pontos): O lanterna do campeonato teve uma temporada catastrófica. Apenas 5 vitórias, 5 empates e 28 derrotas em 38 jogos. Com 22 gols marcados e 79 sofridos, o saldo de -57 foi de longe o pior do torneio — mais do que o dobro do segundo pior. O clube pernambucano sofreu uma goleada de 5 a 0 para o Atlético-MG, no Estádio Independência, partida que selou seu rebaixamento (Wikipédia). O aproveitamento de apenas 17,5% resume o naufrágio.
- Ponte Preta (19º, 37 pontos): A Macaca encerrou com 9 vitórias, 10 empates e 19 derrotas, e saldo de -18. O rebaixamento foi confirmado matematicamente na 37ª rodada, sem que o clube precisasse entrar em campo (Wikipédia).
- Vasco da Gama (18º, 44 pontos): O rebaixamento do clube carioca foi consumado na última rodada. A equipe acumulou 11 vitórias, 11 empates e 16 derrotas, com saldo de -11. O Vasco sofreu uma goleada de 5 a 1 para o Atlético Paranaense na reta final da competição, resultado que contribuiu decisivamente para sua queda à Série B (Wikipédia).
- Portuguesa (17º, 44 pontos): O caso mais polêmico da temporada. A Lusa terminou com 44 pontos — mesma pontuação do Vasco —, com 12 vitórias, 12 empates e 14 derrotas, e saldo positivo de +4, número que, em condições normais, não corresponderia a um desempenho de rebaixado. Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) penalizou tanto a Portuguesa quanto o Flamengo com a perda de 4 pontos cada, em decorrência da escalação de jogadores irregulares (Wikipédia). A punição retirou da Portuguesa os pontos necessários para sua permanência, ao mesmo tempo em que salvou o Fluminense, que havia terminado o campeonato na zona de rebaixamento antes da decisão judicial. A polêmica gerou intenso debate sobre os limites entre a justiça esportiva e o campo.
Nota importante: os dados dos FATOS EXTERNOS indicam que o Fluminense também constava entre os times rebaixados antes da decisão do STJD. Após a penalidade aplicada à Portuguesa, o Fluminense escapou, restando como rebaixados: Náutico, Ponte Preta, Vasco da Gama e Portuguesa.
Artilharia e destaques individuais
O artilheiro da competição foi Éderson, do Atlético Paranaense, com 21 gols em 36 jogos disputados (Wikipédia). O desempenho foi significativamente superior ao do segundo colocado na lista de artilheiros — uma diferença de 5 gols em relação a Telmário, do Vitória, e a Hernane, do Flamengo, ambos com 16. Com uma média de 0,58 gols por jogo, Éderson foi o jogador mais decisivo ofensivamente da temporada.
- 1º – Éderson (Atlético Paranaense): 21 gols em 36 jogos. 3 cartões amarelos, nenhum vermelho.
- 2º – Telmário (Vitória): 16 gols em 35 jogos. 2 cartões amarelos.
- 3º – Hernane (Flamengo): 16 gols em 31 jogos. 5 cartões amarelos.
- 4º – Cícero (Santos): 15 gols em 37 jogos. 4 cartões amarelos.
- 5º – Fernandão (Bahia): 15 gols em 34 jogos. 6 cartões amarelos.
Vale notar que os dados de assistências não estavam disponíveis para a temporada 2013, impedindo uma análise completa da participação em gols por jogador.
Cartões e disciplina
No quesito disciplina, o jogador com mais cartões amarelos foi Victor Ramos, zagueiro do Vitória, com 15 amarelos em 33 partidas — uma média de um cartão a cada 2,2 jogos. Em seguida, Willians Domingos Fernandes, do Internacional, acumulou 14 amarelos em 31 jogos, e Rogério Rodrigues da Silva, da Portuguesa, chegou a 13 amarelos em 32 partidas.
Entre os mais punidos com cartões vermelhos, três jogadores chegaram à marca de 2 expulsões na temporada:
- Hugo Henrique Assis do Nascimento (Goiás): 2 vermelhos e 8 amarelos em 30 jogos. Contribuiu com 6 gols.
- Ferdinando Pereira Leda (Portuguesa): 2 vermelhos e 8 amarelos em 23 jogos.
- Pedro Botelho (Atlético Paranaense): 2 vermelhos e 4 amarelos em 21 jogos.
Números e curiosidades da temporada
A edição 2013 produziu uma série de dados que merecem destaque pela expressividade:
- O Cruzeiro terminou o campeonato com 11 pontos de vantagem sobre o segundo colocado — margem que evidencia uma hegemonia rara em campeonatos equilibrados como o Brasileirão.
- O Náutico, lanterna, terminou com apenas 20 pontos — 17 a menos que o 19º colocado (Ponte Preta). A distância entre o penúltimo e o último colocado foi maior do que a diferença entre o 2º e o 13º da tabela.
- O Corinthians teve a melhor defesa (22 gols sofridos) e o pior ataque dentre os times que não foram rebaixados (27 gols marcados). A combinação gerou um aproveitamento mediano de 43,9% — abaixo do esperado para o padrão do clube.
- O Atlético-MG, campeão da Libertadores em 2013, terminou apenas em 8º lugar no Brasileirão, com 57 pontos. O desgaste causado pela participação em múltiplas competições pode ter influenciado no rendimento doméstico, embora os dados não permitam afirmar com precisão as causas.
- A média de 2,46 gols por jogo, sustentada por 936 tentos em 380 partidas, indica uma edição ofensivamente produtiva. O ataque do Cruzeiro (77 gols) e do Atlético Paranaense (65 gols) foram os grandes responsáveis por puxar essa média para cima.
- O Movimento Bom Senso F.C., que reuniu jogadores em protestos por melhores condições de trabalho e calendário mais racional, teve presença marcante ao longo da temporada (Wikipédia).
- Portuguesa e Vasco terminaram empatados em pontos (44 cada), com a Portuguesa em vantagem no saldo de gols (+4 contra -11). A inversão final, imposta pelo STJD, tornou o desfecho do Z-4 um dos mais controversos da história recente do futebol brasileiro (Wikipédia).
O Brasileirão Série A de 2013 encerrou-se com o Cruzeiro dominando com autoridade estatística e técnica, enquanto a base da tabela entregou um drama que foi além das quatro linhas. A temporada ficou marcada tanto pela solidez do campeão quanto pelas contradições e incertezas que rodearam os rebaixados — dois desfechos que, juntos, compõem uma edição difícil de ser esquecida pelo futebol brasileiro.






















































