O Flamengo encerrou o Brasileirão Série A de 2025 com autoridade máxima: campeão nacional e continental na mesma temporada, dono do melhor ataque, da melhor defesa e do troféu de melhor jogador na mesma campanha. Com 79 pontos em 38 rodadas, o clube carioca escreveu uma das páginas mais completas de sua história recente no torneio de pontos corridos, enquanto o Mirassol surpreendia o país com uma estreia histórica no G4, três clubes nordestinos amargavam o rebaixamento e o Sport Recife vivia a pior campanha da edição.
Visão geral da temporada
A edição de 2025 da Série A reuniu 20 clubes em 380 partidas e produziu 959 gols, média de 2,52 tentos por jogo — número que reflete um campeonato com ofensividade acima da média histórica. A competição contou com uma pausa entre 14 de junho e 13 de julho em razão do Mundial de Clubes de 2025 (Wikipédia), interrupção que influenciou o ritmo de algumas equipes ao longo do segundo semestre.
A temporada ficou marcada por pelo menos dois feitos inéditos. Foi a primeira edição desde 1990 sem representantes do estado do Paraná, após o rebaixamento do Athletico Paranaense na temporada anterior (Wikipédia). E, pela primeira vez desde a implementação do sistema de pontos corridos em 2003, três clubes de uma mesma região — o Nordeste — foram rebaixados simultaneamente (Wikipédia). No campo positivo, o Mirassol tornou-se a quinta equipe a estrear na Série A e terminar dentro do G4 nessa era moderna do futebol brasileiro (Wikipédia).
O campeão e como conquistou o título
O Flamengo foi soberano. Os números da campanha dispensam adjetivos supérfluos: 23 vitórias, 10 empates e apenas 5 derrotas em 38 jogos, totalizando 79 pontos e aproveitamento de 69,3%. O saldo de gols de +51 — com 78 marcados e somente 27 sofridos — foi o maior da competição por margem expressiva em relação ao segundo colocado, e o clube acumulou simultaneamente o melhor ataque e a melhor defesa do torneio, feito que evidencia o equilíbrio técnico da equipe.
O título foi confirmado com uma vitória por 1–0 diante do Ceará, no Estádio do Maracanã (Wikipédia). A conquista ganhou dimensão histórica pelo contexto: quatro dias antes, o clube havia erguido a Copa Libertadores, repetindo o doblete nacional-continental que já havia realizado em 2019 (Wikipédia). Foi o tetracampeonato do Flamengo na Libertadores, conquistado às vésperas do título brasileiro.
Entre os registros individuais da campanha rubro-negra, destaca-se a goleada de 8–0 sobre o Vitória, no Maracanã, em 25 de agosto (Wikipédia) — a maior placar da temporada. O goleiro Agustín Rossi foi eleito o melhor do campeonato na sua posição, e Giorgian de Arrascaeta recebeu o prêmio de melhor jogador da edição (Wikipédia).
A briga pelo G4 e as classificações para a Libertadores
O vice-campeonato ficou com o Palmeiras, que somou 76 pontos — apenas três a menos que o Flamengo. A diferença numérica é pequena, mas o saldo de gols expõe uma distância real: o Palmeiras terminou com +33, contra +51 do campeão. O clube paulista venceu o mesmo número de jogos (23), mas empatou menos (7 a 10) e perdeu mais (8 a 5), o que custou a taça.
O Cruzeiro, em terceiro, entregou a campanha mais consistente fora do eixo Rio-São Paulo entre os grandes: 70 pontos, 19 vitórias, 13 empates e apenas 6 derrotas, com saldo de +24. A solidez defensiva (31 gols sofridos) foi um dos pilares da equipe celeste.
A grande surpresa da temporada foi o Mirassol. Em sua estreia absoluta na Série A, o clube do interior paulista terminou em quarto lugar com 67 pontos, garantindo uma vaga inédita na Libertadores (Wikipédia). O técnico Rafael Guanaes foi reconhecido com o prêmio de melhor treinador da competição (Wikipédia). Com 63 gols marcados e saldo de +24, o Mirassol mostrou que sua presença no G4 não foi acidente.
Fluminense (5º, 64 pts) e Botafogo (6º, 63 pts) completaram o G6, com ambos garantindo vagas em competições continentais. O Bahia, em sétimo com 60 pontos, ficou às portas desse grupo. A diferença de apenas um ponto entre o quinto e o sexto lugar, e de quatro pontos do quinto ao sétimo, ilustra o quão disputada foi essa faixa da tabela.
Na parte intermediária da classificação, o bloco entre São Paulo (8º, 51 pts) e Internacional (16º, 44 pts) concentrou nada menos que nove equipes separadas por apenas sete pontos, evidenciando o alto grau de equilíbrio no meio da tabela.
A zona de rebaixamento
Quatro clubes desceram à Série B: Sport Recife (20º), Juventude (19º), Fortaleza (18º) e Ceará (17º). A combinação inédita de três representantes nordestinos no Z4 — Fortaleza, Ceará e Sport — marcou a temporada de forma negativa para a região (Wikipédia).
O Sport Recife viveu o drama mais agudo. Com apenas 17 pontos, 2 vitórias, 11 empates e 25 derrotas, o clube pernambucano registrou o pior desempenho da edição e foi o primeiro a ser matematicamente rebaixado, em 15 de novembro, após sofrer uma derrota por 5–1 para o Flamengo (Wikipédia). O saldo de gols de -47 (28 marcados, 75 sofridos) é o mais negativo da tabela e retrata um ano de ampla fragilidade defensiva.
O Juventude somou 35 pontos — 18 a mais que o Sport, mas insuficientes para a permanência. O clube gaúcho venceu apenas 9 partidas e sofreu 69 gols, segundo volume mais alto de gols sofridos da temporada.
Fortaleza e Ceará desceram com pontuações idênticas: 43 pontos cada, com o mesmo número de vitórias (11) e empates (10). O critério de desempate que posicionou o Ceará em 17º e o Fortaleza em 18º foi o saldo de gols: -6 para o Ceará contra -15 para o Fortaleza. A queda do Fortaleza tem peso simbólico adicional: o clube chegou a ser adversário do Flamengo na partida em que o título foi confirmado (Wikipédia).
Vale notar que a margem entre o 16º colocado (Internacional, 44 pts) e o 17º (Ceará, 43 pts) foi de apenas um ponto, ressaltando o quão disputada foi a briga pela permanência ao longo de toda a temporada.
Artilharia e destaques individuais
O artilheiro da Série A 2025 foi Kaio Jorge, do Cruzeiro, com 21 gols em 33 partidas (Wikipédia). O centroavante foi ainda o segundo em assistências, com 8 passes para gol, totalizando participação direta em 29 tentos — número que o coloca como um dos jogadores mais determinantes da temporada. Sua produtividade foi peça central na campanha do Cruzeiro, que terminou em terceiro lugar.
Giorgian de Arrascaeta, do Flamengo, foi o nome mais completo entre os jogadores de criação: 18 gols e 14 assistências em 33 jogos, eleito o melhor jogador da competição (Wikipédia). A combinação de 32 participações diretas em gols pelo campeão é o retrato estatístico mais eloquente do que foi o seu ano.
Vitor Roque, do Palmeiras, somou 16 gols em 33 partidas, sendo o artilheiro do vice-campeão. Rayan, do Vasco da Gama, marcou 14 gols em 34 jogos e foi eleito a revelação da temporada (Wikipédia) — destaque que ganhou ainda mais relevo por ter surgido em um time que terminou no 14º lugar. Pablo Vegetti, também pelo Vasco, igualou os 14 gols do companheiro em 35 partidas.
Na tabela de assistências, Arrascaeta liderou com folga (14), seguido por Kaio Jorge (8) e Paulo Henrique, do Vasco (8 assistências em 28 jogos). Alan Patrick, do Internacional, somou 11 gols e 7 assistências em 30 partidas, e Jhon Jhon, do RB Bragantino, contribuiu com 10 gols e 7 assistências — embora este último também tenha acumulado 11 cartões amarelos, o segundo maior da competição.
Cartões e disciplina
O jogador mais advertido da temporada foi A. Barboza, do Botafogo, com 14 cartões amarelos em 24 partidas — média expressiva de quase um amarelo a cada dois jogos. L. Romero (Cruzeiro) e Matheuzinho (Corinthians) dividem o segundo lugar com 12 amarelos cada.
Nos cartões vermelhos, quatro jogadores foram expulsos duas vezes ao longo da temporada: Hugo Moura (Vasco da Gama), J. Alonso (Atlético-MG), Jean Lucas (Bahia) e David Ricardo (Botafogo), além de J. Piquerez (Palmeiras).
Números e curiosidades da temporada
- Total de gols: 959 em 380 partidas, média de 2,52 por jogo.
- O Flamengo foi simultaneamente o melhor ataque (78 gols) e a melhor defesa (27 gols sofridos) da competição.
- A maior goleada da edição foi Flamengo 8–0 Vitória, no Maracanã, em 25 de agosto (Wikipédia).
- O Mirassol se tornou a quinta equipe a estrear na Série A da era dos pontos corridos (desde 2003) e encerrar entre os quatro primeiros (Wikipédia).
- O Flamengo conquistou o título nacional quatro dias após erguer a Copa Libertadores, repetindo o doblete de 2019 (Wikipédia).
- Pela primeira vez desde 1990, nenhum clube do Paraná disputou a Série A (Wikipédia).
- Pela primeira vez na era dos pontos corridos, três clubes nordestinos foram rebaixados na mesma edição (Wikipédia).
- A diferença entre o campeão (79 pts) e o quarto colocado (67 pts, Mirassol) foi de 12 pontos — distância considerável no topo.
- O bloco do meio da tabela, entre o 8º (São Paulo, 51 pts) e o 16º lugar (Internacional, 44 pts), foi separado por apenas 7 pontos.
- Fortaleza e Ceará encerraram com pontuação idêntica (43 pts), separados apenas pelo saldo de gols no critério de desempate.
- O Sport Recife, lanterna, somou 17 pontos — 18 a menos que o Juventude (19º) e 26 a menos que o Fortaleza (18º), isolado na última posição.






























































