O Brasileirão Série A de 2018 ficou marcado pela hegemonia de um Palmeiras quase intocável, que conquistou seu décimo título nacional com folga sobre os rivais, enquanto a parte de baixo da tabela viveu tensão até as rodadas finais. Em 380 partidas disputadas ao longo da temporada — interrompida pela Copa do Mundo de 2018 entre 14 de junho e 15 de julho (Wikipédia) —, o campeonato produziu 827 gols, média de 2,18 por jogo, combinando espetáculo ofensivo ao topo da tabela e sofrimento defensivo na zona de rebaixamento.
Visão geral da temporada
A edição de 2018 reuniu 20 clubes em disputa pelo formato de pontos corridos, com 38 rodadas cada. A temporada notabilizou-se pela presença simultânea de quatro representantes nordestinos — Bahia, Ceará, Sport e Vitória —, a maior concentração da região até então no torneio (Wikipédia). Foram disputados exatamente 380 jogos, e os 827 gols contabilizados resultaram em uma média de 2,18 tentos por partida, número que reflete um campeonato com produção ofensiva consistente. A maior goleada da competição ocorreu logo na abertura: Atlético Paranaense 5 a 1 sobre a Chapecoense, na Arena da Baixada, na 1ª rodada (Wikipédia).
O campeão e como conquistou o título
O Palmeiras de 2018 foi soberano. Com 80 pontos em 38 jogos — aproveitamento de 70,2% —, o clube alviverde terminou o campeonato com 23 vitórias, 11 empates e apenas 4 derrotas. Nenhuma outra equipe chegou perto de sustentá-lo. A distância para o vice-campeão Flamengo foi de 8 pontos, margem que traduz um domínio consistente e não episódico.
O título foi matematicamente confirmado na penúltima rodada, com vitória de 1 a 0 diante do Vasco da Gama, em São Januário (Wikipédia). Tratava-se do décimo título brasileiro do clube (Wikipédia). A conquista foi sustentada pelos melhores números individuais do campeonato: o Palmeiras terminou com o melhor ataque — 64 gols marcados — e a melhor defesa — apenas 26 sofridos. Nenhum outro time combinou liderança simultânea nessas duas categorias. O saldo de gols de +38 foi igualmente o mais alto da competição, 8 pontos acima do segundo colocado no quesito.
A solidez defensiva palmeirense merece destaque especial: encaixar apenas 26 gols em 38 rodadas significa uma média de 0,68 gols sofridos por jogo, número que evidencia uma equipe organizada e difícil de ser vazada. Do outro lado, 64 gols marcados representam média de 1,68 por partida, conjugando eficiência ofensiva à segurança defensiva.
A briga pelo G4 e as classificações para a Libertadores
Atrás do campeão, a disputa pelas demais vagas no G4 — que garantia participação na Copa Libertadores — envolveu Flamengo, Internacional e Grêmio, os três completando a zona de classificação direta.
- Flamengo (2º, 72 pts): 21 vitórias, 9 empates e 8 derrotas. O clube carioca marcou 59 gols e sofreu 29, saldo de +30. Segundo melhor ataque da competição, o Rubro-Negro terminou 8 pontos atrás do Palmeiras — diferença expressiva que não deixa margem para contestação quanto ao mérito do campeão.
- Internacional (3º, 69 pts): 19 vitórias, 12 empates e 7 derrotas. O Colorado apresentou o menor número de derrotas entre os quatro primeiros — apenas 7 —, demonstrando consistência e regularidade. Terminou 3 pontos atrás do Flamengo.
- Grêmio (4º, 66 pts): 18 vitórias, 12 empates e 8 derrotas. O Tricolor Gaúcho fechou o G4 com 66 pontos, apenas 3 abaixo do Internacional, em disputa apertada que foi resolvida pelo saldo de gols (+22 do Internacional contra +21 do Grêmio) e por critérios anteriores.
O São Paulo, em 5º lugar com 63 pontos, ficou a apenas 3 pontos do Grêmio — o que revela quão acirrada foi a briga pela última vaga na Libertadores. O Tricolor paulista apresentou o mais alto número de empates entre os cinco primeiros: foram 15 no total, traço característico de uma equipe que raramente perdia, mas também que encontrava dificuldades para converter domínio em vitória. O Atlético-MG, em 6º com 59 pontos, e o Atlético Paranaense, em 7º com 57, completaram o grupo de times acima da marca de 57 pontos.
A zona de rebaixamento
A parte de baixo da tabela foi marcada por uma zona de tensão intensa entre o 13º e o 17º lugar — praticamente todos separados por poucos pontos — e por uma situação de colapso quase isolado no 20º posto.
O Paraná Clube foi o caso mais eloquente de fragilidade: apenas 23 pontos ao fim das 38 rodadas, com 4 vitórias, 11 empates e 23 derrotas. O saldo de gols de -39 é o pior da temporada, resultado de 18 gols marcados (menor ataque do campeonato) e 57 sofridos. O clube paranaense foi o primeiro rebaixado, ainda na 32ª rodada (Wikipédia). Seus 23 pontos representam aproveitamento de apenas 20,2%, o mais baixo entre todos os participantes.
O Vitória encerrou a temporada em 19º, com 37 pontos, 9 vitórias e 19 derrotas. A defesa vazada em 63 oportunidades foi a segunda pior do campeonato. O América Mineiro terminou em 18º com 40 pontos — apenas 3 acima da linha de corte para a permanência se considerado o Sport, que ocupou o 17º lugar com 42 pontos. A diferença entre o America Mineiro (rebaixado em 18º) e o Vasco da Gama (salvo em 16º) foi de apenas 3 pontos, ilustrando o quão delgada foi a margem de segurança.
- Sport Recife (17º, 42 pts): 11 vitórias, 9 empates, 18 derrotas. Saldo de -22 e 57 gols sofridos.
- América Mineiro (18º, 40 pts): 10 vitórias, 10 empates, 18 derrotas. Saldo de -17.
- Vitória (19º, 37 pts): 9 vitórias, 10 empates, 19 derrotas. Saldo de -27.
- Paraná (20º, 23 pts): 4 vitórias, 11 empates, 23 derrotas. Saldo de -39.
A zona intermediária também viveu tensão: Corinthians (13º, 44 pts), Chapecoense (14º, 44 pts) e Ceará (15º, 44 pts) terminaram todos com o mesmo número de pontos, separados apenas por saldo de gols e critérios de desempate. O Vasco da Gama, com 43 pontos no 16º lugar, ficou a apenas 1 ponto do trio — e a 3 do rebaixamento.
Artilharia e destaques individuais
A artilharia da Série A 2018 ficou com Gabriel Barbosa, o Gabigol, então atuando pelo Santos. O atacante marcou 18 gols em 35 jogos — média de 0,51 gol por partida —, com 2 assistências e 9 cartões amarelos (Wikipédia). Sua vantagem sobre o segundo colocado foi de 5 gols, o que demonstra domínio individual claro sobre o restante do pelotão.
Ricardo de Oliveira, do Atlético-MG, terminou em segundo lugar com 13 gols e ainda somou 5 assistências em 35 jogos, consolidando-se como um dos jogadores mais completos ofensivamente da temporada. Diego Souza, pelo São Paulo, marcou 12 gols em 32 partidas, enquanto Pablo, do Atlético Paranaense, igualou esse número em 33 jogos. N. López, do Internacional, fechou o top 5 com 11 gols e foi o artilheiro do clube gaúcho, combinando-os com 6 assistências — a segunda maior marca nessa categoria.
No ranking de assistências, Dudu, do Palmeiras, liderou com folga: 14 passes para gol em 31 jogos, somados a 7 gols marcados. Trata-se do jogador com maior participação direta em gols da competição, se somadas suas contribuições ofensivas — 21 no total. Seu aproveitamento como criador foi determinante para o melhor ataque do campeonato.
- Assistências: Dudu (Palmeiras) – 14; Y. Chará (Atlético-MG) – 7; N. López (Internacional) – 6; J. Cazares (Atlético-MG) – 6; Raphael Veiga (Atlético Paranaense) – 6.
Cartões e disciplina
Felipe Melo, do Palmeiras, foi o jogador mais advertido do campeonato, acumulando 15 cartões amarelos em 29 jogos disputados — média de 0,52 advertências por partida. Um perfil combativo que conviveu com os títulos coletivos da equipe. Richardson, do Ceará, veio logo atrás com 13 amarelos, enquanto V. Cuesta (Internacional), J. Carli (Botafogo) e Alison (Santos) encerraram o top 5 com 12 cada.
No ranking de expulsões, G. Cuéllar, do Flamengo, acumulou 3 cartões vermelhos em 28 jogos, o maior número da temporada. Luan, do América Mineiro, e Yago Pikachu, do Vasco da Gama, somaram 2 vermelhos cada — com destaque para Pikachu, que marcou ainda 10 gols e deu 3 assistências, sendo um dos atacantes mais produtivos fora do top 5 de artilheiros.
Números e curiosidades da temporada
- O Palmeiras foi o único clube a liderar simultaneamente o melhor ataque (64 gols) e a melhor defesa (26 sofridos) do campeonato — combinação que não foi alcançada por nenhum outro time.
- O saldo de gols do Palmeiras (+38) foi 8 pontos superior ao do Flamengo (+30), segundo colocado nesse critério.
- O Cruzeiro, em 8º lugar, foi o único time entre os dez primeiros com saldo de gols zerado: 34 marcados e 34 sofridos.
- A diferença de pontos entre o 13º colocado (Corinthians, 44 pts) e o 17º (Sport, 42 pts) foi de apenas 2 pontos, com três equipes empatadas em 44 entre eles.
- O Paraná encerrou a temporada com apenas 18 gols marcados em 38 rodadas — média inferior a 0,5 gol por jogo —, o pior ataque da competição por larga margem.
- Foram disputados 380 jogos com 827 gols, média de 2,18 por partida.
- A competição teve interrupção de 31 dias por conta da Copa do Mundo FIFA 2018 (Wikipédia).
- Yago Pikachu (Vasco da Gama) terminou a temporada com 10 gols, 3 assistências e 2 cartões vermelhos, sendo um dos destaques ofensivos fora dos cinco primeiros artilheiros.
O Brasileirão 2018 entrou para a história como uma das edições mais dominantes de um único clube nos últimos anos, com o Palmeiras somando pontos, gols e equilíbrio defensivo de maneira que seus rivais não conseguiram acompanhar. O título foi selado dois jogos antes do fim, reflexo de uma campanha construída sobre consistência e não sobre lampejos isolados. Nos demais atos da temporada — da briga apertada pelo G4 ao drama na zona de rebaixamento —, o campeonato revelou a complexidade habitual do torneio de maior tradição do futebol brasileiro.
































































