A Série B de 2012 entregou uma das edições mais disputadas e produtivas da segunda divisão do futebol brasileiro: 20 clubes, 38 rodadas, 380 partidas e 1.055 gols marcados — média de 2,78 tentos por jogo. No topo, o Goiás ergueu a taça com 78 pontos após um torneio de consistência ofensiva e solidez defensiva; na base, CRB, Guarani Campinas, Ipatinga e Grêmio Barueri pagaram o preço de campanhas irregulares e desceram para a Série C. Entre os dois extremos, a temporada produziu um artilheiro histórico, goleadas expressivas e uma briga pelo acesso que só se resolveu nos minutos finais da última rodada.
Visão geral da temporada
Com 20 participantes no sistema de pontos corridos, a Série B 2012 exigiu que cada clube disputasse 38 rodadas — 19 como mandante e 19 como visitante — em uma maratona que se estendeu por vários meses do calendário nacional. O volume de gols foi notável: 1.055 bolas nas redes em 380 duelos representam quase três gols por partida, índice que reflete o caráter aberto e competitivo da competição. A zona do G4 — que garante o acesso à Série A — foi alvo de intensa disputa entre seis ou sete equipes durante boa parte do campeonato, enquanto a zona de rebaixamento também manteve elevado grau de tensão até as rodadas derradeiras.
O campeão: Goiás soberano em pontos e na defesa
O Goiás encerrou a competição como o melhor time em praticamente todos os quesitos coletivos relevantes. Com 78 pontos conquistados em 38 jogos — fruto de 23 vitórias, 9 empates e apenas 6 derrotas —, o clube goiano registrou um aproveitamento de 68,4%, superior ao de qualquer outro participante. A campanha se traduziu também na melhor defesa do torneio: apenas 37 gols sofridos em 38 rodadas, número que o Atlético Paranaense igualou, mas nenhum outro time conseguiu alcançar.
Ofensivamente, o Goiás marcou 75 gols — terceiro maior volume da competição —, resultando em um saldo de gols de +38, o mais positivo da tabela. A conquista do título veio selada na 38ª rodada, quando o clube derrotou o Joinville por 2 a 1 no Serra Dourada, confirmando a liderança com folga (Wikipédia). Antes disso, o acesso à Série A já havia sido matematicamente garantido: o Goiás foi o primeiro clube a assegurar a promoção, após bater o Grêmio Barueri por 3 a 0 na 36ª rodada (Wikipédia). Foi o segundo título de Série B na história do clube, que já havia conquistado a competição em 1999 (Wikipédia).
A briga pelo G4: acesso e zebras até o apito final
Se o Goiás cruzou a linha com conforto, o mesmo não pode ser dito sobre as demais vagas de acesso. Criciúma, Atlético Paranaense e Vitória completaram o quarteto promovido, mas o desfecho exigiu nervos de aço.
- Criciúma (2º, 73 pts): Vice-campeão com 73 pontos, 22 vitórias e o melhor ataque da competição — 78 gols marcados. O retorno do clube catarinense à elite do futebol brasileiro aconteceu após oito anos de ausência (Wikipédia), e foi confirmado com um empate de 0 a 0 diante do Atlético Paranaense na 36ª rodada (Wikipédia). A diferença de cinco pontos para o campeão Goiás evidencia que o Criciúma foi o principal rival pelo título até as rodadas finais.
- Atlético Paranaense (3º, 71 pts): O Furacão somou 71 pontos com 21 vitórias e, ao lado do Goiás, dividiu o posto de melhor defesa da competição, com apenas 37 gols sofridos. O saldo de +28 reforça a solidez da equipe paranaense, que subiu à Série A com ampla margem de segurança.
- Vitória (4º, 71 pts): Também com 71 pontos e 21 vitórias, o clube baiano garantiu o quarto e último lugar do G4. Atletico-PR e Vitória terminaram empatados em pontos, vitórias e derrotas (21V, 8E, 9D), sendo o saldo de gols o critério de desempate: +28 para o Atletico-PR contra +16 para o Vitória.
A nota curiosa da classificação diz respeito ao São Caetano, que terminou em 5º lugar com exatamente 71 pontos — os mesmos de Atlético Paranaense e Vitória. Com 20 vitórias, 11 empates e apenas 7 derrotas, o clube paulista ficou de fora do acesso por critérios de desempate, mesmo tendo perdido menos jogos do que os dois times que subiram à sua frente. Um detalhe amargo para a equipe do ABC paulista.
A zona de rebaixamento: queda dramática até a última rodada
Na outra extremidade da tabela, quatro clubes desceram para a Série C, e dois deles somente tiveram o destino selado na 38ª e última rodada — evidência do equilíbrio (e da tensão) que marcou a parte de baixo da tabela.
- Grêmio Barueri (20º, 30 pts): Lanterna da competição, o clube paulista somou apenas 30 pontos em 38 rodadas — 7 vitórias, 9 empates e 22 derrotas —, com saldo de gols de -31. Foi o primeiro rebaixado a ser confirmado, já na 36ª rodada, sem sequer entrar em campo, após resultado adverso de outro clube (Wikipédia). Sofreu 69 gols ao longo da temporada.
- Ipatinga (19º, 31 pts): Com 31 pontos, 8 vitórias e 23 derrotas, o clube mineiro apresentou a pior campanha defensiva da competição: 73 gols sofridos, o maior número entre todos os participantes, e saldo de -35. A queda foi confirmada na 36ª rodada, após derrota fora de casa para o Paraná por 2 a 0 (Wikipédia).
- Guarani Campinas (18º, 41 pts): O histórico clube campineiro somou 41 pontos — dez a mais do que o Ipatinga — mas não resistiu à pressão das rodadas finais e foi rebaixado apenas na última rodada (Wikipédia). Com 10 vitórias e saldo de -11, o Guarani terminou apenas um ponto abaixo do CRB.
- CRB (17º, 42 pts): Assim como o Guarani, o Regatas de Alagoas só teve o destino definitivamente traçado na 38ª rodada (Wikipédia). Com 42 pontos, 12 vitórias e saldo de -20, o clube alagoano caiu com um ponto de vantagem sobre o Guarani, mas sem pontos suficientes para se salvar.
A margem entre o 16º colocado (Guaratinguetá, 43 pts) e o 17º (CRB, 42 pts) foi de apenas um ponto, e entre o 17º e o 18º (Guarani, 41 pts), apenas um ponto também. A tensão na parte baixa da tabela foi proporcional: qualquer tropeço nas rodadas finais poderia mudar completamente o cenário.
Artilharia e destaques individuais
A temporada de 2012 ficou marcada pelo desempenho extraordinário do centroavante José Carlos Ferreira Filho, o Zé Carlos, do Criciúma. Com 27 gols em apenas 30 jogos disputados, o atacante encerrou a competição com uma média superior a 0,9 gols por partida — números que demonstram uma dominância individual incomum para a segunda divisão. Zé Carlos terminou com sete gols a mais do que o segundo colocado na artilharia, Isac, do América-RN, que balançou as redes 20 vezes em 35 partidas.
- 1º – Zé Carlos (Criciúma): 27 gols em 30 jogos. 10 cartões amarelos e 1 vermelho — temperamento combativo a serviço do time campeão do ataque.
- 2º – Isac (América-RN): 20 gols em 35 jogos. 7 amarelos, zero vermelho. Destaque individual de uma equipe que terminou em 9º lugar.
- 3º – João Maria Lima do Nascimento (Joinville): 17 gols em 36 partidas. 7 amarelos. Principal protagonista ofensivo do Joinville, 6º colocado.
- 4º – Marcelo Cirino (Atlético Paranaense): 16 gols em 30 jogos. Apenas 2 amarelos, zero vermelho — eficiência aliada à disciplina.
- 5º – Walter (Goiás): 16 gols em 28 partidas. O centroavante do campeão encerrou a competição como peça fundamental da campanha do título, com 2 amarelos e zero vermelho.
Vale destacar que João Soares da Mota Neto, do Ceará, anotou 13 gols em 30 partidas e ainda acumulou 13 cartões amarelos na temporada — figurando simultaneamente entre os artilheiros e entre os mais advertidos da competição.
Disciplina: os mais advertidos da temporada
No campo disciplinar, o América-RN foi o clube com mais jogadores entre os mais advertidos: Fabinho acumulou 14 cartões amarelos em 30 jogos — o maior número entre todos os atletas da competição —, enquanto Ricardo Abrão do Nascimento somou 12 amarelos em 27 partidas. Bruno Silva, do Avaí, recebeu 13 amarelos e 1 vermelho em apenas 27 jogos, posicionando-se como o segundo mais advertido. Carlos Eduardo Passos Farias, do América Mineiro, fechou o quinteto com 12 amarelos em 25 partidas.
Nos cartões vermelhos, dois jogadores se destacaram negativamente por terem recebido dois cartões vermelhos ao longo do campeonato: Flávio Boaventura, do ABC, que em 30 partidas acumulou 5 amarelos e 2 vermelhos; e Luisinho, do Paraná, com 4 amarelos e 2 vermelhos em 33 jogos.
Números e curiosidades da temporada
A Série B 2012 produziu estatísticas que merecem registro à parte:
- Goleadas expressivas: O Joinville aplicou 6 a 0 no Ipatinga na 11ª rodada, em 17 de julho (Wikipédia). Pouco depois, na 15ª rodada, em 3 de agosto, o próprio Ipatinga sofreu outra goleada histórica: 0 a 6 para o Goiás (Wikipédia). O Grêmio Barueri também protagonizou uma das maiores goleadas da edição, ao ser derrotado por 0 a 6 pelo Atlético Paranaense na 23ª rodada, em 7 de setembro (Wikipédia). Coincidência ou não, os três times que sofreram as maiores goleadas terminaram rebaixados.
- Melhor ataque x melhor defesa: O Criciúma teve o melhor ataque da competição com 78 gols, mas sofreu 57 — o que resultou em saldo de apenas +21. O Goiás equilibrou as duas pontas: marcou 75 e sofreu apenas 37, mesma marca do Atlético Paranaense, ambos dividindo o posto de melhor defesa (Wikipédia).
- Empate triplo no G4 e fora dele: Atlético Paranaense, Vitória e São Caetano terminaram o campeonato com exatamente 71 pontos cada. Apenas os critérios de desempate separaram o acesso à Série A do 5º lugar.
- Volume goleador: 1.055 gols em 380 partidas representam uma média de 2,78 por jogo — ritmo de ataque que caracterizou uma edição ofensiva da Série B.
- Campeonato do título histórico: A conquista de 2012 representou o segundo título de Série B do Goiás, 13 anos após o primeiro, em 1999 (Wikipédia).
A Série B de 2012 entregou ao futebol brasileiro quatro times promovidos — Goiás, Criciúma, Atlético Paranaense e Vitória — com campanhas de alto aproveitamento, e sepultou as pretensões de CRB, Guarani, Ipatinga e Grêmio Barueri, que seguiram para a terceira divisão. Entre recordes de artilharia, goleadas memoráveis e classificação resolvida apenas na última rodada para pelo menos dois rebaixados, a edição ficou registrada como uma das mais movimentadas da história recente da competição.






































