A Série B de 2022 entrou para a história do futebol brasileiro como uma das edições mais marcantes da segunda divisão nacional. Com 20 clubes disputando 38 rodadas cada, a competição produziu 766 gols em 380 jogos — média de 2,02 tentos por partida —, reuniu tradicionais nomes do futebol do país em busca do retorno à elite e foi dominada de forma quase absoluta por um Cruzeiro que reescreveu registros históricos. A temporada também reservou disputas acirradas pelo acesso e rebaixamentos decididos nas últimas semanas, compondo um calendário de alto nível para a segunda divisão.
Visão Geral da Temporada
A edição de 2022 da Série B reuniu vinte equipes em um formato de pontos corridos, com os quatro primeiros colocados garantindo acesso à Série A de 2023 e os quatro últimos sendo rebaixados à Série C. O Cruzeiro ditou o ritmo da competição praticamente do início ao fim, enquanto Grêmio, Bahia e Vasco da Gama travaram uma disputa consistente pelas demais vagas de acesso. Na outra ponta da tabela, CSA, Brusque, Operário-PR e Náutico não conseguiram pontuação suficiente para escapar da degola. A competição contou ainda com artilharia histórica de Gabriel Poveda e com uma zona intermediária bastante equilibrada, com vários clubes separados por poucos pontos entre as posições 5 e 16.
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Cruzeiro foi, de longe, o time da temporada. Com 78 pontos conquistados em 38 jogos — aproveitamento de 68,4% —, a Raposa somou 23 vitórias, 9 empates e apenas 6 derrotas, consolidando uma campanha que não encontrou paralelo entre os demais concorrentes. A distância de 13 pontos para o vice-campeão Grêmio, que terminou com 65, ilustra o grau de dominância do clube mineiro ao longo dos nove meses de competição.
No campo ofensivo, o Cruzeiro foi o melhor ataque da Série B, com 57 gols marcados, e, ao mesmo tempo, a melhor defesa, com apenas 26 gols sofridos — saldo de +31, o maior da tabela. Ataque e defesa de elite na mesma equipe é combinação rara em qualquer divisão, e o clube soube equilibrar as duas virtudes ao longo de toda a campanha.
O título foi sacramentado antes mesmo que a última bola rolasse: (Wikipédia) o Cruzeiro garantiu o troféu com seis rodadas de antecedência, tornando-se o campeão mais antecipado da história da Série B. Antes disso, o acesso à Série A já havia sido confirmado com sete rodadas de sobra ao bater o Vasco da Gama por 3 a 0 em casa (Wikipédia). O título em si veio sem o clube precisar entrar em campo, após derrotas de Grêmio e Bahia na 37ª rodada (Wikipédia) — desfecho que resume o quanto a Raposa esteve à frente dos rivais durante toda a temporada.
A Briga pelo G4 e o Acesso
Com o Cruzeiro isolado no topo, as três vagas restantes de acesso foram disputadas por Grêmio, Bahia e Vasco da Gama, clubes que chegaram às rodadas finais em posições muito próximas. O Tricolor Gaúcho terminou na segunda colocação com 65 pontos (17V, 14E, 7D), exibindo uma das campanhas mais sólidas em número de empates — 14 ao todo —, o que refletiu um estilo mais cauteloso, porém consistente. O saldo de gols do Grêmio foi +24, com 50 marcados e 26 sofridos, mesma quantidade de gols cedidos pelo campeão.
Bahia e Vasco da Gama terminaram empatados em pontos (62) e vitórias (17), com os mesmos 11 empates e 10 derrotas. A diferença entre os dois foi o saldo de gols: +14 para o Bahia contra +12 para o Vasco, o que posicionou o clube baiano em terceiro lugar. O Vasco, no entanto, teve o segundo melhor ataque entre os promovidos ao lado do Grêmio, com 48 gols, e contou com a contribuição individual de Nenê, o líder em assistências da temporada. (Wikipédia) Bahia e Vasco da Gama confirmaram o acesso somente na última rodada, enquanto o Grêmio havia assegurado a subida ao vencer o Náutico por 3 a 0 fora de casa na antepenúltima rodada.
Logo abaixo da zona de acesso, o Sampaio Corrêa foi o clube que mais ameaçou entrar no G4, terminando em quinto com 58 pontos — apenas 4 a menos que Bahia e Vasco. A equipe maranhense encerrou o campeonato com saldo positivo (+6) e foi protagonista em quesitos individuais, como se verá adiante.
A Zona de Rebaixamento
Na parte de baixo da tabela, quatro clubes não sobreviveram à pressão e desceram à Série C. O Náutico Recife teve a pior campanha geral: 30 pontos, 8 vitórias, apenas 6 empates e 24 derrotas, com um saldo de -33 — o mais negativo de toda a divisão — e 65 gols sofridos, também o pior número da tabela. A disparidade do clube pernambucano em relação ao 17º colocado, o CSA (42 pontos), foi de 12 pontos, evidenciando que o Náutico esteve em categoria separada na luta contra o rebaixamento.
Brusque e Operário-PR somaram 34 pontos cada, sendo separados pelo saldo de gols: -17 para o Brusque e -22 para o Operário-PR. O clube catarinense teve o ataque mais apagado entre os rebaixados, com somente 21 gols marcados em 38 partidas. O CSA, quarto a descer, fechou o campeonato com 42 pontos e saldo de -8, indicando que o rebaixamento foi decidido nos detalhes — um rendimento ligeiramente melhor poderia tê-lo mantido na Série B.
(Wikipédia) Brusque e Náutico foram matematicamente rebaixados na 36ª rodada, após vitória da Chapecoense. O Operário-PR foi confirmado na degola na mesma rodada ao perder para o CRB por 2 a 1 em Maceió. Já o CSA confirmou o rebaixamento somente na última rodada, ao ser derrotado pelo Cruzeiro por 3 a 2.
O limite entre a permanência e a queda foi estreito: o 16º colocado Novorizontino fechou com 44 pontos, apenas 2 a mais que o CSA. Isso demonstra que a zona de rebaixamento foi decidida no fio da navalha até perto do final da temporada.
Artilharia e Destaques Individuais
O grande nome individual da Série B 2022 foi Gabriel Poveda, atacante do Sampaio Corrêa. O colombiano terminou a temporada como artilheiro isolado, com 19 gols em 37 jogos — média superior a 0,51 gol por partida. Poveda superou o vice-artilheiro Lucca, da Ponte Preta, por quatro gols (19 contra 15), em uma temporada em que atuou para um clube que terminou em quinto lugar, fora do G4. Sua eficiência individual foi ainda mais notável pelo fato de sua equipe não ter conquistado o acesso, evidenciando que o rendimento do atacante foi praticamente o único fator diferencial do Sampaio Corrêa na briga pelo topo.
O pódio da artilharia ficou assim composto:
- Gabriel Poveda (Sampaio Corrêa) — 19 gols em 37 jogos
- Lucca (Ponte Preta) — 15 gols em 28 jogos
- Diego Souza (Grêmio) — 14 gols em 32 jogos
- Edu (Cruzeiro) — 11 gols em 33 jogos
- Hygor (Cricíuma) — 10 gols em 31 jogos
Diego Souza foi o jogador mais completo entre os cinco primeiros artilheiros: além de 14 gols, distribuiu 5 assistências em 32 partidas pelo Grêmio, acumulando participação direta em 19 gols do vice-campeão — número que sozinho representa 38% de tudo que o clube marcou na temporada.
No ranking de assistências, o destaque foi a divisão do primeiro lugar entre dois jogadores com estilos bem diferentes:
- Nenê (Vasco da Gama) — 7 assistências e 7 gols em 33 jogos
- Jamerson (Guarani Campinas) — 7 assistências em apenas 19 jogos
- Anselmo Ramon (CRB) — 6 assistências e 9 gols em 32 jogos
- Pimentinha (Sampaio Corrêa) — 6 assistências em 28 jogos
- Diego Souza (Grêmio) — 5 assistências em 32 jogos
Nenê foi o grande fio condutor do Vasco na temporada, sendo ao mesmo tempo um dos artilheiros e o líder em assistências do clube carioca. Jamerson, do Guarani, chamou atenção pela alta taxa de criação em apenas 19 partidas disputadas. Já Anselmo Ramon, do CRB, somou 15 participações diretas em gols (9 marcados e 6 assistidos), tornando-se o jogador mais produtivo de um time que terminou na 11ª posição com 50 pontos.
Cartões: Os Mais Indisciplinados da Temporada
No capítulo disciplinar, o Sampaio Corrêa teve presença marcante tanto na artilharia quanto nos cartões amarelos. Rafael Vila liderou o ranking com 12 amarelos em 32 jogos — empatado com Arthur Rezende, do Vila Nova, que também chegou a 12 advertências no mesmo número de partidas. Outros três jogadores atingiram a marca de 11 cartões amarelos: Felipe Amaral (Ponte Preta), Matheus Bianqui (Chapecoense) e Jean Carlos (Náutico Recife).
Nos cartões vermelhos, Lucas Dias, do Ituano, e R. Rios, do Guarani Campinas, lideraram com 2 expulsões cada. R. Rios, no entanto, acumulou essa marca em apenas 9 jogos disputados, o que aponta para uma média de indisciplina fora do comum. Perotti, da Chapecoense, foi o jogador com mais gols (6) entre os que receberam dois cartões vermelhos na temporada.
Números e Curiosidades da Temporada
A Série B 2022 reservou uma série de dados que merecem registro:
- O campeonato produziu 766 gols em 380 jogos, com média de 2,02 gols por partida.
- O Cruzeiro foi, ao mesmo tempo, melhor ataque (57 gols marcados) e melhor defesa (26 gols sofridos) da competição — feito que explica a distância de 13 pontos para o segundo colocado.
- (Wikipédia) O título do Cruzeiro foi o mais antecipado da história da Série B, confirmado com seis rodadas de antecedência.
- (Wikipédia) A maior goleada da temporada foi Grêmio Novorizontino 6–0 Náutico, disputada em 14 de outubro.
- Bahia e Vasco terminaram com idênticos 62 pontos, 17 vitórias, 11 empates e 10 derrotas, sendo separados pelo saldo de gols (+14 contra +12).
- O Vila Nova acumulou 20 empates em 38 rodadas — a maior quantidade da tabela —, terminando na 13ª posição com 47 pontos.
- O Náutico sofreu 65 gols em 38 jogos, a pior defesa da competição, e teve apenas 6 empates em toda a temporada.
- A diferença entre o 5º colocado (Sampaio Corrêa, 58 pontos) e o 16º (Novorizontino, 44 pontos) foi de apenas 14 pontos, revelando a densidade competitiva do meio da tabela.
- Gabriel Poveda marcou 19 gols para um time que ficou fora do G4, tornando-se artilheiro de uma edição em que nenhum dos quatro atacantes promovidos atingiu a mesma marca.
- (Wikipédia) A edição de 2022 foi considerada recordista em participação de ex-campeões da Série A, reunindo clubes de grande expressão nacional na segunda divisão.
A Série B 2022 ficará na memória como a temporada do retorno — de Cruzeiro, Grêmio, Bahia e Vasco à elite do futebol brasileiro —, e como a edição em que um clube impôs sua superioridade de maneira tão precoce e consistente que a questão do título foi encerrada antes mesmo que as últimas rodadas trouxessem emoção à parte de cima da tabela. O que restou foi a disputa pelas demais vagas e a luta desesperada na parte de baixo: material mais do que suficiente para que 2022 seja lembrada como uma tempor


































































