A Série B de 2024 ficará marcada na história do futebol brasileiro como uma das edições mais equilibradas e dramáticas da segunda divisão nacional: 38 rodadas de disputas intensas, 380 partidas, 832 gols marcados e um G4 que só se fechou completamente na rodada final. Santos, Mirassol, Sport Recife e Ceará conquistaram o acesso à Série A de 2025, enquanto Ponte Preta, Ituano, Brusque e Guarani Campinas fizeram o caminho inverso rumo à terceira divisão.
Visão geral da temporada
Com vinte clubes disputando a liga em turno e returno, a Série B 2024 produziu uma média de 2,19 gols por jogo — ritmo que sustentou o interesse das torcidas durante toda a campanha. No total, 832 gols foram distribuídos ao longo das 380 partidas, números que atestam a competitividade e a presença de equipes ofensivas no pelotão de cima. O topo da tabela foi marcado por um pelotão de ao menos seis times que mantiveram pretensões de acesso por longos trechos da competição, tornando cada rodada decisiva. A separação entre o campeão Santos (68 pontos) e o quinto colocado Novorizontino (64 pontos) foi de apenas quatro pontos, retrato fiel do quanto a briga pelo G4 permaneceu em aberto até o último apito. Na outra ponta, a zona de rebaixamento teve quatro times com desempenhos claramente abaixo do pelotão, confirmando ao menos algumas das quedas cedo — mas gerando tensão entre as equipes da parte intermediária da tabela até o fim.
O campeão Santos e a conquista do título
A volta do Santos à elite nacional em 2025 encerra um capítulo amargo para o clube praiano, que disputou a Série B pela primeira vez em dezoito anos (Wikipédia). A campanha santista foi consistente: 20 vitórias, 8 empates e 10 derrotas em 38 jogos, somando 68 pontos e o melhor ataque entre os quatro primeiros colocados, com 57 gols marcados e apenas 32 sofridos — saldo de +25, o maior da competição.
O acesso matemático foi garantido com duas rodadas de antecedência, após vitória sobre o Coritiba por 2 a 0 (Wikipédia). Já o título veio de forma inusitada: o Santos sagrou-se campeão sem entrar em campo, beneficiado pelo empate de 1 a 1 entre Novorizontino e Paysandu, que eliminou a possibilidade de o Mirassol — vice com 67 pontos — alcançá-lo (Wikipédia). Um ponto de vantagem sobre o vice e dois sobre o terceiro colocado Sport Recife resumem o quanto a hegemonia foi construída na consistência, e não em folga confortável.
A contribuição ofensiva do atacante Guilherme foi central: 10 gols e 8 assistências em 29 jogos, tornando-o o jogador mais participativo na criação de chances de toda a competição. No lado disciplinar, o zagueiro Luis Fellipe acumulou 3 cartões vermelhos e 10 amarelos em 29 partidas — o atleta com mais expulsões no campeonato.
A briga pelo G4 e o acesso à Série A
Poucas vezes na história recente da Série B o G4 foi tão disputado até a rodada derradeira. Os quatro clubes promovidos foram definidos apenas na 38ª e última rodada (Wikipédia), com Santos, Mirassol, Sport Recife e Ceará confirmando o acesso. A sequência de pontuações ilustra o equilíbrio:
- Santos (1º): 68 pontos — 20V/8E/10D — GP 57, GC 32, SG +25
- Mirassol (2º): 67 pontos — 19V/10E/9D — GP 42, GC 26, SG +16
- Sport Recife (3º): 66 pontos — 19V/9E/10D — GP 57, GC 37, SG +20
- Ceará (4º): 64 pontos — 19V/7E/12D — GP 59, GC 41, SG +18
O Mirassol merece destaque especial: vice-campeão com 67 pontos, o clube do interior paulista apresentou a melhor defesa de toda a competição, com apenas 26 gols sofridos em 38 jogos — média inferior a 0,7 gol por partida. A solidez defensiva permitiu ao time acumular somente 9 derrotas, a menor marca entre os quatro primeiros.
O Sport Recife, terceiro colocado, empatou com Santos na quantidade de gols marcados (57) e registrou o segundo melhor saldo positivo entre os promovidos (+20), demonstrando poder ofensivo comparável ao campeão. Já o Ceará, quarto e com o maior número de gols marcados da competição (59), pagou o preço da defesa mais vazada do G4 (41 gols sofridos) e do maior número de derrotas entre os classificados (12).
Ficaram de fora Novorizontino (5º, 64 pontos) e Goiás (6º, 63 pontos), ambos com campanhas que em outras edições seriam suficientes para o acesso. O Novorizontino, em particular, encerrou com os mesmos 64 pontos do Ceará, separado apenas pelos critérios de desempate — prova cabal do quanto a temporada foi equilibrada.
A zona de rebaixamento
A parte de baixo da tabela teve quatro times que não conseguiram sustentar o nível mínimo exigido para a permanência na segunda divisão. Ponte Preta, Ituano, Brusque e Guarani Campinas desceram à Série C.
- Guarani Campinas (20º): 33 pontos — 8V/9E/21D — GP 33, GC 53, SG -20
- Brusque (19º): 36 pontos — 8V/12E/18D — GP 24, GC 44, SG -20
- Ituano (18º): 37 pontos — 11V/4E/23D — GP 43, GC 63, SG -20
- Ponte Preta (17º): 38 pontos — 10V/8E/20D — GP 37, GC 55, SG -18
Os três últimos colocados encerraram a temporada com o mesmo saldo de gols negativo (-20), detalhe que evidencia a fragilidade defensiva como denominador comum das campanhas fracassadas. O Brusque, inclusive, foi o primeiro clube a ter o rebaixamento confirmado, ainda na 36ª rodada, após derrota para o Paysandu por 1 a 0 (Wikipédia). O Ituano registrou o maior número de derrotas de toda a competição: 23 em 38 jogos, mais de 60% das partidas encerradas com resultado negativo. Já a Ponte Preta garantiu matematicamente a permanência na zona de queda com 38 pontos, apenas cinco a mais do que o lanterna Guarani — margem que indica o quanto o clube campineiro esteve vulnerável durante toda a segunda metade da competição.
O CRB, 16º colocado com 43 pontos, foi o time que mais se aproximou da degola sem cair: terminou com apenas 5 pontos a mais que a Ponte Preta, o que demonstra que a parte intermediária da tabela também não viveu uma temporada tranquila.
Artilharia e destaques individuais
A artilharia da Série B 2024 foi decidida de forma incomum: três jogadores terminaram empatados com 11 gols, mas o critério de desempate colocou Erick Pulga, do Ceará, no topo. Vale registrar, porém, que a Wikipédia aponta Erick Pulga com 13 gols na competição — número divergente dos 11 registrados na base de dados utilizada nesta apuração; a Equipe Faro adota os dados internos como referência primária.
Os cinco maiores artilheiros:
- Erick Pulga (Ceará) — 11 gols em 29 jogos, 1 assistência e apenas 2 cartões amarelos, mostrando eficiência e disciplina.
- Alesson (Vila Nova) — 11 gols em 35 jogos, mais 6 assistências e 4 amarelos — um dos jogadores mais completos da competição, a despeito do clube ter terminado em 9º.
- Saulo Mineiro (Ceará) — 11 gols em 30 jogos, com 5 assistências, mas também o artilheiro mais advertido: 10 cartões amarelos acumulados.
- E. García (Paysandu) — 10 gols em 31 jogos, sem nenhuma assistência registrada — centroavante de área pura, decisivo para o Paysandu terminar em 13º.
- Guilherme (Santos) — 10 gols em 29 jogos, com 8 assistências e apenas 2 amarelos — o jogador mais participativo em finalizações e criações do campeonato.
Na tabela de assistências, Guilherme (Santos) e Lucas Lima (Sport Recife) dividiram o topo com 8 passes para gol cada. Lucas Lima fez isso em 35 jogos, acumulando também 2 gols e 6 cartões amarelos. Alesson (Vila Nova) e Rodrigo Soares (Novorizontino) aparecem empatados em seguida, com 6 assistências cada, enquanto Saulo Mineiro fecha o top-5 com 5.
Cartões e fair play
No quesito disciplinar, C. Ortíz, do Sport Recife, liderou o ranking de amarelos com 13 cartões em 30 partidas — praticamente um a cada 2,3 jogos. Saimon, do CRB, e Bruno Melo, do Coritiba, aparecem logo atrás com 12 amarelos cada, mas em perfis distintos: Saimon os acumulou em apenas 23 partidas, enquanto Bruno Melo disputou 35 jogos.
Nos cartões vermelhos, Luis Fellipe, do Santos, foi o atleta mais expulso da competição: 3 vermelhos e 10 amarelos em 29 jogos, combinação que representa uma das maiores cargas disciplinares individuais do campeonato. Fernandinho, do Mirassol, e Miranda e A. Alvariño, ambos do Amazonas, somaram 2 vermelhos cada — com Fernandinho contribuindo também com 5 gols e 3 assistências, mostrando que sua agressividade andou de mãos dadas com produtividade.
Números e curiosidades da temporada
- A Série B 2024 produziu 832 gols em 380 jogos, média de 2,19 por partida.
- O melhor ataque foi do Ceará, com 59 gols marcados — o único clube a ultrapassar a barreira dos 58 tentos.
- A melhor defesa foi do Mirassol, com apenas 26 gols sofridos em 38 rodadas.
- Santos, campeão, teve simultaneamente o segundo melhor ataque (57 gols, empatado com Sport Recife) e a segunda melhor defesa entre os quatro primeiros (32 gols sofridos).
- Guarani Campinas, Brusque e Ituano encerraram a temporada com o mesmo saldo de gols: -20.
- O G4 foi definido somente na última rodada (Wikipédia), com quatro clubes em apenas quatro pontos de separação entre o 1º e o 4º colocado.
- Santos retornou à elite após dezoito anos de ausência da Série B (Wikipédia), fato inédito para um clube de seu porte histórico.
- O Amazonas disputou a Série B pela primeira vez em 18 anos (Wikipédia), representando mais uma equipe da região Norte na segunda divisão.
- O título ao Santos foi sacramentado sem que o clube jogasse na rodada decisiva, resultado direto do empate entre Novorizontino e Paysandu (Wikipédia).
- Entre os rebaixados, o Ituano foi o único com saldo ofensivo positivo individualmente considerando apenas os gols marcados (43) — mas os 63 gols sofridos foram determinantes para a queda, a pior marca defensiva de toda a competição.
- Novorizontino terminou em 5º com 64 pontos — mesma pontuação do 4º colocado Ceará —, evidenciando o quanto a temporada penalizou clubes com campanhas que, em outras edições, teriam sido suficientes para o acesso.
A Série B 2024 entregou tudo o que a segunda divisão tem de melhor: incerteza até o último minuto, equilíbrio técnico, protagonistas individuais de nível e uma virada na história de dois gigantes — Santos e Ceará — que retornam à elite nacional. A temporada consolida o Brasileirão Série B como uma das ligas de segundo nível mais competitivas do continente.





























































