O River Plate dominou a Primera División Argentina de 2023 de ponta a ponta, encerrando a temporada com 61 pontos em 27 rodadas e uma folga de 11 pontos sobre o vice-campeão Talleres Córdoba. Em um torneio disputado por 28 equipes — com Belgrano e Instituto entre os promovidos da Primera Nacional 2022 (Wikipédia) — o conjunto millonario entregou os números mais dominantes da competição, conquistando seu 38º título nacional e abrindo três troféus de vantagem sobre o arquirrival Boca Juniors, que somava 35 (Wikipédia).
Visão geral da temporada
A edição de 2023 reuniu 28 clubes ao longo de 27 rodadas, totalizando 378 jogos disputados e 778 gols marcados, o que resultou em uma média de 2,06 tentos por partida — cadência suficiente para manter o torneio atrativo sem caracterizá-lo como uma liga de alto volume ofensivo. O certame teve como naming sponsor a corretora de criptomoedas Binance, primeira empresa do setor a ocupar esse espaço em um campeonato argentino de primeira linha (Wikipédia). A entrada de Belgrano e Instituto, recém-promovidos, reforçou o campo de disputantes e, como se verá adiante, produziu contribuições individuais relevantes para as estatísticas da temporada.
A tabela revelou um campeonato com bloco intermediário bastante comprimido: da quinta à décima posição, os times acumularam entre 40 e 45 pontos, apenas um ou dois pontos separando clubes de grande tradição como Boca Juniors, Defensa y Justicia e Estudiantes L.P. Essa densidade na zona de classificação continental contrastou com a disparidade no topo, onde o River Plate construiu vantagem insuperável ao longo do semestre.
O campeão e como conquistou o título
Com 19 vitórias, 4 empates e apenas 4 derrotas, o River Plate exibiu consistência defensiva e eficiência ofensiva raramente vistas em simultâneo na mesma equipe. O aproveitamento de 75,3% é a tradução matemática de uma campanha sem concessões prolongadas. O ataque millonario foi o mais produtivo do torneio, com 50 gols marcados, enquanto a defesa cedeu apenas 20 — saldo positivo de 30, o maior da competição.
O título foi confirmado em 15 de julho de 2023, quando o River derrotou o Estudiantes por 3 a 1 no estádio Monumental de Nuñez (Wikipédia). Com o troféu em mãos, o clube se garantiu na Taça Libertadores 2024, além de vaga na Supercopa da Argentina 2023 e no Troféu dos Campeões 2023 (Wikipédia). Era o 38º título nacional do clube, número que ampliou sua supremacia histórica sobre Boca Juniors, dono de 35 conquistas (Wikipédia).
A diferença de 11 pontos para o vice-campeão Talleres Córdoba — que terminou com 50 pontos — ilustra que a hegemonia do River não foi construída em cima de resultados finais apertados: foi sustentada rodada a rodada, com vitórias acumuladas e poucas oscilações.
A briga pelo G4 e a classificação continental
Com o River apartado na liderança, a disputa pelas demais posições do G4 foi acirrada até o encerramento da fase. Talleres Córdoba garantiu o segundo lugar com 50 pontos, campanha equilibrada de 14 vitórias, 8 empates e 5 derrotas, com saldo de gols de +19 — o segundo mais robusto do torneio, sinalizando uma equipe que soube atacar sem se expor em demasia.
San Lorenzo fechou em terceiro com 46 pontos. Curiosamente, o clube não figurou entre os mais prolíficos ofensivamente — apenas 23 gols marcados —, mas compensou com a melhor defesa do campeonato: somente 13 gols sofridos em 27 jogos, média inferior a meio gol por partida. Esse equilíbrio defensivo foi determinante para sustentar 12 vitórias e apenas 5 derrotas.
O quarto lugar coube ao Lanús, com 45 pontos (12 vitórias, 9 empates, 6 derrotas). A um único ponto atrás na quinta posição estava o Estudiantes L.P., com exatamente os mesmos 45 pontos, idêntica quantidade de vitórias e empates e mesmo saldo de +11 — mas posicionado atrás por critério de desempate. Defensa y Justicia (44 pontos) e Boca Juniors (também 44 pontos) completaram a zona de classificação nas imediações, deixando claro que quatro a seis clubes podiam aspirar às vagas continentais até o fim.
A zona de rebaixamento
Quatro clubes foram rebaixados à Primera Nacional ao término da temporada. Arsenal Sarandi ocupou a última posição com apenas 22 pontos, resultado de 6 vitórias, 4 empates e 17 derrotas — o pior desempenho do torneio em número de insucessos. Seu saldo de gols foi de -16, com 18 marcados e 34 sofridos.
Colón de Santa Fe terminou na 27ª posição com 25 pontos. A campanha do clube ilustrou um dos padrões mais difíceis de reverter no futebol: apenas 4 vitórias em 27 jogos, com 13 empates que acumularam pontos de forma vagarosa, insuficiente para escapar da degola. Colón e Arsenal foram confirmados como rebaixados à Primera Nacional (Wikipédia).
Huracán ocupou a 26ª posição com 25 pontos — igual a Colón, mas com saldo inferior (-11 contra -13 do adversário, porém com mais derrotas: 14). Vélez Sarsfield, na 25ª colocação, foi o quarto a descer, somando 27 pontos em campanha marcada por 5 vitórias e 12 empates — o maior número de empates entre os rebaixados, indicando dificuldade de transformar competitividade em resultados positivos. A margem entre Vélez (27 pontos) e Independiente, na 24ª posição (28 pontos), foi de apenas um ponto, sinalizando quão estreita foi a linha entre permanência e queda.
Artilharia e destaques individuais
Gols
G. Ávalos, do Argentinos Juniors, encerrou a temporada como artilheiro isolado com 17 gols em 36 jogos — média de 0,47 tentos por partida. Sua campanha foi limpa disciplinarmente: apenas 4 cartões amarelos e nenhum vermelho. A. Martínez, do Instituto Córdoba — um dos recém-promovidos —, ficou a apenas um gol do topo, com 16 tentos em 38 jogos. Apesar de não ter sido expulso, acumulou 12 cartões amarelos, o maior índice disciplinar entre os cinco primeiros da artilharia.
Na terceira posição, M. Merentiel (Boca Juniors) e L. Díaz (Lanús) empataram com 14 gols cada. Merentiel disputou apenas 31 partidas, o que eleva sua eficiência individual, mas também recebeu o único cartão vermelho entre os cinco primeiros da tabela de gols. Díaz, pelo Lanús — equipe que terminou em quarto lugar —, foi peça central na produção ofensiva do clube e contribuiu com 3 assistências, além de 12 amarelos.
M. Santos, do Talleres Córdoba, fechou o top 5 com 13 gols em apenas 24 partidas — a menor quantidade de jogos entre os cinco artilheiros — e acrescentou 5 assistências, a maior contribuição defensiva do grupo. Sua eficiência confirma o papel determinante que exerceu na campanha do vice-campeão.
Assistências
U. Sánchez, do Belgrano Córdoba (outro promovido da temporada anterior), liderou o ranking de assistências com 10 passes para gol em 41 jogos, além de marcar 4 gols. R. Garro, do Talleres, ficou em segundo com 9 assistências e ainda contribuiu com 7 gols em 40 jogos — perfil completo e decisivo. J. Campaz e V. Malcorra, ambos do Rosario Central, somaram 8 assistências cada e figuraram entre os mais participativos da liga, ajudando o clube a terminar em oitavo lugar com 42 pontos. P. Solari, do River Plate, fechou o top 5 em assistências com 7, agregando ainda 9 gols — números que reforçam a leitura de que o campeão era um conjunto coletivo, não dependente de um único nome.
Cartões amarelos e vermelhos
D. Martínez, do Rosario Central, foi o jogador mais advertido do torneio com 16 cartões amarelos em 38 partidas — média próxima de um amarelo a cada dois jogos e meio. Seu companheiro de clube K. Ortíz ficou logo atrás com 15 amarelos em 37 jogos. O Rosario Central, portanto, teve dois dos três jogadores mais advertidos do campeonato, dado que aponta para um estilo de jogo fisicamente intenso. G. Fernández, do Boca Juniors, somou 14 amarelos em 29 partidas — o maior índice relativo de advertências entre os cinco primeiros da lista.
Na disciplina mais grave, C. Lema (Boca Juniors) e A. Rébola (Belgrano Córdoba) dividiram o topo com 3 expulsões cada ao longo da temporada — números expressivos que, no caso de Lema, vieram acompanhados de 11 amarelos em 37 jogos.
Números e curiosidades da temporada
- O River Plate conquistou seu 38º título do Campeonato Argentino, ampliando para três a vantagem sobre o Boca Juniors (35) na maior coleção de títulos nacionais (Wikipédia).
- O torneio teve o melhor ataque (River Plate, 50 gols) e a melhor defesa (San Lorenzo, 13 gols sofridos) em times diferentes, o que demonstra que eficiência ofensiva e solidez defensiva não andaram necessariamente juntas.
- A maior goleada registrada nos dados disponíveis foi Argentinos Juniors 5 a 1 sobre Unión de Santa Fe, em 11 de abril (Wikipédia).
- A diferença de pontos entre o campeão (61) e o último colocado Arsenal Sarandi (22) foi de 39 pontos — extensão que evidencia o amplo espectro de desempenho entre os 28 participantes.
- Talleres Córdoba e Rosario Central foram os dois clubes com maior presença no top 5 de assistências, com dois representantes cada.
- A media de 2,06 gols por jogo em 378 partidas produziu um total de 778 gols ao longo do campeonato.
- O Colón de Santa Fe encerrou a temporada com apenas 4 vitórias — o menor número entre todos os 28 participantes —, mesmo disputando todos os 27 jogos.
- Belgrano e Instituto, as duas equipes promovidas em 2022, contribuíram com o líder de assistências (U. Sánchez, de Belgrano) e o segundo artilheiro (A. Martínez, de Instituto), mostrando que os recém-chegados se integraram competitivamente à elite do futebol argentino.
- O título foi sacramentado em 15 de julho de 2023, com vitória de 3 a 1 sobre o Estudiantes L.P. no estádio Monumental de Nuñez, casa do próprio campeão (Wikipédia).
A temporada 2023 da Primera División Argentina ficará registrada pela dominância técnica do River Plate, pelo surgimento de artilheiros fora dos grandes centros históricos e pelo equilíbrio tenso na zona intermediária da tabela, que manteve clubes tradicionais em constante alerta até as rodadas finais. Com quatro rebaixados e dois promovidos que deixaram suas marcas individuais, o campeonato entregou uma narrativa rica em dados e em disputas paralelas à briga pelo troféu.



































































