O Real Madrid encerrou um jejum de cinco anos e reconquistou a LaLiga na temporada 2016-17, superando o Barcelona por apenas três pontos em uma disputa que se estendeu até a rodada final. Com 93 pontos, 29 vitórias e apenas três derrotas em 38 rodadas, o clube merengue levantou seu 33º título nacional (Wikipédia), encerrando o ciclo de hegemonia catalã e recolocando Madrid no centro do futebol espanhol. A temporada foi marcada por números ofensivos impressionantes — 1.118 gols em 380 partidas, média de 2,94 por jogo —, pela dominância individual de Lionel Messi na artilharia e por uma zona de rebaixamento que expôs a fragilidade defensiva de três clubes em especial.
Visão geral da temporada
A LaLiga 2016-17 reuniu 20 clubes em uma competição de turno e returno, totalizando 380 partidas e 1.118 gols marcados. A média de 2,94 gols por jogo atesta o caráter ofensivo da temporada. O topo da tabela foi dominado pelos três clubes de sempre — Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid —, que somaram, respectivamente, 93, 90 e 78 pontos, criando um bloco de elite bem separado do restante da divisão. A diferença de 21 pontos entre o terceiro colocado, o Atlético, e o quarto colocado, o Sevilla (72 pontos), ilustra o abismo entre os grandes e os demais aspirantes.
A temporada também evidenciou um campeonato equilibrado na faixa intermediária da tabela: Villarreal (5º, 67 pts), Real Sociedad (6º, 64 pts) e Athletic Club (7º, 63 pts) ficaram separados por apenas quatro pontos, enquanto Espanyol (8º, 56 pts), Alavés (9º, 55 pts) e Eibar (10º, 54 pts) formaram outro bloco compacto. Na extremidade inferior, a separação foi clara e cruel.
O campeão e como conquistou o título
O Real Madrid chegou ao título com uma campanha de alto desempenho: 29 vitórias, seis empates e apenas três derrotas, com 106 gols marcados e 41 sofridos, gerando um saldo positivo de 65. O aproveitamento de 81,6% em 38 rodadas é compatível com campanhas históricas da liga espanhola. A conquista encerrou um jejum de cinco temporadas sem o título nacional para o clube madrilenho (Wikipédia), que havia sido campeão pela última vez na temporada 2011-12.
O título foi decidido na rodada final, com o Real Madrid terminando três pontos à frente do Barcelona (Wikipédia). O vice-campeão catalão, que chegava à temporada como detentor do troféu, teve uma campanha numericamente superior em um quesito: o ataque. Com 116 gols marcados, o Barcelona registrou o melhor ataque da competição — dez a mais do que os 106 do campeão. Porém, o Real Madrid sustentou maior consistência ao longo da temporada, convertendo três pontos a mais no placar final. Vale destacar que o Real Madrid chegou a marcar pelo menos um gol em todas as 64 partidas disputadas em qualquer competição desde o início da temporada, a primeira vez que um clube espanhol conseguia essa façanha na história (Wikipédia).
A briga pelo G4 e a classificação continental
As quatro vagas para a fase de grupos da UEFA Champions League foram ocupadas por Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid e Sevilla. O Atlético de Madrid confirmou sua posição como terceira força do futebol espanhol com 78 pontos, 23 vitórias e apenas seis derrotas. Seu maior trunfo foi a defesa: apenas 27 gols sofridos em 38 rodadas, a melhor marca da competição. A solidez defensiva colchonera foi determinante para sustentar o terceiro lugar mesmo diante de um ataque menos volumoso (70 gols marcados) do que os rivais do topo.
Uma das marcas atléticas da temporada foi a goleada sobre o Granada CF por 7 a 1 no Estádio Vicente Calderón, em 15 de outubro de 2016 (Wikipédia), que sintetizou a diferença de nível entre os clubes do topo e os que lutavam contra o rebaixamento.
O Sevilla garantiu o quarto lugar com 72 pontos, 21 vitórias e saldo de gols de +20. Apesar de ter sofrido 49 gols — um número expressivo para um clube que disputava vagas europeias —, os andaluzes tiveram eficiência ofensiva suficiente para se isolar na quarta posição.
Villarreal (5º, 67 pts), Real Sociedad (6º, 64 pts) e Athletic Club (7º, 63 pts) ficaram com as vagas para a UEFA Europa League, em uma disputa apertada que separou os três por apenas quatro pontos. O Espanyol (8º, 56 pts) ficou de fora do cenário europeu por dois pontos em relação ao sétimo colocado.
A zona de rebaixamento
Os três clubes rebaixados ao final da temporada foram Granada CF (20º), Osasuna (19º) e Sporting Gijón (18º) (Wikipédia). As campanhas dos dois últimos colocados foram particularmente preocupantes do ponto de vista defensivo.
- Osasuna (19º) — 22 pontos, 4 vitórias, 10 empates e 24 derrotas. Sofreu 94 gols em 38 rodadas, a pior defesa da competição, com saldo de -54. Foram mais de 2,4 gols sofridos por partida em média.
- Granada CF (20º) — 20 pontos, 4 vitórias, 8 empates e 26 derrotas. Apenas 30 gols marcados e 82 sofridos, saldo de -52. A equipe andaluza registrou o maior número de derrotas da temporada.
- Sporting Gijón (18º) — 31 pontos, 7 vitórias, 10 empates e 21 derrotas. Com saldo de -30, o clube não conseguiu manter a permanência apesar de ter terminado nove pontos acima do Osasuna.
O 17º colocado, o Leganés, escapeu com 35 pontos — quatro a mais que o Sporting Gijón — confirmando que a margem de segurança foi relativamente confortável para os times que se mantiveram na primeira divisão. O Barcelona colaborou com as estatísticas dos rebaixados: goleou o Alavés por 6 a 0 em 11 de fevereiro de 2017 e aplicou 7 a 1 no Osasuna em 26 de abril de 2017, no Camp Nou (Wikipédia).
Artilharia e destaques individuais — Gols
A artilharia da temporada pertenceu a Lionel Messi, eleito também o melhor jogador da competição (Wikipédia). O argentino do Barcelona marcou 37 gols em 34 partidas disputadas, adicionando ainda nove assistências e acumulando seis cartões amarelos, sem nenhum vermelho. O rendimento de 1,09 gols por jogo é expressivo para uma liga de alto nível.
Luis Suárez ficou na segunda posição com 29 gols em 35 partidas, além de liderar as assistências da temporada com 13 passes para gol. A dupla Messi–Suárez, ambos do Barcelona, somou 66 dos 116 gols do time catalão — representando mais de 56% do ataque do vice-campeão. Juntos, os dois jogadores contabilizaram 66 gols e 22 assistências diretas.
Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, marcou 25 gols em 29 partidas, contribuindo de forma determinante para os 106 gols do campeão. A média de 0,86 gol por jogo do português sustentou a produtividade ofensiva do time merengue. Iago Aspas, do Celta Vigo, foi a grande surpresa individual da temporada: 19 gols em 32 partidas pelo 13º colocado da tabela, o que o situou na quarta posição entre os artilheiros. Antoine Griezmann, do Atlético de Madrid, fechou o top 5 com 16 gols e 8 assistências em 36 partidas — sendo o único dos cinco maiores artilheiros que não pertencia ao terzetto Real Madrid-Barcelona.
Destaques individuais — Assistências e cartões
No quesito assistências, Luis Suárez liderou com 13, seguido por Toni Kroos, do Real Madrid, com 12 passes para gol em 29 partidas — contribuição decisiva no meio-campo merengue. Neymar, do Barcelona, completou o pódio com 11 assistências, além de 13 gols em 30 jogos. Pablo Piatti, do Espanyol, foi um dos destaques individuais de um clube de meio de tabela, acumulando 10 gols e 10 assistências em 30 partidas. Marcelo, lateral do Real Madrid, igualou Piatti em assistências com 10 em 30 jogos, reafirmando seu papel ofensivo no esquema campeão.
Na tabela de cartões amarelos, Fernando Gabriel Amorebieta Mardaras, do Sporting Gijón, liderou com 17 amarelos em 27 partidas — média acima de um cartão a cada dois jogos. Ignacio Camacho, do Málaga, acumulou 15 amarelos em 35 partidas. E. Pérez, do Valencia, foi o único jogador entre os cinco mais advertidos a levar também um cartão vermelho, com 14 amarelos e 1 vermelho em 27 jogos.
Nos cartões vermelhos, Víctor Ruiz, do Villarreal, e Asier Riesgo, do Eibar, foram os mais penalizados com dois vermelhos cada. Riesgo é caso notável: o goleiro recebeu dois vermelhos em apenas 16 jogos disputados. U. Agbo, do Granada CF, acumulou 13 amarelos e 1 vermelho em 31 partidas, simbolizando as dificuldades disciplinares de um clube que terminou rebaixado.
Números e curiosidades da temporada
- A LaLiga 2016-17 teve 1.118 gols em 380 partidas, média de 2,94 por jogo.
- O Barcelona teve o melhor ataque (116 gols), mas o Atlético de Madrid teve a melhor defesa (apenas 27 gols sofridos).
- O Real Madrid somou 93 pontos — o maior total entre os campeões, com aproveitamento de 81,6%.
- O saldo de gols do Barcelona (+79) superou o do Real Madrid (+65), mas o título foi para Madrid pela consistência em pontos.
- Os três rebaixados somaram apenas 73 pontos em 114 jogos, aproveitamento inferior a 22%.
- O Osasuna foi o time com pior defesa: 94 gols sofridos, maior número da divisão.
- Messi e Suárez, juntos, marcaram 66 gols — mais do que 14 dos 20 clubes da competição produziram individualmente.
- O Real Madrid conquistou seu 33º título da LaLiga (Wikipédia), encerrando cinco temporadas sem o troféu nacional.
- Deyverson, do Alavés, foi o único representante de um clube de parte baixa/média da tabela no top 5 de amarelos, com 14 cartões e 7 gols marcados.
A temporada 2016-17 da LaLiga ficará registrada como uma das mais disputadas entre Real Madrid e Barcelona nos anos recentes: três pontos separaram os dois gigantes após 38 rodadas, com o clube madrilenho levando a melhor pela regularidade. Os números coletivos — mais de 1.100 gols, duelos individuais de altíssimo nível entre os maiores artilheiros do mundo — consolidaram uma das edições mais produtivas do campeonato espanhol na história recente.
































































