O Real Madrid encerrou a LaLiga 2023-24 com autoridade absoluta, conquistando o 36º título nacional do clube ao acumular 95 pontos em 38 rodadas — uma campanha que misturou consistência defensiva rara com um ataque devastador e deixou o restante da tabela a contemplar de longe. Em uma edição marcada pelo ressurgimento do Girona como força europeia, pela artilharia incomum de um atacante ucraniano e por uma zona de rebaixamento que só foi completamente definida na penúltima rodada, a temporada entregou números expressivos: 1.005 gols distribuídos ao longo de 380 partidas, a uma média de 2,64 tentos por jogo.
Visão geral da temporada
A LaLiga 2023-24 apresentou a configuração tradicional de 20 clubes disputando 38 rodadas em turno e returno. O equilíbrio foi relativo: no topo, a distância entre o campeão e o quarto colocado chegou a 19 pontos, indicando uma elite bem consolidada. Na metade inferior da tabela, porém, a disputa pela permanência foi intensa — a diferença entre o 17º colocado, Rayo Vallecano, e o 14º, Sevilla, foi de apenas três pontos, o que manteve o drama vivo até perto do apito final. No total, a temporada gerou uma média de 2,64 gols por partida, reflexo de uma edição ofensivamente generosa.
O campeão: Real Madrid e a campanha quase perfeita
Poucos adjetivos são suficientes para descrever a campanha merengue. Com 29 vitórias, 8 empates e apenas 1 derrota em 38 jogos, o Real Madrid atingiu 95 pontos — o melhor aproveitamento da competição, equivalente a 83,3% dos pontos possíveis. O ataque madrilenho foi o mais produtivo do campeonato, com 87 gols marcados, e a defesa foi a mais sólida, cedendo apenas 26 tentos ao longo de toda a temporada. O saldo de gols de +61 representa quase o dobro do segundo melhor saldo, pertencente ao próprio rival Barcelona (+35), e dimensiona a superioridade técnica da equipe.
O título foi confirmado na 34ª rodada com uma vitória por 3–0 sobre o Cádiz (Wikipédia), selando matematicamente a conquista com quatro rodadas de antecedência. Ao todo, foi o 36º título espanhol do clube (Wikipédia), consolidando ainda mais uma hegemonia histórica no futebol nacional.
No plano individual, Jude Bellingham foi eleito o melhor jogador da temporada (Wikipédia). O meio-campista inglês contribuiu com 19 gols e 6 assistências em 32 partidas, tornando-se a maior referência criativa e decisiva da equipe — além de acumular 5 cartões amarelos e 1 vermelho, evidenciando também o engajamento físico no jogo.
A briga pelo G4 e a classificação continental
Por trás do Real Madrid, a disputa pelas demais vagas continentais foi protagonizada por clubes com identidades bastante distintas. O Barcelona, vice-campeão com 85 pontos, manteve-se firme no segundo lugar, mas a distância de 10 pontos para o título expõe uma lacuna considerável. Os catalães marcaram 79 gols e sofreram 44, com saldo de +35.
A grande revelação da temporada ficou por conta do Girona, que terminou em terceiro com 81 pontos — resultado histórico para um clube de porte médio, que garantiu presença na Liga dos Campeões pela primeira vez. Com 85 gols marcados, o time catalão foi o segundo ataque mais produtivo da liga, a apenas dois gols do Real Madrid. Seu técnico, Míchel Sánchez, foi reconhecido como o melhor treinador da temporada (Wikipédia), prêmio que reflete o trabalho de construção de uma equipe ofensiva e organizada. A temporada do Girona ainda ficou marcada por uma goleada histórica: 7–0 sobre o Granada na última rodada (Wikipédia), resultado que resumiu em números a distância entre as duas equipes ao longo do ano.
O Atlético de Madrid fechou o G4 em quarto lugar, com 76 pontos, 24 vitórias e saldo de +27. Apesar das 10 derrotas sofridas — o dobro do Barcelona —, o time colchonero manteve regularidade suficiente para assegurar a vaga continental. Entre os destaques do Atlético na tabela de cartões, Robin Le Normand acumulou 13 amarelos em 35 jogos, o maior volume entre os defensores da liga.
Fora do G4, Athletic Club (68 pontos, 5º) e Real Sociedad (60 pontos, 6º) foram os times mais sólidos. O Athletic especialmente se destacou pela consistência, com apenas 8 derrotas e 61 gols marcados. Na 7ª posição, o Real Betis encerrou com 57 pontos, enquanto o Villarreal, em 8º com 53 pontos, teve a particularidade de apresentar saldo de gols exatamente zero — 65 marcados e 65 sofridos —, fotografia de uma equipe intensa, mas sem equilíbrio defensivo.
A zona de rebaixamento: três destinos confirmados
A luta contra o descenso foi tensa e arrastada. Dos três times rebaixados, dois — Granada CF e Almeria — encerraram com apenas 21 pontos cada, configurando campanhas catastróficas e simétricas em seu fracasso.
- Granada CF (20º, 21 pts): Pior saldo de gols da competição: –41 (38 marcados, 79 sofridos). Com apenas 4 vitórias e 25 derrotas, foi o time que mais cedeu gols na temporada. O rebaixamento foi confirmado na 35ª rodada (Wikipédia).
- Almeria (19º, 21 pts): Igualmente com 21 pontos, o Almeria venceu apenas 3 partidas em 38 rodadas. Seus 75 gols sofridos e saldo de –32 revelam uma defesa estruturalmente comprometida. Foi o primeiro clube a confirmar o rebaixamento, já na 33ª rodada (Wikipédia).
- Cádiz (18º, 33 pts): O terceiro rebaixado encerrou com 33 pontos, 6 vitórias e o ataque mais inoperante do campeonato: apenas 26 gols em 38 partidas. O rebaixamento foi selado somente na 37ª rodada (Wikipédia), com um empate por 0–0 contra o Las Palmas. O Cádiz ainda forneceu o líder isolado do ranking de cartões amarelos na temporada.
O Rayo Vallecano (17º, 38 pts) foi a equipe que escapou do rebaixamento pela margem mais apertada. Com apenas 5 pontos a mais que o Cádiz, os madrilenhos mantiveram a categoria, mas seus números ofensivos — apenas 29 gols marcados — situam-no entre os ataques mais modestos do campeonato.
Artilharia e destaques individuais
A artilharia da LaLiga 2023-24 foi surpreendente do ponto de vista das narrativas esperadas. Artem Dovbyk, do Girona, encerrou a temporada como o maior goleador do campeonato, com 24 gols e 8 assistências em 36 partidas — superando nomes de muito maior projeção midiática. O ucraniano foi fundamental para que o Girona produzisse 85 gols, o segundo melhor ataque da liga. Com apenas 2 cartões amarelos e nenhum vermelho, demonstrou também disciplina fora do comum para um centroavante de área.
Alexandre Sørloth, do Villarreal, ficou na segunda posição com 23 gols e 6 assistências em 34 jogos. O norueguês sustentou o ataque de um time que terminou em 8º lugar, sendo a força ofensiva quase isolada de sua equipe. Na terceira posição empatados em gols aparecem Jude Bellingham (Real Madrid) e Robert Lewandowski (Barcelona), ambos com 19 tentos. O polonês acrescentou ainda 8 assistências em 35 partidas, contribuição importante para o ataque catalão. Ander Budimir, do Osasuna, fechou o top 5 com 17 gols em 33 jogos — números expressivos para um time que terminou apenas em 11º lugar.
No ranking de assistências, Álex Baena, do Villarreal, liderou com 14 passes para gol em 34 jogos, tornando-se o principal criador da liga. No entanto, o meia acumulou 11 cartões amarelos e 1 vermelho — o maior total entre os jogadores de criação listados. Nico Williams, do Athletic Club, apareceu em segundo com 11 assistências e 5 gols, consolidando-se como um dos jogadores mais completos do campeonato em 31 partidas. Sávio e Iago Aspas empataram na terceira posição com 10 assistências cada: o brasileiro do Girona adicionou 9 gols, enquanto o galego do Celta Vigo também balançou as redes 9 vezes. Raphinha, do Barcelona, fechou o top 5 com 9 assistências e 6 gols em 30 jogos.
Cartões e indisciplina
Na disciplina, os dados revelam padrões distintos entre os extremos da tabela. Iván Alejo, do Cádiz, foi o jogador mais advertido da temporada com 17 cartões amarelos em 30 partidas — média superior a meia punição por jogo. Dois outros jogadores do próprio Cádiz, Rubén Alcaraz (14 amarelos), e D. Dakonam, do Getafe (14 amarelos e 1 vermelho), completaram a parte superior desse ranking, reforçando a imagem de equipes que compensaram com combatividade o que faltou em técnica.
Entre os expulsos mais recorrentes, Santi Comesaña (Villarreal), Oihan Sancet (Athletic Club) e Alberto Moreno (Villarreal) lideraram com 2 cartões vermelhos cada. Nacho, do Real Madrid, também acumulou 2 expulsões em 34 partidas, ainda que em menor frequência relativa.
Números e curiosidades da temporada
- A LaLiga 2023-24 produziu 1.005 gols em 380 partidas — média de 2,64 por jogo.
- O Real Madrid terminou com a melhor defesa (26 gols sofridos) e o melhor ataque (87 gols) simultaneamente, feito que sintetiza a dominância da equipe.
- A maior goleada registrada foi Girona 7–0 Granada, na última rodada (Wikipédia), reforçando a diferença abissal entre os dois extremos da tabela.
- Outra goleada expressiva da temporada foi Rayo Vallecano 0–7 Atlético de Madrid, na 3ª rodada (Wikipédia).
- O Villarreal terminou em 8º com saldo de gols zero — 65 marcados e 65 sofridos —, o único time da liga nessa condição.
- Granada CF e Almeria encerraram com os mesmos 21 pontos, compartilhando o fracasso da pior campanha da edição.
- A diferença entre o campeão (95 pts) e o vice (85 pts) foi de 10 pontos, margem confortável que reflete a superioridade do Real Madrid ao longo de toda a temporada.
- O título foi confirmado com quatro rodadas de antecedência, na 34ª rodada.
A LaLiga 2023-24 ficará registrada como uma temporada de contrastes: um campeão implacável que quase não deixou espaço para suspense no topo, uma revelação histórica chamada Girona e um grupo de times rebaixados que somados venceram apenas 13 partidas em 114 disputadas. Os números contam essa história com precisão.
































































