O Real Madrid encerrou a temporada 2019–20 da LaLiga com seu 34º título nacional, confirmando a hegemonia merengue diante de um Barcelona que liderou boa parte da campanha, mas não sustentou o ritmo até o fim. A edição foi marcada por uma interrupção histórica: a pandemia de COVID-19 paralisou a competição em março de 2020, que só voltou em junho — e ainda assim produziu futebol de alto nível, com média de 2,48 gols por partida e 942 tentos em 380 jogos disputados.
Visão geral da temporada
A LaLiga 2019–20 reuniu 20 clubes em turno e returno, totalizando 38 rodadas. A distribuição de forças na tabela revelou um torneio com bloco dominante no topo — Real Madrid e Barcelona separados por apenas 5 pontos — e uma zona intermediária bastante comprimida: do 5º ao 12º lugar, a diferença foi de apenas 11 pontos (de 60 a 49). Já a parte de baixo da tabela apresentou abismo claro, com os três rebaixados distantes do pelotão de segurança.
A suspensão imposta pela COVID-19 (Wikipédia) em 12 de março de 2020 congelou o campeonato por quase três meses. O retorno, em 11 de junho de 2020 (Wikipédia), exigiu que os clubes concluíssem as rodadas restantes em sequência acelerada, sem torcida nos estádios, o que alterou o contexto competitivo da reta final — ainda que os números da tabela reflitam a campanha completa de 38 rodadas.
O campeão e como conquistou o título
O Real Madrid terminou a temporada com 87 pontos — fruto de 26 vitórias, 9 empates e apenas 3 derrotas —, consagrando-se campeão com 5 pontos de vantagem sobre o Barcelona. O desempenho equivale a um aproveitamento de 76,3%, o mais alto entre os 20 participantes. A equipe merengue conquistou seu 34º título da LaLiga (Wikipédia), consolidando liderança histórica na competição.
O diferencial madridista ficou evidente na solidez defensiva: a melhor defesa da temporada pertenceu ao Real Madrid, com apenas 25 gols sofridos em 38 partidas — média inferior a 0,66 por jogo. Esse número foi determinante para sustentar a campanha: enquanto o Barcelona marcou mais (86 a 70), o rival sofreu quase o dobro de gols (38 contra 25). O saldo de gols do campeão foi de +45, contra +48 do vice — a única estatística em que o Barcelona superou o Madrid no cômputo geral.
As apenas 3 derrotas ao longo de 38 rodadas ilustram a consistência da equipe de Madri, que transformou a invencibilidade em característica estrutural da campanha. A conquista foi selada com autoridade numérica: nenhum outro clube chegou perto dos 87 pontos, e a distância para o terceiro colocado, o Atlético de Madrid, foi de 17 pontos.
Barcelona: ataque superior, defesa insuficiente
O vice-campeonato do Barcelona foi construído sobre o melhor ataque da competição: 86 gols marcados, média de 2,26 por jogo (Wikipédia). A equipe catalã perdeu 6 partidas — o dobro do campeão —, e essa inconsistência defensiva, com 38 gols sofridos, acabou custando o título. Os 82 pontos acumulados são, em si, uma campanha de alto nível, mas insuficientes diante da solidez adversária.
A diferença de 5 pontos ao final representa, em termos práticos, uma vitória e dois pontos. A margem curta sugere que a temporada esteve em aberto por longo período, com o Barcelona tendo condições de alcançar o título — mas a combinação de seis derrotas contra apenas três do rival foi o fator decisivo.
A briga pelo G4 e a classificação continental
As quatro vagas para a Liga dos Campeões foram ocupadas por Real Madrid (87 pts), Barcelona (82 pts), Atlético de Madrid (70 pts) e Sevilla (70 pts). A disputa entre o terceiro e o quarto lugar foi das mais equilibradas da temporada: Atlético de Madrid e Sevilla terminaram com exatamente 70 pontos cada.
O critério de desempate colocou o Atlético em terceiro: a equipe de Madri teve saldo de gols de +24, contra +20 do Sevilla. Curiosamente, o Sevilla venceu mais partidas (19 contra 18), mas o Atlético foi mais econômico — apenas 27 gols sofridos, segundo melhor da competição — e o saldo geral favoreceu os colchoneros. O Atlético se destacou ainda pelo número de empates: 16 em 38 jogos, o maior entre os times do G4, revelando um perfil mais pragmático.
Villarreal (5º, 60 pts) e Real Sociedad (6º, 56 pts) ficaram na antessala da elite europeia. O Villarreal, com 18 vitórias e saldo de +14, teve a quinta melhor campanha numérica da temporada. Granada CF (7º, 56 pts) empatou com a Real Sociedad em pontos, com diferença resolvida pelo saldo de gols (+8 contra +7).
A zona de rebaixamento
Espanyol, Mallorca e Leganés encerraram a temporada nas três últimas posições e foram rebaixados para a Segunda División. O cenário na parte inferior da tabela foi de grande disparidade, especialmente no caso do Espanyol.
- Espanyol (20º): apenas 25 pontos, 5 vitórias, 23 derrotas e saldo de -31. A diferença para a primeira equipe fora da zona de rebaixamento, o Celta de Vigo (37 pts), foi de 12 pontos — distância expressiva que evidencia uma campanha de dificuldades acumuladas.
- Mallorca (19º): 33 pontos, 9 vitórias, mas 23 derrotas e o pior saldo entre os rebaixados em termos de gols sofridos: 65, resultando em saldo de -25.
- Leganés (18º): 36 pontos, com a melhor campanha entre os três rebaixados. Oito vitórias, 12 empates e 18 derrotas, com saldo de -21. A separação para o Celta (17º, 37 pts) foi de apenas 1 ponto — a linha mais tênue do rebaixamento.
O Celta de Vigo, que ficou em 17º com 37 pontos e escapou pela diferença mínima, terminou a temporada com 7 vitórias e 16 empates. Nos dados da competição, registra-se que o Celta venceu o Alavés por 6–0 em 21 de junho de 2020 (Wikipédia), já na fase pós-retorno da pandemia — placar que não evitou a angústia da permanência, mas ilustra os extremos possíveis na segunda metade do campeonato.
Artilharia: Messi e a dupla de Barcelona
Lionel Messi foi o artilheiro da temporada com 25 gols em 33 partidas — média de 0,76 gols por jogo, a mais alta entre os cinco primeiros da tabela de artilharia. O argentino também liderou com folga as assistências: 21 em 33 jogos, número que faz dele o único jogador da temporada com mais de 20 participações em gols de cada tipo. A combinação de 25 gols e 21 assistências totaliza 46 participações diretas em gols, desempenho sem paralelo entre os demais destaques individuais.
Karim Benzema ocupou a segunda posição com 21 gols em 37 partidas — e foi eleito o melhor jogador da temporada (Wikipédia). Além dos gols, Benzema contribuiu com 8 assistências, encerrando a campanha sem nenhum cartão amarelo em 37 jogos, dado que reforça a eficiência técnica e o perfil disciplinado do atacante francês.
Gerard Moreno, do Villarreal, foi o terceiro maior artilheiro com 18 gols e 5 assistências em 35 partidas. Seu desempenho sustentou grande parte da boa campanha do Villarreal no quinto lugar. Luis Suárez (Barcelona) marcou 16 gols em apenas 28 jogos — o melhor aproveitamento entre os quatro primeiros, com 0,57 gols por partida —, e acrescentou 8 assistências. A dupla Messi–Suárez somou 41 gols e 29 assistências, contribuição decisiva para o Barcelona ter registrado o melhor ataque com 86 tentos.
Raúl García, do Athletic Club, fechou o top 5 de artilheiros com 15 gols em 35 partidas. Foi o jogador mais amarelado entre os artilheiros, com 11 cartões ao longo da temporada.
Assistências: Messi isolado, Oyarzabal e o retorno de Cazorla
Na tabela de assistências, Messi ficou isolado no topo com 21 passes para gol — 10 a mais que o segundo colocado. Mikel Oyarzabal, da Real Sociedad, foi o segundo melhor nesse quesito com 11 assistências, combinadas a 10 gols em 37 jogos, tornando-se peça central no sexto colocado da temporada. Santi Cazorla, do Villarreal, apareceu em terceiro com 9 assistências e 11 gols em 35 partidas — números que confirmaram sua relevância na boa campanha do Submarino Amarelo.
Cartões: Getafe e Granada no topo da disciplina negativa
A tabela de cartões revelou concentração em dois clubes da parte central da tabela. O Getafe colocou dois jogadores entre os mais advertidos da temporada: D. Suárez acumulou 15 amarelos e 1 vermelho em 30 jogos — maior número de cartões vermelhos entre os cinco primeiros da lista de amarelos —, enquanto Jaime Mata somou 14 amarelos em 34 partidas, contribuindo também com 11 gols e 3 assistências. Piqué, do Barcelona, igualou os 15 amarelos de D. Suárez em 35 jogos, aparecendo como o defensor mais advertido da competição.
No Granada CF, Soldado e Y. Herrera reuniram 14 amarelos cada — o primeiro em 33 jogos, o segundo em 30. A presença de dois jogadores do Granada entre os mais advertidos sugere estilo de jogo físico adotado pela equipe em sua campanha que resultou no 7º lugar.
Em cartões vermelhos, A. Nyom (Getafe) e Z. Feddal (Real Betis) lideraram com 2 expulsões cada. Feddal acumulou suas 2 expulsões em apenas 17 partidas, aproveitamento disciplinar preocupante. Lee Kang-In, do Valencia, também somou 2 vermelhos em 17 jogos — desempenho que contrasta com o número reduzido de amarelos (apenas 1), indicando que as expulsões foram diretas.
Números e curiosidades da temporada
- A LaLiga 2019–20 produziu 942 gols em 380 partidas, com média de 2,48 gols por jogo.
- O Real Madrid foi campeão com 87 pontos e apenas 3 derrotas — aproveitamento de 76,3%.
- O Barcelona teve o melhor ataque (86 gols) e o Real Madrid a melhor defesa (25 sofridos).
- Atlético de Madrid e Sevilla terminaram empatados em pontos (70) e em vitórias (18 e 19, respectivamente), com o saldo de gols decidindo o terceiro lugar.
- Messi foi artilheiro (25 gols) e líder em assistências (21) na mesma temporada — total de 46 participações diretas.
- Benzema disputou 37 jogos sem receber nenhum cartão amarelo, além de ser eleito o melhor jogador da temporada (Wikipédia).
- O Espanyol terminou com apenas 25 pontos — 12 a menos que o primeiro time fora da zona de rebaixamento.
- A diferença entre o Leganés (rebaixado, 36 pts) e o Celta de Vigo (salvo, 37 pts) foi de apenas 1 ponto — a menor margem do rebaixamento.
- A competição foi suspensa em 12 de março de 2020 pela pandemia de COVID-19 e retomada em 11 de junho de 2020 (Wikipédia), sendo concluída com partidas sem público.
- O título foi o 34º da história do Real Madrid na LaLiga (Wikipédia).






























































