A temporada 2011-12 da Premier League entrou para a história do futebol inglês como uma das mais dramáticas e equilibradas já disputadas na era moderna da competição. Manchester City e Manchester United protagonizaram uma corrida pelo título que se estendeu por todas as 38 rodadas e terminou com os dois clubes empatados em pontos, vitórias, empates e derrotas — deixando o saldo de gols como árbitro supremo do campeonato. O resultado foi a conquista do título pelo City, que encerrou um jejum de décadas com números impressionantes dentro e fora de campo.
Visão Geral da Temporada
Disputada por 20 clubes em 380 partidas, a edição gerou 1.066 gols no total, com média de 2,81 tentos por jogo — índice que reflete uma temporada de alto volume ofensivo e poucos encontros sem emoção. A Premier League confirmou sua posição como uma das ligas mais produtivas do continente, com o bloco superior — City e United — atingindo patamares de desempenho raramente vistos na história da competição. O título foi decidido nos detalhes mais finos possíveis: o saldo de gols entre dois times absolutamente equivalentes em resultados.
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Manchester City terminou a temporada com 89 pontos, fruto de 28 vitórias, 5 empates e apenas 5 derrotas em 38 rodadas — um aproveitamento de 78,1%. O que diferenciou o clube de seus rivais diretos não foi apenas a regularidade, mas a magnitude das atuações ofensivas e defensivas. Com 93 gols marcados, o City registrou o melhor ataque da liga, e com apenas 29 gols sofridos, também a melhor defesa — uma combinação que se refletiu em um saldo de gols de +64, o mais alto entre todos os participantes.
A conquista do título foi selada pelo saldo de gols em relação ao Manchester United, pois os dois rivais da cidade terminaram absolutamente idênticos nos demais critérios: 89 pontos, 28 vitórias, 5 empates, 5 derrotas. O City superou o United em 8 gols de saldo (+64 contra +56), diferença que foi suficiente para coroar o clube azul como campeão inglês. (Wikipédia)
O desempenho defensivo do City merece destaque especial: 29 gols sofridos em 38 jogos representam menos de 0,77 gol por partida, índice que combinado com uma produção ofensiva de 93 tentos criou uma equipe extremamente completa. A diferença de saldo de gols para o terceiro colocado, o Arsenal, foi de 39 gols — ilustrando a distância entre o duelo no topo e o restante da tabela.
A Briga pelo Vice e a Classificação para a Europa
O Manchester United, com os mesmos 89 pontos do campeão, foi vice-campeão por um critério absolutamente mínimo. Os Reds marcaram 89 gols e sofreram 33, encerrando com saldo de +56 — competitivo por qualquer parâmetro, mas insuficiente frente ao City. O United venceu 28 jogos, cifra idêntica à do rival, e a temporada evidenciou um duelo de alto nível cuja resolução fugiu do controle do campo e foi para a aritmética.
O terceiro lugar ficou com o Arsenal, que somou 70 pontos — distância de 19 pontos para o topo, o que indica o abismo criado pelos dois gigantes de Manchester sobre o restante do campo. Os Gunners venceram 21 jogos, sofreram 10 derrotas e terminaram com saldo de +25, empatado com o Tottenham, que ficou em quarto lugar com 69 pontos — um único ponto atrás do Arsenal. Com 20 vitórias, 9 empates e 9 derrotas, o Tottenham completou o G4, que garantia acesso às competições europeias da temporada seguinte.
Newcastle e Chelsea ficaram de fora da zona de classificação direta para a Liga dos Campeões, encerrando em quinto e sexto lugares, respectivamente. O Newcastle somou 65 pontos, com 19 vitórias, enquanto o Chelsea registrou 64 pontos e 18 vitórias. A diferença entre o quarto e o quinto colocado foi de apenas 4 pontos, sinalizando que a disputa pela última vaga na elite europeia foi acirrada até as rodadas finais.
- 1º Manchester City — 89 pts | 28V 5E 5D | GP 93 GC 29 SG +64
- 2º Manchester United — 89 pts | 28V 5E 5D | GP 89 GC 33 SG +56
- 3º Arsenal — 70 pts | 21V 7E 10D | GP 74 GC 49 SG +25
- 4º Tottenham — 69 pts | 20V 9E 9D | GP 66 GC 41 SG +25
- 5º Newcastle — 65 pts | 19V 8E 11D | GP 56 GC 51 SG +5
- 6º Chelsea — 64 pts | 18V 10E 10D | GP 65 GC 46 SG +19
A Zona de Rebaixamento
Três clubes desceram à segunda divisão ao fim da temporada: Bolton Wanderers (18º, 36 pontos), Blackburn Rovers (19º, 31 pontos) e Wolverhampton (20º, 25 pontos). Os três apresentaram estatísticas defensivas alarmantes: o Wolves sofreu 82 gols, o Blackburn 78 e o Bolton 77 — todos com saldos negativos superiores a 30 gols.
O Wolves foi o clube com pior campanha geral, somando apenas 5 vitórias em 38 jogos e encerrando com saldo de -42, o pior da liga. O Blackburn, com 8 vitórias e 23 derrotas, ficou à frente apenas pelo saldo levemente superior. O Bolton, com 10 vitórias mas 22 derrotas e apenas 6 empates — o menor número de empates entre os rebaixados —, completou a degola.
A borda do precipício foi ocupada pelo QPR, que terminou em 17º lugar com 37 pontos — apenas 1 ponto acima do Bolton rebaixado. Com 10 vitórias, 7 empates e 21 derrotas, o clube londrino encerrou com saldo de -23 e sobreviveu com margem mínima. A Aston Villa, em 16º com 38 pontos, também não esteve distante da zona de perigo, acumulando apenas 7 vitórias ao longo de toda a temporada, embora com 17 empates — o maior número da tabela, o que explica sua permanência.
- 17º QPR — 37 pts | 10V 7E 21D | SG -23 (sobreviveu)
- 18º Bolton — 36 pts | 10V 6E 22D | SG -31 (rebaixado)
- 19º Blackburn — 31 pts | 8V 7E 23D | SG -30 (rebaixado)
- 20º Wolves — 25 pts | 5V 10E 23D | SG -42 (rebaixado)
Artilharia e Destaques Individuais
Robin van Persie, do Arsenal, foi o grande nome individual da temporada ao cravar 30 gols em 38 jogos — a mesma quantidade de partidas disputadas ao longo de todo o campeonato. A média de 0,79 gol por jogo colocou o holandês em categoria distinta dos seus concorrentes. Van Persie foi também um dos artilheiros mais disciplinados no topo da lista, encerrando sem nenhum cartão vermelho, embora com 8 amarelos — o maior número entre os cinco primeiros colocados na artilharia.
Em segundo lugar ficou S. Agüero, do Manchester City, com 23 gols em 34 jogos — média de 0,68 por partida. O argentino foi um dos motores do melhor ataque do campeonato e encerrou com apenas 2 cartões amarelos, sem nenhuma expulsão. Clint Dempsey, do Fulham, surpreendeu ao figurar entre os artilheiros com 17 gols em 37 jogos, sendo reconhecido ao final da temporada como o melhor jogador da competição. (Wikipédia) O americano foi peça central em um clube que terminou na 9ª posição com 52 pontos.
Emmanuel Adebayor, do Tottenham, e Yakubu Aiyegbeni, do Blackburn, também chegaram a 17 gols. Adebayor somou esse número em 33 partidas, enquanto Yakubu o fez em 30 — a maior eficiência entre os que chegaram a essa marca. Yakubu, porém, foi o único entre os cinco primeiros artilheiros a receber um cartão vermelho durante a temporada, e seu clube terminou rebaixado.
Na lista de destaques por assistências, E. Džeko, também do Manchester City, liderou o ranking com participação direta em jogo ao lado de seus 14 gols marcados em 30 partidas. Nani, do Manchester United, figurou em segundo, com 8 gols em 29 jogos. V. Moses, do Wigan, e Mata, do Chelsea, completaram o bloco dos mais participativos na criação de jogadas. Alan Pardew foi reconhecido como o melhor técnico da temporada pelo trabalho à frente do Newcastle, clube que encerrou em quinto lugar com 65 pontos. (Wikipédia)
Cartões e Disciplina
C. Tioté, do Newcastle, liderou o ranking de cartões amarelos com 11 amonestações em apenas 24 jogos disputados — uma das médias de punições por partida mais altas da liga. L. Cattermole, do Sunderland, somou 10 amarelos e 1 vermelho em 23 partidas, enquanto Alexandre Dimitri Song-Billong, do Arsenal, chegou a 10 amarelos em 34 jogos. J. Lowe, do Blackburn, também acumulou 10 amonestações, e G. Barry, do Manchester City, encerrou com 9 em 34 partidas.
Na lista de cartões vermelhos, Joey Barton, do QPR, foi o mais indisciplinado com 2 expulsões e 8 amarelos em 31 jogos. D. Wheater, do Bolton, acumulou igualmente 2 vermelhos, assim como D. Cissé, do QPR — que somou 2 expulsões em apenas 8 partidas disputadas. A presença de dois jogadores do QPR entre os três mais expulsos da temporada corresponde ao desempenho instável de um clube que mal escapou do rebaixamento.
Números e Curiosidades da Temporada
A temporada produziu 1.066 gols em 380 partidas, com média de 2,81 por jogo — um indicador robusto de produtividade ofensiva geral. Manchester City concentrou os dois extremos mais relevantes da tabela: melhor ataque (93 gols) e melhor defesa (29 gols sofridos), combinação que resultou no saldo de +64, referência absoluta da competição.
A maior goleada da temporada foi Manchester United 8–2 Arsenal, registrada na 3ª rodada em 28 de agosto de 2011 — placar que marcou a memória da edição e ilustrou a vulnerabilidade defensiva dos Gunners, que terminariam com 49 gols sofridos ao longo do ano. (Wikipédia)
O empate total entre City e United em pontos, vitórias, empates e derrotas não tem precedentes recentes na Premier League e evidenciou a profundidade dos dois projetos. O Tottenham, em quarto, ficou a exatos 20 pontos do campeão — distância que ilustra o fosso aberto pelos dois clubes de Manchester sobre o restante do campo. No extremo oposto, a diferença entre o 17º colocado e o 18º foi de apenas 1 ponto, tornando o fim do campeonato igualmente tenso na base da tabela.
A temporada 2011-12 da Premier League permanece como referência de uma liga de dois turnos equilibrada no papel e desequilibrada na prática — dominada por duas equipes que se neutralizaram ao longo de nove meses e precisaram de critério de desempate para separar o campeão do vice, enquanto o restante do pelotão disputava cada ponto como se fosse o último.































































