A Premier League 2022/23 ficará marcada como uma temporada de dominância estatística, inédito artilheiro e dramática disputa pelo topo — com o Manchester City erguendo seu nono título inglês e Erling Haaland reescrevendo os livros de recordes do campeonato. Ao longo de 380 partidas, 1.084 gols foram marcados em um calendário que incluiu uma pausa histórica para a Copa do Mundo no Catar, tornando esta edição uma das mais singulares da era Premier League.
Visão Geral da Temporada
A edição 2022/23 da Premier League foi disputada por 20 clubes, cada um com 38 rodadas, e produziu uma média de 2,85 gols por jogo — ritmo elevado que se traduziu em 1.084 tentos ao longo do torneio. O calendário sofreu uma ruptura inédita: a competição foi paralisada entre novembro e dezembro de 2022 para acomodar a Copa do Mundo FIFA no Catar, com a última rodada antes do intervalo realizada em 12 e 13 de novembro e o retorno marcado para 26 de dezembro (Wikipédia). A pausa obrigou todos os clubes a gerenciar elencos com atletas chegando de mundiais disputados em ritmos distintos de desgaste, e o impacto disso se refletiu nas tabelas individuais e coletivas ao longo da segunda metade da temporada.
Outra novidade regulatória foi a implementação definitiva de cinco substituições por partida no lugar das tradicionais três, medida que alterou a gestão tática dos técnicos e ampliou a rotatividade dos elencos ao longo da longa temporada (Wikipédia).
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Manchester City encerrou a temporada com 89 pontos em 38 jogos, aproveitamento de 78%, com 28 vitórias, cinco empates e apenas cinco derrotas. O saldo de gols de +61 — fruto de 94 gols marcados e apenas 33 sofridos — foi o maior da competição por larga margem e reflete uma equipe que dominou as duas fases do jogo de forma simultânea. Foi o nono título inglês do clube (Wikipédia), consolidando uma era de hegemonia no futebol inglês.
O City terminou com melhor ataque e melhor defesa da liga, uma raridade que traduz a completude do sistema montado. Os 94 gols marcados e os 33 sofridos colocaram o clube em uma categoria à parte: nenhum outro time chegou perto de combinar volume ofensivo com solidez defensiva nessa proporção. O vice-campeão Arsenal, segundo colocado com 84 pontos, foi o adversário mais próximo — mas a diferença de cinco pontos ao final evidencia que o City administrou a liderança com margem.
A Briga pelo G4 e Classificação Continental
A disputa pelas quatro vagas em competições europeias foi intensa ao longo de todo o campeonato. Ao lado do City e do Arsenal, Manchester United e Newcastle completaram o grupo de acesso à Liga dos Campeões.
- Arsenal (2º, 84 pts): 26 vitórias, seis empates e seis derrotas, com 88 gols marcados e 43 sofridos. Saldo de +45, segundo melhor da liga. Os Gunners apresentaram o segundo melhor ataque e dividiram com o United a marca de 43 gols sofridos.
- Manchester United (3º, 75 pts): 23 vitórias, seis empates e nove derrotas, com saldo de +15. O United terminou nove pontos atrás do Arsenal e 14 abaixo do City, mas garantiu o acesso à elite europeia com certa tranquilidade.
- Newcastle (4º, 71 pts): O clube do nordeste inglês fechou o G4 com 71 pontos, 19 vitórias e notáveis 14 empates — o maior número de empates entre os times do top-4. O saldo de +35 e apenas cinco derrotas indicam uma equipe difícil de ser batida, ainda que não tão clínica quanto City e Arsenal. O Newcastle empatou com o City no número de derrotas (cinco), mas somou 18 pontos a menos.
Liverpool (5º, 67 pts) e Brighton (6º, 62 pts) terminaram fora do G4, mas ambos com campanhas expressivas. O Liverpool, com 75 gols marcados, teve o terceiro melhor ataque da liga. O Brighton, com 62 pontos, surpreendeu ao superar clubes de maior tradição e orçamento. Aston Villa (7º, 61 pts) e Tottenham (8º, 60 pts) completaram um grupo bastante compacto entre as posições cinco e oito, separadas por apenas sete pontos.
A Zona de Rebaixamento
Southampton, Leeds United e Leicester City desceram à Championship ao término da temporada. As campanhas das três equipes expõem fragilidades defensivas graves:
- Southampton (20º, 25 pts): O pior desempenho da liga. Apenas seis vitórias e sete empates, com 25 derrotas — número que representa dois terços do total de jogos. Com 73 gols sofridos e apenas 36 marcados, o saldo de -37 foi o pior da competição.
- Leeds United (19º, 31 pts): Sete vitórias e dez empates, com 21 derrotas. Os 78 gols sofridos foram os mais tomados de toda a Premier League na temporada, refletindo uma defesa cronicamente exposta. Apesar dos 48 gols marcados — número razoável para um time rebaixado — a incapacidade de conter adversários foi determinante.
- Leicester City (18º, 34 pts): Nove vitórias, sete empates e 22 derrotas. Com 51 gols marcados e 68 sofridos, o saldo de -17 foi menos grave do que o dos rivais diretos, mas ainda assim insuficiente. A diferença em relação à primeira equipe fora da zona (Everton, 17º, 36 pts) foi de apenas dois pontos, o que indica que o rebaixamento dos Foxes se decidiu no limite.
O Everton (17º, 36 pts) escapou por dois pontos do Leicester e por cinco do Leeds, encerrando com saldo de -23 e apenas 34 gols marcados — o pior ataque entre os times que permaneceram na divisão. A permanência dos Toffees foi das mais apertadas da temporada.
Artilharia e Destaques Individuais
Se a temporada foi marcada por dominância coletiva do City, individualmente ela pertenceu a Erling Haaland de forma avassaladora.
Erling Haaland encerrou a Premier League 2022/23 com 36 gols em 36 jogos — média de um gol por partida — além de oito assistências. Eleito o melhor jogador da temporada (Wikipédia), o norueguês terminou com seis gols a mais do que o segundo colocado, Harry Kane, e com 16 a mais do que o terceiro, Ivan Toney. Em uma liga onde marcar 20 gols já representa uma campanha individual de alto nível, chegar a 36 é estatisticamente excepcional.
O ranking completo dos cinco maiores artilheiros:
- E. Haaland (Manchester City): 36 gols, 8 assistências, 36 jogos
- H. Kane (Tottenham): 30 gols, 3 assistências, 38 jogos
- I. Toney (Brentford): 20 gols, 4 assistências, 33 jogos
- Mohamed Salah (Liverpool): 19 gols, 12 assistências, 38 jogos
- C. Wilson (Newcastle): 18 gols, 5 assistências, 32 jogos
Harry Kane somou 30 gols em todos os 38 jogos, entregando constância ao longo de toda a temporada. Ivan Toney, do Brentford, impressionou ao marcar 20 vezes em apenas 33 partidas — média superior à de Salah e Wilson. Mohamed Salah, embora quarto na artilharia, foi o jogador de maior impacto combinado entre gols e assistências entre os atacantes, com 19+12.
Líderes em Assistências
No capítulo das assistências, Kevin De Bruyne liderou com autoridade, distribuindo 16 passes para gol em 32 partidas, além de contribuir com sete gols. O belga do City foi peça central na engrenagem ofensiva que produziu o maior ataque da liga. Mohamed Salah apareceu em segundo com 12 assistências, reforçando sua posição como um dos jogadores mais completos da temporada. Bukayo Saka, do Arsenal, registrou 14 gols e 11 assistências em 38 jogos, enquanto Michael Olise, do Crystal Palace, entregou 11 assistências com apenas dois gols em 37 partidas — demonstrando perfil essencialmente criativo. Leandro Trossard, do Brighton, alcançou dez assistências em apenas 16 jogos disputados — desempenho que chama atenção pela densidade de contribuição por partida.
- K. De Bruyne (Manchester City): 16 assistências, 7 gols, 32 jogos
- Mohamed Salah (Liverpool): 12 assistências, 19 gols, 38 jogos
- B. Saka (Arsenal): 11 assistências, 14 gols, 38 jogos
- M. Olise (Crystal Palace): 11 assistências, 2 gols, 37 jogos
- L. Trossard (Brighton): 10 assistências, 7 gols, 16 jogos
Disciplina: Amarelos e Vermelhos
João Palhinha, do Fulham, liderou o ranking de cartões amarelos com 14 advertências em 35 partidas — média superior a um cartão a cada três jogos. O volante português encabeçou uma lista com forte presença de meio-campistas defensivos. Rúben Neves (Wolves) e Joelinton (Newcastle) empataram na segunda posição com 12 amarelos cada. Nélson Semedo (Wolves) e Adam Smith (Bournemouth) acumularam 11 cartões amarelos cada, sendo que Semedo ainda recebeu um vermelho.
Na lista de expulsões, Casemiro, do Manchester United, foi o jogador com mais cartões vermelhos na temporada: dois, somados a sete amarelos em 28 partidas. Nélson Semedo, Douglas Luiz (Aston Villa), Abdoulaye Doucouré (Everton) e Tyrick Mitchell (Crystal Palace) completaram o ranking com um vermelho cada.
Números e Curiosidades da Temporada
A Premier League 2022/23 entregou uma série de números que contextualizam a dimensão da temporada:
- O Manchester City foi, simultaneamente, o time com mais gols marcados (94) e menos gols sofridos (33) — a única equipe com melhor ataque e melhor defesa ao mesmo tempo.
- A diferença de saldo de gols entre City (+61) e Arsenal (+45) foi de 16 gols — a mesma margem que separa o segundo do sexto colocado em saldo.
- O Leeds United sofreu 78 gols, a pior defesa da liga, mesmo tendo marcado 48 — suficientes para escapar do rebaixamento em outras temporadas, mas insuficientes diante de tantas falhas defensivas.
- O Southampton venceu apenas seis jogos em 38, aproveitamento de apenas 21,9%.
- A maior goleada da temporada foi Liverpool 9–0 Bournemouth, em 27 de agosto de 2022 (Wikipédia).
- Erling Haaland encerrou com 36 gols — seis a mais que o segundo colocado, Harry Kane (30). A vantagem do norueguês sobre o terceiro colocado foi de 16 gols, uma lacuna raramente vista nas disputas de artilharia da Premier League.
- A temporada registrou média de 2,85 gols por jogo ao longo de 380 partidas, totalizando 1.084 gols (Wikipédia).
- O Newcastle terminou com apenas cinco derrotas, mesma quantidade do campeão City, mas com 18 pontos a menos — diferença explicada, em parte, por 14 empates contra apenas cinco do rival.
Em síntese, a Premier League 2022/23 foi uma temporada de superlatividade: um campeão que dominou ataque e defesa, um artilheiro que redefiniu parâmetros de produção, um vice que pressionou até o fim e uma zona de rebaixamento que engoliu até um ex-campeão como o Leicester. O calendário partido pela Copa do Mundo deu à competição uma textura incomum, mas não impediu que os números finais contassem uma história clara de hierarquia e, nos extremos, de colapso.



































































