A Premier League 2018-19 ficará marcada na história do futebol inglês como uma das temporadas mais disputadas e de maior nível técnico já registradas. Manchester City e Liverpool travaram um duelo de altíssima qualidade ao longo de 38 rodadas, acumulando pontuações que, em qualquer outro ano, seriam mais do que suficientes para garantir o título com folga — mas que, neste ciclo, resultaram em uma das corridas pelo troféu mais acirradas da era moderna da competição. Com 1.072 gols marcados em 380 partidas e uma média de 2,82 tentos por jogo, o campeonato entregou futebol ofensivo e números históricos do início ao fim.
Visão Geral da Temporada
A edição contou com os 20 clubes habituais, cada um disputando 38 rodadas no formato de pontos corridos. O volume de gols foi expressivo: a média de 2,82 por partida reflete um campeonato em que as defesas foram constantemente pressionadas. No topo da tabela, o abismo em relação ao restante do pelotão foi evidente — o terceiro colocado, Chelsea, terminou com 72 pontos, 26 a menos que o campeão e 25 a menos que o vice. Isso evidencia que City e Liverpool jogaram em uma liga praticamente à parte, enquanto o restante do G6 disputou os demais lugares da classificação continental.
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Manchester City sagrou-se campeão pela segunda temporada consecutiva (Wikipédia), encerrando a competição com 98 pontos — marca que, isoladamente, seria recorde absoluto da Premier League em condições normais. Com 32 vitórias, apenas 2 empates e 4 derrotas em 38 jogos, o clube do Etihad Stadium exibiu uma consistência ofensiva e uma capacidade de vencer que raramente se vê no futebol europeu.
O melhor ataque da competição era, naturalmente, o do City: 95 gols marcados em 38 rodadas, uma média superior a 2,5 tentos por partida (Wikipédia). A diferença de saldo de gols do clube chegou a +72, um número que sintetiza o domínio territorial e finalizador exercido sobre os adversários ao longo de toda a temporada. O aproveitamento de pontos foi de aproximadamente 86%, patamar raramente atingido em ligas competitivas.
A maior goleada da temporada foi protagonizada exatamente pelo campeão: o Manchester City derrotou o Chelsea por 6 a 0 no Etihad Stadium, em 10 de fevereiro de 2019 (Wikipédia). O resultado ilustra o potencial devastador da equipe nos grandes confrontos.
A separação para o vice-campeão foi de apenas 1 ponto — 98 a 97 —, o que significa que City e Liverpool superaram juntos qualquer outro dueto de equipes na história da competição. O título foi decidido pelo menor detalhe, e a campanha do City, com menos empates e mais vitórias, foi suficiente para garantir o troféu.
A Briga Pelo G4 e a Classificação Continental
Abaixo da dupla dominante, a disputa pelas outras duas vagas de Liga dos Campeões e pelas posições de acesso à Liga Europa foi extremamente competitiva. Chelsea terminou em terceiro com 72 pontos (21 vitórias, 9 empates, 8 derrotas), enquanto o Tottenham fechou em quarto com 71 — separados por apenas 1 ponto. O Arsenal ficou na quinta posição com 70 pontos, a apenas 1 do Tottenham e 2 do Chelsea, configurando um bloco de três equipes com aproveitamentos muito similares entre si.
O Manchester United encerrou em sexto lugar com 66 pontos, garantindo vaga na Liga Europa. A proximidade entre o terceiro e o sexto colocado — apenas 6 pontos separaram Chelsea e United — indica que qualquer oscilação poderia ter alterado significativamente as posições finais nesse grupo.
Um dado curioso: o Tottenham, apesar de ter ficado em quarto com 71 pontos, registrou 13 derrotas na temporada — mais que qualquer outro time do G4. Em contrapartida, acumulou 23 vitórias, número superior ao do Chelsea (21). O Arsenal, embora fora da Champions por diferença mínima, teve o quinto melhor ataque da tabela, com 73 gols marcados.
O Wolves, recém-promovido ao cenário de elite, terminou em sétimo com 57 pontos — um desempenho notável para um clube em seu primeiro ano de retorno à divisão, a apenas 9 pontos do Arsenal.
A Zona de Rebaixamento
Os três rebaixados da temporada foram Huddersfield Town, Fulham e Cardiff City (Wikipédia), e as diferenças entre eles foram consideráveis.
O Huddersfield foi o lanterna absoluto e encerrou a competição com apenas 16 pontos — o menor total entre os 20 clubes. Foram apenas 3 vitórias em 38 rodadas, 7 empates e 28 derrotas. O saldo de gols foi de -54 (22 marcados, 76 sofridos), o pior da competição. A diferença do Huddersfield para o 17º colocado, Brighton, que se salvou com 36 pontos, foi de 20 pontos — uma lacuna que revela o tamanho da distância entre o clube e o nível exigido pela Premier League naquele ciclo.
O Fulham terminou em 19º com 26 pontos, registrando 81 gols sofridos — a pior defesa de toda a temporada —, com saldo de -47. Os 7 triunfos e 5 empates não foram suficientes diante das 26 derrotas acumuladas.
O Cardiff, em 18º, foi o time que mais lutou pela permanência antes de ser rebaixado, encerrando com 34 pontos. Com 10 vitórias, os galeses estiveram mais próximos da salvação, mas o saldo de -35 e os 69 gols sofridos pesaram contra. A diferença para o Brighton, que ficou na linha de corte em 17º com 36 pontos, foi de apenas 2 pontos — o rebaixamento mais disputado da temporada.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia da temporada foi inédita pela coincidência: três jogadores terminaram empatados com 22 gols cada (Wikipédia), algo raríssimo no contexto da Premier League.
- S. Mané (Liverpool) — 22 gols e 1 assistência em 36 jogos. Alta eficiência, com média superior a 0,6 gols por partida.
- Mohamed Salah (Liverpool) — 22 gols e 8 assistências em 38 jogos. O jogador do Liverpool participou diretamente de 30 gols na temporada, combinando volume e criatividade. Disputou todos os 38 jogos da equipe.
- P. Aubameyang (Arsenal) — 22 gols e 5 assistências em 36 jogos, sem nenhum cartão amarelo sequer — o único entre os cinco primeiros a manter a ficha completamente limpa.
Logo atrás, S. Agüero, do Manchester City, marcou 21 gols com 8 assistências em apenas 33 partidas — uma das melhores taxas de gol por jogo entre os artilheiros. J. Vardy, do Leicester, completou o top 5 com 18 gols em 34 jogos, além de acumular o único cartão vermelho entre os cinco primeiros da artilharia.
Assistências: Hazard Lidera, Laterais do Liverpool Se Destacam
E. Hazard, do Chelsea, foi o líder de assistências com 15 passes para gol em 37 jogos — e ainda marcou 16 gols, acumulando participação direta em 31 tentos ao longo da temporada. Uma contribuição ofensiva excepcional para um meia.
R. Fraser, do Bournemouth, surpreendeu ao terminar em segundo lugar com 14 assistências e 7 gols em 38 partidas — números que chamam atenção por virem de um clube que terminou em 14º na tabela. C. Eriksen, do Tottenham, distribuiu 12 assistências somadas a 8 gols em 35 jogos.
Um dado que merece destaque especial é a presença de dois laterais do Liverpool entre os cinco maiores assistentes da temporada: T. Alexander-Arnold (12 assistências em apenas 29 jogos) e A. Robertson (11 assistências em 36 partidas). O fato de dois defensores figurarem nesse seleto grupo reflete o estilo ofensivo e posicional empregado pelo clube de Anfield, que, não por acaso, registrou a melhor defesa da competição — apenas 22 gols sofridos — ao mesmo tempo em que lançava seus laterais ao ataque com consistência e eficácia.
Cartões e Disciplina
No campo disciplinar, É. Capoue, do Watford, foi o jogador mais advertido da temporada, com 14 cartões amarelos e 1 vermelho em 33 partidas. Seu companheiro de clube José Holebas também apareceu entre os mais punidos, com 12 amarelos e 1 vermelho em 28 jogos — o que revela um padrão de intensidade defensiva na equipe do Watford.
R. Bennett (Wolves), J. Lerma (Bournemouth) e S. Papastathopoulos (Arsenal) completaram o top 5 em amarelos, todos com 12 cartões cada. No ranking de vermelhos, P. Højbjerg (Southampton), Capoue, Holebas, W. Zaha (Crystal Palace) e J. Hogg (Huddersfield) lideraram com uma expulsão cada.
Números e Curiosidades da Temporada
- O prêmio de melhor jogador da temporada foi para Virgil van Dijk, do Liverpool (Wikipédia) — reconhecimento simbólico para o defensor que integrou a melhor defesa do campeonato, com apenas 22 gols sofridos.
- City e Liverpool somaram juntos 195 pontos — uma combinação sem precedente na história da competição.
- O Liverpool sofreu apenas 1 derrota em 38 rodadas, a menor taxa de derrotas de qualquer clube na temporada, e ainda assim ficou sem o título.
- A diferença entre o campeão (98 pontos) e o terceiro colocado, Chelsea (72 pontos), foi de 26 pontos — evidenciando o abismo entre a dupla dominante e o restante do pelotão.
- O Huddersfield, lanterna com 16 pontos, terminou a 82 pontos do Manchester City — margem que reflete a extensão do fosso entre o topo e a base da tabela.
- A média de 2,82 gols por partida e o total de 1.072 tentos marcados em 380 jogos consolidam a temporada 2018-19 como uma das mais produtivas da era da Premier League.
- Três artilheiros empatados com 22 gols é uma raridade estatística que dificilmente se repetirá — e os três pertenciam a equipes do G5, o que reforça a concentração de talento individual nas equipes de elite.
A Premier League 2018-19 será lembrada, acima de tudo, como a temporada em que o Manchester City fez 98 pontos e quase não foi suficiente. A combinação de dois gigantes operando perto de seu limite coletivo produziu uma corrida pelo título de rara intensidade, deixou marcas históricas nos números e devolveu ao futebol inglês a narrativa de que, mesmo dominando com maestria, não há margem para errar quando o adversário também não erra.

































































