O Liverpool encerrou a Premier League 2024 com autoridade, somando 84 pontos em 38 rodadas e conquistando o título da divisão com uma vantagem de dez pontos sobre o vice-campeão Arsenal. Sob o pano de fundo de um campeonato com 1.115 gols disputados em 380 partidas — média de 2,93 tentos por jogo —, a temporada foi marcada pelo domínio avassalador de Mohamed Salah tanto na artilharia quanto nas assistências, pela resiliência de times médios que flertaram com zonas de classificação europeia e, na outra ponta, pelo drama de uma zona de rebaixamento que não poupou nem recém-promovidos nem clubes tradicionais.
Visão Geral da Temporada
A Premier League 2024 reuniu 20 clubes em formato de pontos corridos, com 38 rodadas disputadas por equipe. O torneio produziu uma média ofensiva elevada — 2,93 gols por partida —, sinalizando uma edição pródiga em gols, com o total geral de 1.115 bolas na rede ao longo das 380 partidas. O melhor ataque pertenceu ao Liverpool, com 86 gols marcados, enquanto a melhor defesa foi do Arsenal, que cedeu apenas 34 gols durante toda a temporada. Esses dois números, por si sós, sintetizam filosofias distintas: os Reds construíram o título com explosão ofensiva; os Gunners apostaram na solidez defensiva, mas não conseguiram converter consistência em pontos suficientes para desafiar o topo.
A tabela final revelou uma divisão clara entre bloco de elite, pelotão intermediário e zona de relegação. Do quinto ao sétimo colocado — Newcastle (66 pts), Aston Villa (66 pts) e Nottingham Forest (65 pts) —, a diferença foi de apenas um ponto, ilustrando a competitividade no limiar do G4 e a disputa acirrada por vagas continentais. Na outra extremidade, o Southampton somou somente 12 pontos em 38 jogos, o pior desempenho registrado nos dados da edição.
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Liverpool foi soberano. Com 25 vitórias, 9 empates e apenas 4 derrotas, os Reds acumularam 84 pontos — aproveitamento de 73,7% —, construindo uma vantagem que se revelou intransponível para os adversários. O clube sagrou-se campeão na 34ª rodada, com uma vitória sobre o Tottenham (Wikipédia), coroando uma campanha que já vinha sendo dominante durante toda a temporada. Trata-se do 20º título na história do Liverpool na Primeira Divisão Inglesa e do retorno ao topo do futebol nacional após cinco anos de espera, com o último título registrado na temporada 2019–20 (Wikipédia).
O saldo de gols de +45 (86 marcados, 41 sofridos) foi o mais expressivo do campeonato, refletindo um elenco que produziu em ataque e manteve relativa solidez defensiva. A diferença de dez pontos para o vice-campeão Arsenal evidencia que o título não foi decidido em uma corrida apertada no fim do calendário, mas construído rodada a rodada ao longo de uma campanha consistente.
A Briga pelo G4 e as Vagas Continentais
Atrás do Liverpool, a disputa pelas demais vagas para competições europeias foi intensa. O Arsenal terminou na vice-liderança com 74 pontos, beneficiado pela melhor defesa do torneio (34 gols sofridos) e por um retrospecto de apenas 4 derrotas — igualando o campeão nesse quesito. No entanto, os 14 empates dos Gunners (contra apenas 9 do Liverpool) custaram pontos decisivos e impediram uma candidatura mais firme ao título.
O Manchester City, terceiro colocado com 71 pontos, apresentou números ofensivos relevantes — 72 gols marcados —, mas as 9 derrotas sofridas (mais do dobro das 4 registradas por Liverpool e Arsenal) comprometeram a consistência. Erling Haaland, com 22 gols em 32 jogos, manteve a produtividade individual, mas o rendimento coletivo da equipe ficou aquém das edições anteriores.
O Chelsea fechou o G4 em quarto lugar, com 69 pontos, mesma quantidade de derrotas que o City (9), porém com menor saldo de gols (+21 contra +28). A diferença de apenas dois pontos entre terceiro e quarto colocado demonstra o equilíbrio no bloco intermediário do topo.
Newcastle e Aston Villa, ambos com 66 pontos, ficaram de fora do G4 pelo critério de desempate. O Nottingham Forest, com 65 pontos, completou o conjunto de clubes que brigaram pela classificação europeia sem alcançá-la, demonstrando que, a partir da quinta posição, o campeonato viveu uma zona de grande adensamento.
A Zona de Rebaixamento
Os três rebaixados da edição foram Southampton, Ipswich e Leicester City, com campanhas que contrastaram dramaticamente com o restante da tabela.
- Southampton (20º) — O pior desempenho da temporada: apenas 2 vitórias, 6 empates e 30 derrotas em 38 jogos, totalizando 12 pontos. O saldo de gols de -60 (26 marcados, 86 sofridos) foi o mais negativo do campeonato. Com aproveitamento de apenas 10,5%, o clube não teve campanha comparável às demais equipes em nenhum trecho da temporada.
- Ipswich (19º) — 22 pontos, com 4 vitórias, 10 empates e 24 derrotas. Saldo de -46 (36 gols marcados, 82 sofridos). A equipe concedeu a segunda maior quantidade de gols da competição, demonstrando fragilidade defensiva crônica.
- Leicester City (18º) — 25 pontos, com 6 vitórias, 7 empates e 25 derrotas. Saldo de -47. O clube sofreu 80 gols — o terceiro pior desempenho defensivo da temporada —, e não conseguiu sustentar a permanência na elite.
O Tottenham, 17º colocado com 38 pontos, escapou do rebaixamento com uma margem de 13 pontos em relação ao Leicester. As 22 derrotas sofridas pelos Spurs indicam, no entanto, que a permanência não foi construída com folga, mas com pontuação suficiente para se distanciar da zona mais perigosa. Curiosamente, o Tottenham marcou 64 gols — mesma quantidade do Chelsea, quarto colocado —, mas sofreu 65, resultando em saldo de -1, um dos piores aproveitamentos defensivos entre os times que permaneceram na divisão.
Artilharia e Destaques Individuais
Mohamed Salah foi, sem discussão, o protagonista individual da temporada. O egípcio do Liverpool liderou tanto a artilharia, com 29 gols em 38 jogos, quanto o ranking de assistências, com 18 passes para gol — números que o tornaram o único jogador da competição a superar a marca de 20 gols e 10 assistências simultaneamente. A contribuição direta de Salah para o placar, somando gols e assistências, chegou a 47 participações em gols ao longo das 38 rodadas. Ele foi eleito o melhor jogador da temporada (Wikipédia), distinção que os dados endossam com clareza.
Alexander Isak, do Newcastle, terminou na segunda posição da artilharia com 23 gols em 34 partidas — aproveitamento de 0,68 gols por jogo, o melhor entre os cinco primeiros colocados no ranking. Haaland, com 22 gols em 32 jogos, ficou em terceiro, seguido por Chris Wood, do Nottingham Forest (20 gols em 36 partidas), e Bryan Mbeumo, do Brentford (20 gols em 38 partidas), que também contribuiu com 7 assistências.
No ranking de assistências, além de Salah no topo, Jacob Murphy e Anthony Elanga, ambos do Newcastle, aparecem empatados em segundo lugar com 11 assistências cada. Morgan Rogers, do Aston Villa, e Bruno Fernandes, do Manchester United, completam o top 5 com 10 assistências cada — mas Fernandes acumulou também os dados disciplinares mais negativos entre os destaques, com 2 cartões vermelhos e 5 amarelos em 37 jogos. Ryan Gravenberch, do Liverpool, foi eleito o melhor jovem da temporada (Wikipédia).
Cartões e Disciplina
No campo disciplinar, a temporada produziu números expressivos em algumas posições. S. Lukić, do Fulham, e Flynn Downes, do Southampton, lideraram o ranking de cartões amarelos com 12 cada — Lukić em 30 jogos, Downes em apenas 27. João Gomes, do Wolverhampton, acumulou 11 amarelos e 1 vermelho em 36 partidas, configurando o histórico disciplinar mais carregado entre os jogadores com cartões vermelhos. M. Gibbs-White, do Nottingham Forest, também somou 11 amarelos e 1 vermelho, além de contribuir com 7 gols e 8 assistências — perfil de jogador de alto impacto ofensivo com tendência à impulsividade.
Entre os líderes em cartões vermelhos, Bruno Fernandes e M. Lewis-Skelly (Arsenal) aparecem com 2 expulsões cada. Fernandes disputou 37 jogos com esse histórico, enquanto Lewis-Skelly, com apenas 23 partidas, acumula uma das médias de expulsões mais altas da competição entre jogadores com atuação razoavelmente regular. J. Stephens, do Southampton, também somou 2 vermelhos em apenas 19 jogos — um indicativo da turbulência vivida pelo clube rebaixado com a pior campanha da edição.
Números e Curiosidades da Temporada
- O Nottingham Forest aplicou a maior goleada da temporada: 7 a 0 sobre o Brighton, em 1º de fevereiro de 2025, na 24ª rodada (Wikipédia) — resultado que contrasta com a posição modesta do Forest na tabela, em sétimo lugar com 65 pontos.
- Liverpool e Arsenal somaram apenas 4 derrotas cada ao longo das 38 rodadas — a melhor solidez do torneio nesse quesito, compartilhada entre campeão e vice.
- A diferença entre o primeiro e o último colocado foi de 72 pontos (84 do Liverpool contra 12 do Southampton), refletindo o abismo de desempenho entre os extremos da tabela.
- Newcastle e Aston Villa terminaram empatados com 66 pontos, ficando fora do G4 por critério de desempate — uma diferença minúscula para uma vaga que significa acesso à Champions League.
- O Tottenham, com saldo de gols de -1, foi o time que mais se aproximou da igualdade perfeita entre gols marcados e sofridos entre todos os 20 participantes.
- O Fulham terminou com saldo de gols zero (54 marcados e 54 sofridos), e o Crystal Palace também zerou o saldo (51 a 51), curiosidade estatística que reforça o equilíbrio do pelotão intermediário.
- Salah é o único jogador dos dados analisados a ter acumulado mais de 40 participações diretas em gols (29 gols + 18 assistências = 47), superando qualquer outro nome listado na temporada.
A Premier League 2024 ficará registrada como a temporada do retorno do Liverpool ao topo do futebol inglês, conduzida por uma das melhores campanhas individuais já registradas por Mohamed Salah na competição. Com um campeonato rico em gols, competitivo no meio da tabela e devastador para os três rebaixados — especialmente Southampton —, a edição entregou os contornos típicos da liga mais assistida do mundo: liderança inconteste no topo, disputa acirrada pelas posições intermediárias e queda de times que não encontraram consistência suficiente para sobreviver ao calendário de 38 rodadas.
































































