A sexta edição do Brasileirão Série D, disputada em 2014, entrou para a história do torneio por uma particularidade logística: pela primeira vez, a competição foi organizada com 41 equipes, número ímpar que conferiu ao certame um formato singular entre as edições da quarta divisão nacional (Wikipédia). Ao fim de uma longa jornada que reuniu clubes de todas as regiões do Brasil, o Tombense, de Muriaé (MG), sagrou-se campeão ao superar o Brasil de Pelotas nos pênaltis, após dois jogos sem gols na decisão. A campanha coletiva das equipes valentes que chegaram à semifinal garantiu a promoção de quatro clubes à Série C de 2015, enquanto a artilharia ficou com Nena, do próprio Brasil de Pelotas, autor de oito gols ao longo do torneio.
O Campeão e a Final
A decisão do título de 2014 foi protagonizada por duas das equipes mais consistentes de toda a competição: o Tombense, representante de Minas Gerais, e o Brasil de Pelotas, do Rio Grande do Sul. A final foi disputada em dois confrontos equilibradíssimos, ambos encerrados com placar de 0 a 0 — um em Pelotas e o outro em Muriaé (Wikipédia). Sem gols para separar os finalistas ao longo de 180 minutos de futebol, a definição do campeão foi delegada às penalidades máximas.
Nos pênaltis, o Tombense demonstrou maior frieza e converteu suas cobranças com precisão, vencendo por 4 a 2 na série de penalidades e conquistando o inédito título da Série D (Wikipédia). O resultado consagrou o clube mineiro como o representante mais alto da quarta divisão nacional naquele ano, assegurando também sua vaga na Série C de 2015.
Para o Brasil de Pelotas, o vice-campeonato foi amargo, mas não apagou a solidez demonstrada ao longo do torneio. O clube gaúcho também garantiu acesso à terceira divisão, além de ter contribuído com o artilheiro da competição — o atacante Nena, cujos oito gols foram decisivos para a longa trajetória do clube até a final. A decisão ficou marcada pela tensão e pela ausência de gols, tornando-se um capítulo à parte na história do torneio: raramente finais de divisões inferiores são resolvidas tão inteiramente nos pênaltis após dois empates sem placar.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além dos dois finalistas, outros dois clubes integraram as semifinais e também conquistaram o acesso à Série C de 2015: Londrina (PR) e Confiança (SE) (Wikipédia). A promoção dos quatro semifinalistas foi um desfecho que premiou as equipes com maior consistência ao longo de toda a competição, desde a fase de grupos até os mata-matas.
O Londrina, tradicional clube paranaense, confirmou seu potencial ao avançar até a penúltima fase e garantir o retorno a um patamar nacional mais elevado. O Confiança, representante do Nordeste, também cumpriu campanha de destaque, chegando às semifinais e assegurando a subida para a terceira divisão — resultado significativo para um clube da região.
Chama atenção o fato de que Brasil de Pelotas e Londrina dividiram a melhor defesa da competição, com apenas quatro gols sofridos cada um ao longo do torneio (Wikipédia). Esse número expressa a organização defensiva que permitiu às duas equipes chegarem tão longe sem apresentar fragilidades ao fundo. Para o Brasil de Pelotas, uma defesa tão sólida aliada a um artilheiro prolífico como Nena foi a combinação que o levou à final — ainda que o título lhe tenha escapado nas penalidades.
A Fase de Grupos
A fase de grupos da Série D 2014 reuniu 41 equipes (Wikipédia), distribuídas em chaves regionalizadas que buscavam reduzir deslocamentos e equilibrar os confrontos entre clubes de realidades econômicas semelhantes. O formato de copa exige que os dados da fase inicial sejam lidos como contexto de uma jornada mais ampla, e não como tabela de classificação final.
Entre os times que se destacaram na fase inicial pela produção ofensiva, o Rio Branco-AC sobressaiu com o melhor ataque da competição, anotando 18 gols ao longo de sua participação no torneio (Wikipédia). O número é expressivo para o contexto da quarta divisão e evidencia um time capaz de pressionar e marcar com regularidade, embora o dado sobre a sua eliminação não conste nos materiais disponíveis.
Outros clubes deixaram marcas ao longo da fase de grupos, como Brasiliense (DF), Moto Club (MA), Globo (RN), São Raimundo (RR) e Tombense e Confiança, que confirmaram sua evolução nas fases seguintes. A diversidade geográfica dos participantes é uma marca fundamental da Série D: a competição cumpre o papel de integrar o futebol de regiões como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul ao calendário nacional organizado pela CBF.
Artilharia e Destaques Individuais
O artilheiro da Série D 2014 foi Nena, atacante do Brasil de Pelotas, com oito gols marcados em 16 jogos disputados (Wikipédia). O número o coloca em posição isolada entre os maiores goleadores do torneio: sua média de meio gol por partida, sustentada ao longo de uma campanha extensa que chegou à final, é um indicativo de consistência ao longo de todo o certame.
Nena acumulou ainda dois cartões amarelos em sua trajetória — disciplina razoável para um atacante que disputou 16 partidas e carregou boa parte do peso ofensivo de sua equipe. O fato de o artilheiro pertencer ao vice-campeão reforça a ideia de que o Brasil de Pelotas dependia em grande medida de sua produção individual para avançar nas fases eliminatórias.
Na sequência da artilharia, Ricardo Lopes, do Globo (RN), terminou com sete gols em apenas dez jogos — aproveitamento ofensivo notável, com média superior a um gol por partida. Já o terceiro lugar ficou dividido entre três atacantes, todos com seis gols:
- Fabiano Amaro da Silva (Moto Club) — 6 gols em 10 jogos
- Rodrigo Andrade (Brasiliense) — 6 gols em 9 jogos
- Rafael Barros (São Raimundo) — 6 gols em 9 jogos, com zero cartões amarelos
Rafael Barros merece menção especial pelo desempenho disciplinar: seis gols em nove jogos sem receber sequer uma advertência é um dado que combina eficiência e controle dentro de campo — raridade entre atacantes de divisões inferiores, onde a disputa física tende a ser mais intensa.
Números e Curiosidades
A Série D 2014 produziu alguns resultados que se destacaram pelo placar expressivo. As maiores goleadas registradas no torneio foram (Wikipédia):
- River-PI 7 a 1 sobre Guarany de Sobral — em 21 de setembro, o placar mais elástico de toda a competição
- São Raimundo-RR 0 a 6 para Rio Branco-AC — em 20 de setembro, derrota pesada para o time de Roraima
- Boavista-RJ 0 a 6 para Metropolitano — em 21 de setembro, mesma data da goleada do Rio Branco-AC
O Rio Branco-AC aparece duas vezes nessa lista de recordes: primeiro como destaque ofensivo com o melhor ataque da competição (18 gols), e também como protagonista da goleada sobre o São Raimundo-RR. A coincidência de duas goleadas por 6 a 0 ocorridas em datas consecutivas — 20 e 21 de setembro — ilustra o caráter imprevisível do torneio, em que confrontos desequilibrados convivem com eliminatórias acirradas.
No campo disciplinar, cinco jogadores chegaram ao topo do ranking de cartões amarelos com seis advertências cada um. Entre eles, dois pertenciam ao Brasil de Pelotas — Eduardo Martini e Rafael Forster, ambos com 14 jogos disputados —, o que revela o perfil físico e combativo que o clube gaúcho adotou ao longo da campanha. Martini ainda somou um cartão vermelho nessa trajetória, tornando-se o jogador com o acúmulo disciplinar mais pesado de toda a equipe finalista. Richardson, do Confiança, e Dermival Almeida Lima, do Brasiliense, também acumularam seis amarelos cada, em 11 partidas.
Nos cartões vermelhos, o ranking foi encabeçado por jogadores do Moto Club e do Brasil de Pelotas — times que foram longe na competição e, portanto, disputaram mais jogos, expondo-se naturalmente a maior número de situações de pressão. Narcisio Ramos da Silva Filho, do Moto Club, liderou a lista com um vermelho acrescido de três amarelos em 11 jogos. Leandro Leite Mateus e o já citado Eduardo Martini, ambos do Brasil de Pelotas, também constam entre os mais advertidos do torneio.
Por fim, vale registrar que a Série D 2014 encerrou com um desfecho raro em finais de futebol: dois jogos disputados, nenhum gol marcado e o título definido inteiramente nas penalidades. O Tombense soube aproveitar o momento mais tenso para se sagrar campeão e iniciar uma nova fase em sua história. Para os demais promovidos — Brasil de Pelotas, Londrina e Confiança —, a temporada representou um passo importante em direção a patamares mais competitivos do futebol brasileiro.

































































































