A Série D de 2019 ficou marcada pela consagração do Brusque como campeão nacional pela primeira vez na história do clube, em uma final épica contra o Manaus FC decidida nas cobranças de pênaltis. Ao longo de toda a competição, 266 jogos produziram 639 gols, numa média superior a 2,4 tentos por partida, reforçando o caráter ofensivo e imprevisível da quarta divisão do futebol brasileiro. Quatro clubes garantiram o acesso à Série C de 2020: Brusque, Manaus, Ituano e Jacuipense.
O campeão e a final
O Brusque encerrou a temporada de 2019 de uma maneira que dificilmente poderia ser mais dramática. Finalista inédito, o clube catarinense enfrentou o Manaus FC em duas partidas de pura tensão, ambas terminando em empate por 2 a 2 (Wikipédia). Com o agregado igualado, o título foi decidido nas penalidades máximas, onde o Brusque prevaleceu por 6 a 5 (Wikipédia), tornando-se campeão da Série D pela primeira vez em sua história — e na primeira vez que disputou a competição neste estágio final (Wikipédia).
A trajetória até o título começou de forma dominante na fase de grupos. O Brusque liderou o Grupo 15 com 15 pontos em seis jogos, registrando cinco vitórias, uma derrota, 15 gols marcados e apenas 6 sofridos — o mesmo saldo de gols positivo de 9 apresentado pelo líder do Grupo 1, São Raimundo. O Boavista SC terminou com a mesma pontuação (15 pontos) no mesmo grupo, demonstrando que o caminho até o mata-mata já exigiu alto nível de desempenho.
O vice-campeão Manaus FC, por sua vez, chegou à decisão após uma campanha igualmente sólida. O clube amazonense dominou o Grupo 2 com autoridade: 14 pontos, quatro vitórias, dois empates e nenhuma derrota, além de 16 gols marcados — maior volume ofensivo entre todos os líderes de grupos na fase inicial. A dupla de atacantes Mateus Oliveira e Hamilton, com 8 gols cada ao longo da competição, foi a espinha dorsal do ataque manauara durante toda a campanha.
A fase de grupos: panorama geral
A Série D de 2019 foi disputada com 17 grupos na primeira fase, reunindo clubes de todas as regiões do Brasil. Cada grupo contou com quatro equipes, que se enfrentaram em turno e returno, totalizando seis rodadas. Os dois primeiros colocados de cada chave avançaram ao mata-mata, abrindo caminho para 34 equipes na fase seguinte.
O cenário foi de competitividade variável entre os grupos. Alguns tiveram líderes altamente destacados, enquanto outros foram definidos por diferenças mínimas de pontuação:
- Grupo 12 — Caldense: a campanha mais dominante entre todos os líderes de grupo. O time mineiro somou 16 pontos em seis jogos, com cinco vitórias, um empate e nenhuma derrota, e impressionou defensivamente ao sofrer apenas 1 gol em toda a fase (Wikipédia aponta Caldense entre as melhores defesas). O saldo de gols de +6 com apenas um gol sofrido atesta uma solidez raramente vista na quarta divisão.
- Grupo 6 — América-RN: registrou o melhor ataque entre todos os grupos da primeira fase, com 20 gols marcados e apenas 1 sofrido (Wikipédia), resultando num saldo de +19 — o maior de toda a competição. A equipe potiguar ainda protagonizou a maior goleada do torneio: 8 a 0 sobre o Serrano-PB, em 9 de junho (Wikipédia). Por outro lado, o Serrano-PB foi a equipe mais castigada da fase: seis derrotas, 2 gols marcados e 28 sofridos, saldo de -26.
- Grupo 14 — Novorizontino: outra campanha de destaque, com 14 pontos, quatro vitórias, dois empates, 13 gols marcados e apenas 3 sofridos — saldo de +10, um dos maiores da fase.
- Grupo 4: um dos mais equilibrados, com três equipes — Bragantino-PA, Floresta e River-AC — terminando todas com 9 pontos. A classificação foi decidida em critérios de desempate.
- Grupo 11: semelhante equilíbrio, com CAP e União Rondonópolis ambos alcançando 10 pontos.
- Grupo 15: duelo renhido entre Brusque e Boavista SC, que encerraram empatados em 15 pontos — o maior total entre todos os líderes de grupo na primeira fase.
No extremo oposto, Sobradinho EC (Grupo 12) e Acadêmica Vitória (Grupo 7), além de Serrano-PB (Grupo 6), tiveram campanhas desastrosas: os dois primeiros somaram zero pontos em seis jogos, com saldos de -8 e -13, respectivamente. Serrano-PB teve o pior desempenho absoluto, com saldo de -26.
Clubes de maior campanha na fase de grupos
Além dos já citados, alguns clubes merecem destaque pela performance na primeira fase:
- Jacuipense (Grupo 7): 15 pontos, cinco vitórias, uma derrota, 11 gols marcados e apenas 2 sofridos. Uma das defesas mais sólidas da primeira fase, com saldo de +9. O clube baiano foi um dos quatro promovidos à Série C de 2020 (Wikipédia).
- Uniclinic Atlético Clube (Grupo 5): igualmente 15 pontos e cinco vitórias, com saldo de +6. Campanha consistente para um clube em busca de afirmação nacional.
- Moto Club (Grupo 3): 14 pontos, quatro vitórias, dois empates e nenhuma derrota, com saldo de +12 — construído sobre uma defesa que sofreu apenas 4 gols em seis partidas.
- Ituano (Grupo 13): terminou em segundo lugar com 11 pontos, mas exibiu o segundo melhor saldo de gols entre os segundos colocados (+8). O clube paulista avançou até conquistar uma das vagas de acesso à Série C (Wikipédia), validando a trajetória consistente.
- Brasiliense (Grupo 13): liderou o grupo sem sofrer derrotas (3V-3E), num desempenho cadenciado que lhe garantiu 12 pontos com boa solidez defensiva — apenas 2 gols sofridos.
Artilharia e destaques individuais
A artilharia da Série D de 2019 ficou com Júnior Pirambu, do Brusque, autor de 10 gols em 16 partidas disputadas (Wikipédia). A média de 0,625 gol por jogo ao longo de toda a competição — da fase de grupos até a final — consolidou o atacante como o grande nome individual do torneio. Sua importância foi ainda mais destacada pelo fato de o Brusque ter sido campeão: Júnior Pirambu marcou para o time que foi mais longe.
O segundo lugar na artilharia ficou com Thiago Alagoano, companheiro de Júnior Pirambu no próprio Brusque, com 8 gols em 16 jogos. A dupla soma 18 dos gols do clube catarinense ao longo de toda a campanha — uma concentração expressiva de poder ofensivo em dois jogadores, e que ajuda a explicar por que o Brusque chegou à decisão com tanta desenvoltura.
Outros artilheiros de destaque:
- Mateus Oliveira (Manaus FC): 8 gols em 14 jogos, com 3 cartões amarelos e 1 vermelho — perfil de atacante combativo que deixou sua marca na campanha do vice-campeão.
- Hamilton (Manaus FC): também 8 gols em 14 jogos, mas com comportamento disciplinar mais controlado (3 amarelos, sem vermelho). Juntamente com Mateus Oliveira, formou o ataque mais produtivo entre os finalistas.
- Gui Mendes (Ituano): 8 gols em apenas 11 jogos — a melhor média de gols por partida entre os cinco primeiros artilheiros (0,727 gol/jogo). Sua eficiência foi peça fundamental para o acesso do clube paulista à Série C.
Disciplina: cartões e comportamento em campo
Entre os jogadores mais advertidos, Panda, do Manaus FC, liderou o ranking de cartões amarelos com 7 amonestações em 13 partidas — média de mais de meio cartão por jogo. O zagueiro ou volante (o cargo não consta nos dados) foi figura central na campanha do clube amazonense, mas também um dos mais temperamentais da competição.
Pelo lado dos cartões vermelhos, Marconi, do Floresta, foi o único jogador a acumular duas expulsões ao longo da edição, além de 3 amarelos em 9 partidas. André Zuba, do Uniclinic Atlético Clube, e Deijair dos Santos Nunes, do Juazeirense, também somaram dois vermelhos cada, embora com histórico de participações muito mais limitado.
Números e curiosidades
- A Série D de 2019 produziu 639 gols em 266 jogos (Wikipédia), média de aproximadamente 2,40 gols por partida.
- América-RN registrou a maior goleada do torneio: 8 a 0 sobre o Serrano-PB, em 9 de junho de 2019 (Wikipédia), e terminou a fase de grupos com o melhor ataque (20 gols) e a melhor defesa, ao lado do Caldense (1 gol sofrido) (Wikipédia).
- O Serrano-PB foi a equipe com o pior desempenho absoluto da primeira fase: seis derrotas, 2 gols marcados e 28 sofridos, saldo de -26.
- O Sobradinho EC (Grupo 12) e a Acadêmica Vitória (Grupo 7) fecharam a fase de grupos com zero pontos em seis jogos cada.
- Brusque tornou-se campeão da Série D na primeira vez que disputou a fase final da competição (Wikipédia).
- A final foi decidida por pênaltis após dois jogos empatados por 2 a 2 — ou seja, quatro horas de futebol regular que não foram suficientes para separar os dois finalistas (Wikipédia).
- O artilheiro campeão, Júnior Pirambu, e o segundo colocado, Thiago Alagoano, jogavam no mesmo time, o Brusque — concentração rara de poder individual em um só clube.
- O Grupo 15 foi o mais nivelado pelo topo: Brusque e Boavista SC terminaram empatados com 15 pontos — a maior pontuação registrada por um líder de grupo em toda a fase inicial.
- Quatro clubes foram promovidos à Série C de 2020: Brusque, Manaus, Ituano e Jacuipense (Wikipédia).
A Série D de 2019 consolidou-se como uma edição de narrativas fortes: o Brusque escreveu história ao sagrar-se campeão inédito nas penalidades; o Manaus FC surpreendeu como vice-campeão, sinalizando o crescimento do futebol amazonense; e o alto volume de gols atestou a vitalidade de um torneio que movimenta dezenas de clubes e regiões do país, cumprindo seu papel de rota de acesso e palco de revelações no futebol brasileiro.

































































