A Série D de 2021 do Campeonato Brasileiro entrou para a história com um feito inédito: pela primeira vez desde a criação da quarta divisão nacional, um clube da região Centro-Oeste ergueu o troféu. A Aparecidense, de Aparecida de Goiânia (GO), superou o Campinense na final e garantiu também a condição de primeiro time do interior goiano a conquistar um título nacional (Wikipédia). A edição reuniu 68 equipes, produziu 518 jogos e somou 1.259 gols — números que traduzem a amplitude e a intensidade de uma competição que, rodada após rodada, revelou talentos e confirmou o papel da Série D como celeiro do futebol brasileiro.
O Campeão e a Final
A Aparecidense chegou à decisão com o respaldo de uma campanha sólida ao longo das fases eliminatórias e confirmou o favoritismo diante do Campinense, da Paraíba. Na primeira partida da final, disputada fora de seus domínios, o clube goiano venceu por 1 a 0 — resultado que lhe conferiu a vantagem do gol marcado em campo adversário (Wikipédia). No jogo de volta, o empate foi suficiente para selar o título. Com a conquista, a Aparecidense garantiu o acesso inédito à Série C de 2022 e escreveu o seu nome nos anais do futebol nacional com letras maiúsculas (Wikipédia).
O vice-campeão Campinense, por sua vez, também conquistou o direito de disputar a terceira divisão na temporada seguinte — um resultado expressivo para o clube paraibano, que chegou à grande final e mostrou consistência ao longo de todo o torneio.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além dos finalistas, outros dois clubes garantiram o acesso à Série C de 2022 ao atingir as semifinais: ABC, do Rio Grande do Norte, e Atlético Cearense, do Ceará (Wikipédia). O resultado marcou a força do futebol nordestino na edição: três clubes da região conquistaram o acesso na mesma edição, feito que havia ocorrido pela última vez em 2018 (Wikipédia).
- Aparecidense (GO): campeão da Série D 2021 — primeiro título nacional de um clube do Centro-Oeste e do interior de Goiás (Wikipédia).
- Campinense (PB): vice-campeão, promovido à Série C.
- ABC (RN): semifinalista, promovido à Série C.
- Atlético Cearense (CE): semifinalista, promovido à Série C.
A Fase de Grupos — O Único Grupo com Dados Disponíveis
Os dados da fase de grupos disponíveis referem-se ao Grupo 1, que contou com oito equipes e trouxe um quadro de alta competitividade, ainda que com uma dominância clara no topo da tabela.
O Castanhal, do Pará, liderou o Grupo 1 com desempenho avassalador: 36 pontos em 14 jogos, com 11 vitórias, 3 empates e nenhuma derrota. Com 33 gols marcados e apenas 11 sofridos, o time paraense registrou o melhor saldo de gols do grupo (22) e terminou a fase classificatória com aproveitamento de 85,7% — o que, por si só, evidencia uma campanha de elite para os padrões da quarta divisão. Não por acaso, os dados externos confirmam que o Castanhal possuía o melhor ataque entre todos os participantes da competição, com exatamente esses 33 gols marcados na fase de grupos (Wikipédia).
O São Raimundo terminou na segunda colocação com 29 pontos — sete a menos que o líder —, registrando oito vitórias, cinco empates e uma derrota, com saldo de gols de +17. O Peñarol fechou em terceiro, com 24 pontos, enquanto o Galvez garantiu a quarta vaga com 22 pontos, apesar de um saldo de gols negativo (-2) — indicativo de uma campanha menos confortável na parte baixa da tabela classificatória.
Na zona de eliminação do grupo, o Fast Clube-AM (15 pontos), o Ypiranga-PE (13 pontos), o GAS (9 pontos) e o Atlético Acreano (7 pontos) não conseguiram avançar. O Atlético Acreano terminou a fase com o pior saldo de gols do grupo (-21), tendo sofrido 35 gols em 14 partidas — uma média superior a dois gols por jogo.
A amplitude da tabela entre o primeiro e o último colocado do Grupo 1 foi de 29 pontos (de 36 a 7), o que demonstra uma assimetria relevante dentro do grupo e contrasta com o equilíbrio observado nas posições intermediárias.
Artilharia e Destaques Individuais
O maior destaque individual da Série D 2021 foi o atacante Gabriel Santos, da Caldense, que terminou a competição como artilheiro com 13 gols em apenas 14 jogos — uma média superior a 0,9 gols por partida e um índice de eficiência raramente visto em divisões de acesso (Wikipédia). Ao longo da campanha, o atacante recebeu apenas um cartão amarelo, o que indica disciplina acima da média para um jogador de características ofensivas. Seu domínio na artilharia foi incontestável: a diferença para o segundo colocado foi de dois gols.
Na segunda posição entre os artilheiros, Ingro, do Uberlândia, marcou 11 gols em 20 jogos. Diferentemente de Gabriel Santos, Ingro precisou de mais partidas para atingir sua marca, o que reflete perfis distintos de atuação — mas não diminui a relevância de sua contribuição para a campanha do clube mineiro. O atacante encerrou a competição sem nenhum cartão, amarelo ou vermelho.
O terceiro lugar na artilharia ficou com Pecel, do Castanhal, com 9 gols. Os dados disponíveis apresentam registros distintos para o jogador — em 15 jogos, com 4 amarelos e nenhum vermelho; e em 8 jogos, com 1 vermelho e nenhum amarelo. Seja como for, sua contribuição foi fundamental para que o Castanhal tivesse o melhor ataque da fase de grupos. Michel, do Caxias, completou o top 5 da artilharia com 8 gols em 19 partidas.
Cartões e Disciplina
No quesito cartões amarelos, Escobar (Cianorte) e Cleyton Amaral (GAS) dividiram a liderança com 9 amarelos cada, ambos sem nenhum vermelho — em 15 e 14 jogos, respectivamente. A marca chama atenção por representar uma média próxima de um cartão a cada partida e meia.
Zé Love, do Brasiliense, acumulou 8 cartões amarelos e 1 vermelho em 14 jogos, além de 7 gols marcados — um perfil de jogador que combina produção ofensiva com presença física intensa. Diego Silva, do Retrô, e Betão, do Juventude-MA, também receberam 1 vermelho cada, ambos acumulando 7 amarelos em suas respectivas campanhas.
Números e Curiosidades
- A maior goleada da Série D 2021 foi ABC 9–1 Caucaia, realizada em 9 de agosto, na 10ª rodada, no Estádio Frasqueirão, em Natal (Wikipédia) — um placar histórico para a quarta divisão nacional.
- O melhor ataque da fase de grupos pertenceu ao Castanhal, com 33 gols (Wikipédia), números ratificados pelos dados da classificação do Grupo 1.
- A melhor defesa do torneio foi da Ferroviária, com apenas 5 gols sofridos (Wikipédia) — uma impermeabilidade notável para 68 equipes participantes.
- A competição produziu 1.259 gols em 518 jogos (Wikipédia), resultando em uma média de aproximadamente 2,43 gols por partida.
- A Aparecidense tornou-se o primeiro clube do interior de Goiás e o primeiro do Centro-Oeste a conquistar um título de âmbito nacional (Wikipédia).
- Três clubes do Nordeste — Campinense, ABC e Atlético Cearense — conquistaram acesso à Série C na mesma edição, repetindo o feito de 2018 (Wikipédia).
- O artilheiro Gabriel Santos foi o único jogador a superar a marca de duas dezenas de participações com dois dígitos em gols, finalizando com 13 gols em 14 jogos.
- No Grupo 1, o Atlético Acreano sofreu 35 gols em 14 rodadas — pior marca defensiva do grupo e uma das mais expressivas vulnerabilidades registradas na fase classificatória.
A Série D de 2021 cumpriu com eficiência o seu papel estrutural no futebol brasileiro: revelou um campeão inédito, projetou quatro clubes à terceira divisão e consolidou a artilharia de Gabriel Santos como um dos feitos individuais mais destacados da edição. Com 68 participantes espalhados por todas as regiões do país, a quarta divisão reafirmou seu caráter plural e sua importância como palco de ascensão no calendário nacional.







































































































































