A UEFA Champions League 2011-12 entrou para a história do futebol europeu como uma das edições mais dramáticas da competição. O título foi decidido nos pênaltis, em uma final disputada no estádio do adversário, com o Chelsea superando o Bayern de Munique na Allianz Arena para conquistar pela primeira vez o troféu mais cobiçado do continente (Wikipédia). A edição reuniu 76 equipes de 52 federações filiadas à UEFA (Wikipédia), passando por uma fase de grupos que produziu números e contrastes marcantes antes de um mata-mata repleto de definições até o limite.
O Campeão e a Final
O Chelsea chegou à decisão como a equipe que contrariou expectativas ao longo do mata-mata. A final, realizada em 19 de maio de 2012 na Allianz Arena, em Munique, terminou empatada em 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, levando a decisão para as penalidades máximas, onde os ingleses saíram vitoriosos (Wikipédia). Era a primeira conquista do clube londrina na Liga dos Campeões da UEFA. O feito foi ainda mais expressivo pelo cenário: jogar e vencer no estádio do próprio adversário, diante da torcida bávara, elevou o título a uma dimensão raramente vista na história da competição (Wikipédia).
O Bayern de Munique, vice-campeão, havia sido um dos times mais sólidos ao longo de toda a edição. Na fase de grupos, os bávaros lideraram o Grupo A com 13 pontos em seis partidas — quatro vitórias, um empate e uma derrota —, com saldo de gols de +5 (11 marcados e 6 sofridos). A campanha alemã foi respaldada também pelo segundo maior artilheiro da competição, Mario Gómez, que terminou com 13 gols em 14 jogos, apenas um a menos que o líder da tabela de artilharia.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além do Chelsea e do Bayern, outras equipes se destacaram ao longo da temporada:
- Barcelona: O clube catalão foi o mais dominante na fase de grupos, liderando o Grupo H com 16 pontos em seis jogos — cinco vitórias e um empate, sem nenhuma derrota. O ataque blaugrana marcou 20 gols e sofreu apenas 4, construindo o melhor saldo de gols da fase de grupos (+16). Lionel Messi encerrou a edição como artilheiro absoluto, com 14 gols em 11 partidas.
- Real Madrid: O clube espanhol apresentou a campanha mais devastadora da fase de grupos, terminando o Grupo D com campanha perfeita: seis vitórias em seis jogos, 18 pontos, 19 gols marcados e apenas 2 sofridos, atingindo o saldo de +17 — o maior de toda a fase de grupos.
- Apoel Nicosia: A equipe cipriota surpreendeu ao avançar do Grupo G com apenas 9 pontos, em grupo de apertada disputa, e tornou-se um dos símbolos do potencial de surpresa do torneio. O brasileiro Aílton José Almeida foi o quinto maior artilheiro da competição, com 7 gols em 14 jogos — números notáveis para um clube de porte menor.
- Benfica: Os portugueses foram o time mais consistente do Grupo C, única equipe da chave a terminar invicta: três vitórias e três empates, totalizando 12 pontos e saldo de +4.
A Fase de Grupos
A fase de grupos da edição 2011-12 revelou contrastes gritantes entre os participantes. No Grupo D, o Real Madrid foi absolutamente dominante: 18 pontos, aproveitamento de 100% e saldo de gols de +17. Dinamo Zagreb, na outra ponta, encerrou os seis jogos sem pontuar, com 3 gols marcados e 22 sofridos, registrando o pior saldo da fase de grupos (-19). A diferença de 19 gols no saldo entre o líder e o lanterna do grupo ilustra a assimetria entre os participantes.
No Grupo A, o Manchester City disputou vaga com apenas 10 pontos — um a menos que o Napoli (11) e três a menos que o Bayern (13) —, ficando fora da fase seguinte apesar de ter marcado 9 gols. O Villarreal foi o grande naufrágio do grupo: zero pontos em seis partidas, 2 gols marcados e 14 sofridos.
O Grupo G foi o mais equilibrado da fase: Apoel Nicosia e Zenit Saint Petersburg terminaram empatados em 9 pontos, com o clube cipriota avançando por critérios de desempate. FC Porto somou 8 pontos e ficou em terceiro, enquanto o Shakhtar Donetsk encerrou com 5 pontos. Uma diferença de apenas 4 pontos entre o primeiro e o último colocado do grupo evidencia o alto equilíbrio da chave.
O Grupo B também apresentou tensão: Inter (10 pontos), CSKA Moscow (8), Trabzonspor (7) e Lille (6) — apenas 4 pontos separavam o classificado em primeiro do quarto colocado. No Grupo F, o Borussia Dortmund, que viria a se tornar uma das potências europeias nos anos seguintes, encerrou a fase de grupos na quarta posição, com apenas 4 pontos, eliminado ainda na fase classificatória.
Merece destaque a participação do FC Basel 1893 no Grupo C: os suíços terminaram em segundo lugar com 11 pontos, superando o Manchester United (9 pontos), que ficou em terceiro. A campanha do clube suíço, com três vitórias, dois empates e uma derrota, foi um dos resultados mais surpreendentes da fase de grupos.
Artilharia e Destaques Individuais
A tabela de artilharia da edição foi dominada por nomes de peso, com Lionel Messi no topo:
- Lionel Messi (Barcelona): 14 gols em 11 jogos — média superior a um gol por partida. Dois cartões amarelos e nenhum vermelho ao longo da campanha. Foi também reconhecido como artilheiro oficial da competição (Wikipédia).
- Mario Gómez (Bayern München): 13 gols em 14 jogos, sendo o artilheiro mais "completo" em termos de volume de partidas disputadas. Apenas um cartão amarelo em toda a campanha.
- Cristiano Ronaldo (Real Madrid): 10 gols em 10 partidas, com aproveitamento de um gol por jogo. O português acompanhou o desempenho avassalador do Real Madrid na fase de grupos, onde a equipe marcou 19 gols.
- Marek Bakoš (Plzen): 8 gols em 11 jogos — o artilheiro de um clube de menor expressão, mas que se destacou individualmente, embora tenha acumulado 4 cartões amarelos, o maior número entre os cinco principais artilheiros.
- Aílton José Almeida (Apoel Nicosia): 7 gols em 14 jogos. A maior participação em número de partidas entre os cinco primeiros da artilharia, reflexo da surpreendente jornada do clube cipriota na competição.
No campo dos prêmios individuais, Andrés Iniesta, do Barcelona, foi eleito o melhor jogador da competição (Wikipédia), reconhecimento que refletia a qualidade da campanha catalã ao longo do torneio, mesmo que o título tenha escapado ao clube espanhol.
Números e Curiosidades
A edição 2011-12 da Champions League trouxe uma série de dados que merecem registro:
- O Real Madrid terminou a fase de grupos com a campanha ofensiva mais poderosa: 19 gols marcados e apenas 2 sofridos em seis partidas, com aproveitamento de 100% (18 pontos em 18 possíveis) — nenhum outro clube chegou perto de tal domínio na primeira fase.
- O Barcelona, por sua vez, apresentou o segundo melhor ataque da fase de grupos (20 gols), mas com uma derrota a menos que o Real Madrid no computo de jogos disputados no mesmo período. O saldo blaugrana (+16) ficou apenas um ponto abaixo do saldo merengue (+17).
- Três equipes encerraram a fase de grupos sem pontuar: Villarreal (Grupo A), Oțelul (Grupo C) e Dinamo Zagreb (Grupo D). O Zagreb foi o mais castigado: 22 gols sofridos em seis partidas, média de quase 4 por jogo.
- O Grupo G foi o único em que todos os quatro times terminaram com ao menos 5 pontos, evidenciando o equilíbrio da chave.
- Na artilharia, a diferença entre o primeiro (Messi, 14 gols) e o quinto colocado (Aílton, 7 gols) foi de 7 gols — o que demonstra o domínio de Messi e Gómez no topo da tabela.
- Na disciplina, M. Pereira, do Benfica, foi o jogador mais advertido da competição, com 6 cartões amarelos em 13 jogos. P. Aimar, também do Benfica, e Raul Meireles, do Chelsea, acumularam 5 amarelos cada. Curiosamente, o Chelsea, campeão da edição, teve em Meireles um dos jogadores mais advertidos do torneio.
- A edição marcou a introdução do uso de dois auxiliares extras atrás de cada gol em todas as partidas da competição (Wikipédia), uma inovação que a UEFA implementou para reforçar o controle das jogadas na área.
- Um recorde histórico foi registrado ainda nas fases preliminares: HJK Helsinki aplicou 10 a 0 no Bangor City FC em 19 de julho de 2011, na segunda rodada de qualificação (Wikipédia).
- A competição reuniu 76 equipes de 52 federações filiadas à UEFA (Wikipédia), tornando-se uma das edições com maior representatividade geográfica até então.
A Champions League 2011-12, portanto, ficará na memória como a temporada em que o Chelsea escreveu seu nome pela primeira vez na história do torneio, vencendo a final no estádio do rival e consolidando um dos feitos mais improváveis do futebol europeu. Em paralelo, a edição produziu estatísticas que revelam tanto o domínio dos grandes clubes — Real Madrid e Barcelona à frente — quanto a capacidade de surpresa que torna a competição singular no calendário do futebol mundial.



























































































































