O Manchester City escreveu um dos capítulos mais marcantes da história da UEFA Champions League ao conquistar, na edição 2022–23, o seu primeiro título europeu de forma invicta — uma façanha que não se repetia desde a campanha do Chelsea em 2011–12 (Wikipédia). Disputada em um contexto histórico atípico, com a fase de grupos comprimida entre setembro e novembro para acomodar a Copa do Mundo FIFA de 2022 (Wikipédia), a competição reuniu 32 clubes de elite e entregou uma temporada rica em gols, reviravoltas e afirmações individuais que ficarão na memória do futebol europeu.
Visão Geral da Temporada
A edição foi marcada por condicionantes extrafutebolísticos desde antes do pontapé inicial. A Rússia foi excluída da competição em decorrência da invasão da Ucrânia em 2022 (Wikipédia), alterando o quadro de participantes. O calendário também sofreu ajuste inédito: a fase de grupos, normalmente distribuída de setembro a dezembro, foi concentrada entre setembro e novembro de 2022 para liberar o período da Copa do Mundo no Catar (Wikipédia). Apesar do aperto, o nível técnico se manteve elevado — o torneio produziu artilheiros em ritmo frenético e confirmou o Manchester City como força irresistível em todas as fases.
O Campeão e a Final
O Manchester City chegou à decisão como a equipe mais consistente da competição inteira. Na final, disputada no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul — arena que ganhou novo simbolismo ao ser palco do encontro depois de sua eleição original ter sido adiada por conta da pandemia de COVID-19 (Wikipédia) —, os ingleses enfrentaram a Internazionale e venceram por 1–0, sagrando-se campeões europeus pela primeira vez (Wikipédia).
O triunfo coroou uma campanha sem derrotas ao longo de toda a competição, feito raríssimo em uma era de mata-mata tão disputada. O prêmio de melhor jogador do torneio foi entregue a Rodri, volante espanhol do City que se consolidou como o motor disciplinador de um time que dominava com posse e pressão (Wikipédia). A Internazionale chegou à final após uma das campanhas mais sólidas do clube nos últimos anos, mas não foi suficiente para superar a máquina montada por Pep Guardiola.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além do campeão e do vice, alguns clubes deixaram marcas significativas ao longo das fases eliminatórias. O Real Madrid, lider do Grupo F com 13 pontos e saldo de gols de +9, buscava a defesa do título conquistado em 2021–22, mas foi eliminado antes da final. O Benfica, que fechou a fase de grupos invicto no Grupo H com 14 pontos, protagonizou uma das campanhas mais elogiadas da edição, sustentado por um coletivo bem azeitado e dois dos maiores destaques individuais da competição — Gonçalo Ramos e o duo João Mário/David Neres. O Napoli foi o time que mais balançou as redes na fase de grupos, com 20 gols marcados e apenas 6 sofridos no Grupo A.
A grande zebra da fase de grupos foi a queda do Barcelona, que terminou em terceiro no Grupo C com apenas 7 pontos — rebaixado para a UEFA Europa League —, enquanto o Bayern München dominava o mesmo grupo com 18 pontos em 18 possíveis, aproveitamento perfeito e saldo de +16. No lado oposto, Rangers, Plzen, Maccabi Haifa e FC Copenhagen encerraram a fase de grupos sem nenhuma vitória ou com um desempenho modestíssimo.
A Fase de Grupos
Os oito grupos produziram dinâmicas bastante distintas. Abaixo, os números que definiram cada chave:
- Grupo A: Napoli e Liverpool empataram em pontos (15 cada), vitórias (5) e gols sofridos (6), mas os italianos avançaram na liderança por melhor saldo de gols (+14 contra +11). O Ajax totalizou 6 pontos, enquanto o Rangers encerrou sem nenhum ponto e com saldo de -20 — o pior de toda a fase de grupos.
- Grupo B: FC Porto liderou com 12 pontos, seguido de perto pelo Club Brugge KV (11). Bayer Leverkusen e Atlético de Madrid empataram em pontos (5) e saldo (-4), mas os espanhóis ficaram em quarto lugar pelo critério de gols marcados.
- Grupo C: Bayern München foi absoluto: seis jogos, seis vitórias, 18 pontos, 18 gols marcados e apenas 2 sofridos — saldo de +16, o melhor de toda a fase. A Inter avançou em segundo (10 pontos), e o Barcelona saiu pela terceira colocação, algo impensável para o clube apenas alguns anos antes.
- Grupo D: Tottenham liderou com 11 pontos, à frente do Eintracht Frankfurt (10) e do Sporting CP (7). O Marseille ficou com 6 pontos e foi eliminado.
- Grupo E: Chelsea avançou na liderança com 13 pontos, e o AC Milan garantiu a segunda vaga com 10. Red Bull Salzburg (6 pontos) e Dinamo Zagreb (4) não avançaram.
- Grupo F: Real Madrid liderou com 13 pontos, um a mais que o RB Leipzig (12). O Shakhtar Donetsk ficou em terceiro (6) e o Celtic encerrou com apenas 2 pontos.
- Grupo G: Manchester City foi o grande destaque, com 14 pontos em 6 jogos, sem nenhuma derrota e saldo de +12. O Borussia Dortmund avançou em segundo com 9 pontos. Sevilla (5) e FC Copenhagen (3) foram eliminados.
- Grupo H: Um dos grupos mais equilibrados: Benfica e Paris Saint-Germain terminaram com exatamente os mesmos números — 14 pontos, 4 vitórias, 2 empates, 16 gols marcados, 7 sofridos e saldo de +9. Juventus e Maccabi Haifa ficaram com 3 pontos cada, mas o Maccabi Haifa sofreu 21 gols — o pior retrospecto defensivo entre todos os times da fase de grupos.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia da temporada foi dominada por Erling Haaland, do Manchester City, com 12 gols em 12 partidas — média de exatamente um gol por jogo. O norueguês confirmou o excepcional rendimento que o tornou o artilheiro da competição e um dos jogadores mais decisivos do mundo. Haaland ainda contribuiu com 1 assistência e foi advertido com apenas 1 cartão amarelo em toda a campanha (Wikipédia).
A lista dos cinco maiores artilheiros revelou a variedade de perfis ofensivos presentes na competição:
- E. Haaland (Manchester City): 12 gols, 1 assistência, 12 jogos
- Mohamed Salah (Liverpool): 8 gols, 2 assistências, 8 jogos — média notável de 1 gol por partida
- Vinícius Júnior (Real Madrid): 7 gols e 5 assistências em 12 jogos — o jogador mais completo ofensivamente entre os cinco primeiros, com 12 participações diretas em gols
- Gonçalo Ramos (Benfica): 7 gols e 3 assistências em 14 jogos — o jogador que mais atuou entre os artilheiros do top-5
- Kylian Mbappé (Paris Saint-Germain): 7 gols e 3 assistências em apenas 8 partidas — eficiência elevada mesmo com campanha curta do PSG
No ranking de assistências, Kevin De Bruyne foi o mais criativo da competição com 6 passes para gol em 10 partidas, além de 2 gols marcados. Vinícius Júnior figurou em segundo lugar com 5 assistências, consolidando seu papel de protagonista no Real Madrid. Pelo Benfica, João Mário e David Neres também chegaram a 5 assistências cada — números que ajudam a explicar o bom desempenho do clube português ao longo do torneio. Federico Dimarco, da Inter, completou o top-5 de assistências também com 5 passes decisivos, sem marcar nenhum gol, evidenciando seu papel predominantemente de suporte.
O gol histórico da campanha do Manchester City nas oitavas de final merece destaque especial: o City goleou o RB Leipzig por 7–0 no Etihad Stadium, em 14 de março de 2023, no jogo de volta das oitavas — uma das maiores goleadas da era moderna da Liga dos Campeões (Wikipédia).
Números e Curiosidades
- O Manchester City tornou-se campeão europeu pela primeira vez em sua história e fez isso de forma invicta — algo que não acontecia desde o Chelsea em 2011–12 (Wikipédia).
- O Bayern München foi o único time a vencer todos os seis jogos da fase de grupos, somando 18 pontos com saldo de +16 e apenas 2 gols sofridos — a melhor defesa entre todos os grupos.
- Benfica e PSG terminaram o Grupo H com números absolutamente idênticos em todos os critérios mensuráveis: pontos, vitórias, empates, derrotas, gols marcados, gols sofridos e saldo.
- Rangers encerrou a fase de grupos com zero pontos e saldo de -20, o pior desempenho de qualquer equipe na fase inicial.
- No ranking de disciplina, J. Mosquera (Plzen) e S. Moharrami (Dinamo Zagreb) lideraram os cartões amarelos com 5 cada. Entre os vermelhos, cinco jogadores receberam expulsão ao longo da competição: F. Tomori (AC Milan), B. Pavard (Inter), Pepê Aquino (FC Porto), Show (Ludogorets) e Ricardo Esgaio (Sporting CP).
- A fase de grupos foi realocada para setembro a novembro de 2022, comprimindo o calendário europeu para abrir espaço à Copa do Mundo FIFA de 2022, disputada no Catar (Wikipédia).
- A Rússia foi excluída de todas as competições UEFA em função da invasão da Ucrânia iniciada em 2022 (Wikipédia), marcando uma decisão sem precedentes recentes no futebol continental.
- O Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, palco da final, tem história especial na Liga dos Campeões — e recebeu a decisão da edição 2022–23 depois de sua eleição original ter sido adiada por conta da pandemia de COVID-19 (Wikipédia).





























































































































