O Chelsea encerrou a temporada 2020–21 da UEFA Champions League com o segundo título europeu de sua história, superando o Manchester City por 1 a 0 na final disputada no Estádio do Dragão, em Porto, Portugal (Wikipédia). A edição ficou marcada pela sombra da pandemia de COVID-19, que condicionou logística, sedes e o comportamento das torcidas ao longo de toda a competição. Em campo, 32 clubes disputaram uma fase de grupos repleta de contrastes e revelações individuais antes que o mata-mata decidisse quem ergueria a taça.
O campeão e a final
A final entre Chelsea e Manchester City foi a primeira disputa entre dois clubes ingleses na história das finais da Liga dos Campeões (Wikipédia). O confronto, inicialmente programado para o Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, foi transferido para o Estádio do Dragão, em Porto, em razão das restrições impostas pela pandemia de COVID-19 (Wikipédia). O resultado foi definido por uma margem mínima — 1 a 0 —, consolidando o triunfo do Chelsea em uma decisão de alto nível tático.
O título conferiu ao Chelsea o direito de disputar a Supercopa da UEFA 2021 e de representar a UEFA na Copa do Mundo de Clubes FIFA 2021 (Wikipédia). Para o clube londrino, foi a coroação de uma trajetória que começou com uma fase de grupos sólida: quatro vitórias, dois empates e nenhuma derrota no Grupo E, com o melhor saldo defensivo entre todos os líderes de grupo — apenas 2 gols sofridos em seis partidas e saldo de +12. O Sevilla, segundo colocado no mesmo grupo com 13 pontos, não deixou a disputa fácil, mas a consistência do Chelsea foi superior.
Do outro lado da final, o Manchester City havia dominado o Grupo C com autoridade: 16 pontos, cinco vitórias, uma derrota e a defesa mais inexpugnável da fase de grupos, com apenas 1 gol sofrido em seis jogos — saldo de +12, idêntico ao do Chelsea. Os dois finalistas foram, portanto, as equipes com melhor desempenho defensivo coletivo em toda a fase inicial da competição.
O caminho até a final e os destaques de campanha
O Bayern de Munique, detentor do título na edição anterior, iniciou a competição como grande favorito e confirmou o peso de seu favoritismo na fase de grupos: líder do Grupo A com 16 pontos, cinco vitórias e apenas um empate, 18 gols marcados e somente 5 sofridos — melhor ataque absoluto da fase inicial. O clube bávaro, no entanto, foi eliminado pelo Paris Saint-Germain nas quartas de final (Wikipédia), encerrando precocemente a tentativa de bicampeonato.
O Paris Saint-Germain encerrou a fase de grupos como líder do Grupo H com 12 pontos, dividindo a pontuação com o RB Leipzig. O clube parisiense terminou à frente pelo maior saldo de gols: +7 contra -1 do rival alemão. Com Mbappé e Neymar como protagonistas ofensivos — e Ángel Di María como principal criador —, o PSG manteve o status de um dos candidatos mais completos ao título até sua eliminação nas fases eliminatórias.
A Juventus foi outro clube de grande tradição que disputou espaço no debate das candidaturas. Líder do Grupo G com 15 pontos, o mesmo do Barcelona que ficou em segundo pela diferença de saldo (+10 contra +11 do rival catalão), os italianos apresentaram no mata-mata dificuldades que a fase de grupos não sinalizava com clareza.
A fase de grupos
A fase de grupos reuniu 32 equipes distribuídas em oito chaves. Os resultados revelaram contrastes expressivos entre os favoritos e os estreantes ou representantes de ligas menores.
- Grupo A: Bayern München liderou com 16 pontos e saldo de +13, distanciando-se em sete pontos do Atlético de Madrid (9 pontos), que avançou com apenas 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Red Bull Salzburg (4 pontos) e Lokomotiv Moscow (3 pontos) ficaram pelo caminho.
- Grupo B: Real Madrid avançou em primeiro com 10 pontos, um grupo equilibrado em que Borussia Mönchengladbach e Shakhtar Donetsk ficaram empatados em 8 pontos — o Gladbach avançou em segundo pelo maior saldo (+7 contra -7). A Internazionale, com 6 pontos e 1 vitória e 3 empates, ficou de fora.
- Grupo C: Manchester City (16 pontos) e FC Porto (13 pontos) avançaram com folga. O grupo foi o mais defensivo da fase inicial: Olympiakos e Marseille somaram apenas 2 gols marcados cada, com Marseille acumulando saldo de -11.
- Grupo D: Liverpool (13 pontos) e Atalanta (11 pontos) avançaram sobre Ajax (7 pontos) e o estreante FC Midtjylland (2 pontos), que sofreu 13 gols em 6 jogos.
- Grupo E: Chelsea (14 pontos) e Sevilla (13 pontos) avançaram com boa margem sobre Krasnodar (5 pontos) e Rennes (1 ponto), que conquistou apenas um empate em seis partidas.
- Grupo F: Borussia Dortmund (13 pontos) e Lazio (10 pontos) avançaram. O Lazio é o único segundo colocado da fase com zero derrotas — 2 vitórias e 4 empates. Club Brugge KV (8 pontos) ficou a 2 pontos da classificação, enquanto Zenit Saint Petersburg (1 ponto) praticamente não competiu, com 5 derrotas.
- Grupo G: Juventus e Barcelona terminaram empatados em 15 pontos, cada um com 5 vitórias e 1 derrota. O Barcelona avançou em segundo pelo saldo ligeiramente superior (+11 contra +10). Dynamo Kyiv (4 pontos) e o estreante Ferencvarosi TC (1 ponto) completaram a chave.
- Grupo H: PSG e RB Leipzig avançaram empatados em 12 pontos. Manchester United, com 9 pontos e o ataque mais prolífico dos eliminados na fase de grupos (15 gols marcados), ficou de fora. Istanbul Basaksehir, que sofreu 18 gols em 6 jogos, foi o conjunto mais vazado de toda a fase de grupos.
Um dado que chama a atenção ao se comparar os grupos: o Grupo B foi o mais equilibrado da competição, com os quatro times separados por apenas 4 pontos (10, 8, 8 e 6). Já o Grupo A registrou a maior disparidade, com o Bayern liderando com 16 pontos enquanto o Lokomotiv Moscow somou apenas 3.
Artilharia e destaques individuais
A artilharia da competição foi dominada por Erling Haaland, do Borussia Dortmund, que terminou como maior goleador da edição com 10 gols em 8 jogos — média de 1,25 gol por partida (Wikipédia). O norueguês somou ainda 2 assistências e saiu do torneio sem nenhum cartão vermelho, o que reforça a imagem de um centroavante eficiente e disciplinado. Sua produção foi especialmente expressiva considerando que o Dortmund não chegou até as fases mais avançadas da competição.
Kylian Mbappé, do Paris Saint-Germain, terminou em segundo lugar na artilharia com 8 gols em 10 jogos, somando ainda 3 assistências — números que o colocam entre os jogadores de maior impacto ofensivo da temporada. Sua regularidade ao longo de mais partidas que Haaland indica um papel central na campanha do PSG. Mbappé foi o único jogador entre os cinco primeiros artilheiros a não receber nenhum cartão amarelo em toda a competição.
Álvaro Morata (Juventus), Karim Benzema (Real Madrid) e Neymar (PSG) dividiram o terceiro posto com 6 gols cada. Neymar, com 3 amarelos em 9 jogos, foi o mais advertido entre os cinco principais artilheiros. Benzema disputou 10 partidas sem receber qualquer cartão.
No ranking de assistências, Juan Cuadrado, da Juventus, foi o líder isolado com 6 passes para gol em apenas 6 jogos — média que nenhum outro jogador do torneio conseguiu igualar. Kevin De Bruyne (Manchester City), Ángel Di María (PSG) e Joshua Kimmich (Bayern München) empataram em 4 assistências cada. Di María foi o único desse grupo a ser expulso durante a competição — com 1 cartão vermelho em 10 jogos.
Cartões e disciplina
Entre os jogadores mais advertidos, Jorginho e Mason Mount, ambos do Chelsea, acumularam 4 cartões amarelos cada ao longo das 12 e 11 partidas disputadas respectivamente — os números refletem a intensidade da campanha do campeão, que foi o time com mais jogos entre os listados no quesito disciplinar. Merih Demiral, da Juventus, somou 4 amarelos e 1 vermelho em apenas 5 jogos, o pior índice disciplinar em relação ao número de partidas entre todos os jogadores destacados. Idrissa Gueye, do PSG, também somou 1 expulsão ao lado de 3 cartões amarelos em 10 jogos.
Números e curiosidades
- O Borussia Mönchengladbach sofreu uma goleada de 0 a 6 para o Shakhtar Donetsk na fase de grupos em 3 de novembro de 2020 (Wikipédia) — resultado que contrasta com a classificação do clube alemão em segundo lugar no Grupo B, a mais tensa das oito chaves.
- O Istanbul Basaksehir foi o time mais vazado da fase de grupos, com 18 gols sofridos em 6 partidas e saldo de -11. A mesma pontuação negativa foi registrada pelo Marseille.
- O Ferencvarosi TC foi o time com o pior saldo geral da fase de grupos: -12, fruto de 5 gols marcados e 17 sofridos.
- A final realizada em Porto foi a segunda vez consecutiva que o local da decisão precisou ser alterado em função de circunstâncias externas relacionadas à pandemia (Wikipédia).
- O comportamento de adeptos ingleses em Portugal durante a final gerou controvérsia pelo descumprimento das medidas de distanciamento social e uso de máscaras vigentes à época (Wikipédia).
- Bayern München (16 pontos) e Manchester City (16 pontos) foram os únicos líderes de grupo a alcançar a pontuação máxima de 16 pontos — 5 vitórias e 1 empate — na fase de grupos. Nenhum clube encerrou os grupos com aproveitamento de 100%.
- O Chelsea foi o único líder de grupo a não sofrer nenhuma derrota na fase de grupos, terminando a fase com o menor número de gols sofridos entre todos os líderes: apenas 2 em 6 jogos.
A UEFA Champions League 2020–21 entregou ao futebol europeu um desfecho inédito — uma final toda inglesa decidida por um único gol em território português — e um conjunto de histórias que vão da ascensão meteórica de Haaland à consolidação do Chelsea como potência continental. Os números da fase de grupos revelam tanto a hegemonia dos favoritos quanto a fragilidade dos estreantes, em uma edição marcada tanto pelo contexto pandêmico quanto pela qualidade técnica que o torneio mais importante do continente sempre exige.



























































































































