A edição 2019/20 da UEFA Champions League ficará marcada na história por duas razões distintas e igualmente extraordinárias: a interrupção sem precedentes causada pela pandemia de COVID-19, que suspendeu a competição nas oitavas de final e forçou uma reinvenção completa do formato nas fases finais, e a exibição avassaladora do Bayern de Munique, que conquistou o sexto título do clube na competição com uma campanha histórica, tornando-se o primeiro campeão da história do torneio a terminar com 100% de aproveitamento (Wikipédia).
Visão Geral da Temporada
A Liga dos Campeões de 2019/20 começou em formato convencional, com fase de grupos entre setembro e dezembro de 2019 e oitavas de final com jogos de ida e volta no início de 2020. Contudo, a pandemia de COVID-19 interrompeu abruptamente o calendário europeu, deixando partidas de volta das oitavas sem data por meses. A solução adotada pela UEFA foi transferir as quartas de final, as semifinais e a grande final para Lisboa, disputadas em partida única em agosto de 2020 (Wikipédia). A cidade portuguesa, mais especificamente o Estádio da Luz e o Estádio José Alvalade, se transformou em palco concentrado do desfecho da competição. A final, originalmente prevista para Istambul, foi transferida em razão das restrições sanitárias (Wikipédia).
O Campeão e a Final
O Bayern de Munique encerrou a temporada como senhor absoluto da Europa. O time bávaro chegou à final diante do Paris Saint-Germain — líder absoluto do Grupo A na fase de grupos — e venceu por 1 a 0 no Estádio da Luz, em Lisboa, em 23 de agosto de 2020 (Wikipédia). O resultado consagrou o sexto título europeu do clube (Wikipédia) e coroou uma campanha que não conheceu derrota em nenhuma das fases da competição.
O PSG, que havia chegado à sua primeira final de Champions League, protagonizou uma fase de grupos quase perfeita — cinco vitórias e um empate em seis jogos, com 17 gols marcados e apenas 2 sofridos — mas não foi capaz de superar o poderio alemão no confronto decisivo. Com jogadores como Kylian Mbappé e Neymar entre os mais participativos da temporada, os parisienses deixaram sua marca na competição mesmo sem erguer a taça.
A marca mais simbólica do percurso do Bayern até o título foi a goleada histórica de 8 a 2 sobre o Barcelona nas quartas de final em Lisboa (Wikipédia), resultado que ecoou pelo mundo do futebol e que evidenciou a superioridade técnica e física do conjunto alemão naquele momento da temporada.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além de Bayern e PSG, finalistas da competição, outros clubes protagonizaram trajetórias dignas de nota:
- RB Leipzig — Surpreendeu ao chegar às semifinais. Na fase de grupos, o clube alemão terminou à frente de Lyon, Benfica e Zenit no Grupo G, com 11 pontos em seis jogos.
- Lyon — Classificado em segundo no Grupo G, o clube francês também avançou até as semifinais em Lisboa, eliminando adversários de peso ao longo do mata-mata.
- Atlético de Madrid — Eliminou o Liverpool, detentor do título, nas oitavas de final (Wikipédia), em uma das maiores zebras da fase eliminatória.
- Barcelona — Líder do Grupo F com 14 pontos, os catalães foram eliminados de forma vexatória pelo Bayern nas quartas, com o placar histórico de 8 a 2 (Wikipédia).
- Liverpool — Saiu nas oitavas diante do Atlético, encerrando precocemente a defesa do título conquistado em 2018/19.
O Ajax, que havia encantado a Europa na edição anterior, terminou a fase de grupos do Grupo H em terceiro lugar com 10 pontos — ficando atrás de Valencia e Chelsea, que empataram em 11 pontos cada. Não houve, portanto, sequência heroica dos holandeses no mata-mata desta edição.
A Fase de Grupos
A etapa de grupos reuniu 32 clubes divididos em oito chaves, com exibições bastante contrastantes de dominância e equilíbrio.
O Bayern de Munique foi, isoladamente, o mais dominante dos 32 participantes: seis vitórias em seis jogos no Grupo B, 24 gols marcados e apenas 5 sofridos, totalizando 18 pontos — campanha de aproveitamento máximo que já antecipava o que estaria por vir. A margem em relação ao segundo colocado, o Tottenham (10 pontos), foi de 8 pontos. O FK Crvena Zvezda encerrou a fase com saldo de gols de -17, o pior de toda a edição.
No Grupo A, o PSG fez uma campanha de alto nível com 16 pontos, deixando o Real Madrid — time de maior tradição europeia — em segundo com 11. Galatasaray e Club Brugge completaram o grupo com apenas 2 e 3 pontos, respectivamente, tornando-o um dos mais desequilibrados da fase.
O Grupo E foi o mais disputado em termos de narrativa: Liverpool (13 pontos) e Napoli (12 pontos) ficaram separados por apenas um ponto na classificação, enquanto o Red Bull Salzburg, com 7 pontos, foi eliminado apesar de ter a terceira melhor diferença de gols do grupo — e de ter sido o único dos eliminados com um artilheiro entre os cinco maiores goleadores da temporada.
No Grupo G, o mais equilibrado da fase, apenas quatro pontos separaram o primeiro (RB Leipzig, 11) do quarto colocado (Zenit Saint Petersburg, 7). Benfica e Zenit encerraram empatados em sete pontos, com o clube russo sendo eliminado por saldo de gols inferior.
O Grupo H reservou uma das maiores peculiaridades: Valencia e Chelsea terminaram empatados em pontos (11), gols marcados não separavam os dois com clareza, e o Ajax — com o melhor saldo de gols do grupo (+6) — terminou em terceiro e migrou para a Liga Europa. Foi um dos desfechos mais incomuns da fase.
Artilharia e Destaques Individuais
O protagonismo individual na temporada foi tão expressivo quanto o coletivo do Bayern. Robert Lewandowski encerrou a competição como artilheiro isolado, com 15 gols e 5 assistências em 10 jogos — média de 1,5 gol por partida. O polonês foi eleito o melhor jogador da competição (Wikipédia), consolidando uma temporada pessoal histórica. Sem receber nenhum cartão amarelo ou vermelho em toda a campanha, Lewandowski conciliou eficiência ofensiva com disciplina.
Serge Gnabry, companheiro de Bayern, apareceu em segundo lugar na artilharia com 9 gols e 2 assistências em 10 jogos — uma contribuição decisiva para o time que terminou com o melhor ataque tanto na fase de grupos quanto ao longo de toda a competição.
O nome mais surpreendente entre os artilheiros foi o de Erling Haaland, do Red Bull Salzburg: 8 gols em apenas 6 jogos, com média superior a 1,3 gol por partida. O norueguês, então um dos jovens mais promissores do futebol europeu, mostrou ao mundo seu potencial mesmo em uma equipe eliminada na fase de grupos.
Raheem Sterling e Gabriel Jesus, ambos do Manchester City, dividiram o quarto lugar com 6 gols cada, reforçando a qualidade ofensiva do clube inglês que liderou o Grupo C com 14 pontos e impressionante saldo de +12.
Na liderança de assistências, destaque para Hakim Ziyech, do Ajax, com 6 passes para gol em 10 jogos — o melhor da competição nesse quesito, mesmo com o clube holandês sendo eliminado ainda na fase de grupos. Kylian Mbappé e Ángel Di María, ambos do PSG, acumularam 5 assistências cada, confirmando o potencial criativo do finalista francês.
Números e Curiosidades
- O Bayern de Munique tornou-se o primeiro clube campeão da Champions League com aproveitamento de 100% em todos os jogos da competição (Wikipédia).
- A goleada do Bayern sobre o Barcelona por 8 a 2 nas quartas de final em Lisboa é uma das maiores de toda a história do torneio (Wikipédia).
- O Real Madrid foi goleado pelo Galatasaray? Não — foi o contrário: o Real aplicou 6 a 0 sobre o Galatasaray na fase de grupos (Wikipédia), resultado que sequer salvou os turcos, encerrada com apenas 2 pontos e saldo de -13.
- O Bayern também goleou o FK Crvena Zvezda por 6 a 0 na fase de grupos (Wikipédia), contribuindo para o pior saldo de gols da fase (-17).
- A competição foi a primeira a ser concluída integralmente em formato de bolha, com as fases finais disputadas em sede única (Lisboa) por conta da pandemia de COVID-19 (Wikipédia).
- O Liverpool, detentor do título, foi eliminado nas oitavas de final pelo Atlético de Madrid — clube que havia terminado a fase de grupos com 10 pontos e saldo de +3 no Grupo D (Wikipédia).
- Entre os mais amarelados da edição, quatro jogadores ficaram empatados com 4 cartões cada: N. Moro (Dinamo Zagreb), J. Veltman (Ajax), M. Rodić (FK Crvena Zvezda) e A. Ademi (Dinamo Zagreb).
- O Grupo E, com Red Bull Salzburg e seu artilheiro Haaland, foi o que produziu mais gols entre as equipes eliminadas na fase de grupos: Salzburg marcou 16 gols em 6 partidas, melhor ataque entre os terceiros e quartos colocados de todos os grupos.
- O VAR passou a ser utilizado a partir da fase de play-off em diante nesta edição (Wikipédia), representando avanço no uso da tecnologia na competição.
A temporada 2019/20 da Champions League combinou o drama da crise sanitária global com futebol de altíssimo nível. A hegemonia do Bayern de Munique e o brilhantismo individual de Lewandowski definiram a edição, mas a narrativa coletiva — da interrupção histórica ao torneio condensado à beira do Rio Tejo — ficará gravada como um capítulo singular no calendário do futebol europeu.





























































































































